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Agropecuária: o grande motor da economia brasileira em 2025
Confira o novo artigo de Ênio Fonseca
10/03/2026 16h34
Por: Redação

Agropecuária: o grande motor da economia brasileira em 2025

 

Por Enio Fonseca

 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 2,3% em 2025 em relação ao ano anterior, alcançando R$ 12,7 trilhões em valores correntes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do avanço, o resultado representou uma desaceleração frente a 2024, quando a economia havia registrado expansão de 3,4%.

 

O PIB do agronegócio brasileiro apresentou um comportamento de resiliência e crescimento expressivo nos últimos 5 anos (2020-2025), consolidando-se como o motor principal da economia brasileira, mesmo diante de desafios climáticos e da pandemia de COVID-19.

 

O que é o PIB e por que importa

O PIB corresponde à soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em determinado período. É um dos principais termômetros da economia, permitindo avaliar se ela está em crescimento, estabilidade ou recessão. Além disso, serve como referência para investidores, comparações internacionais e definição de políticas públicas.

 

Agropecuária em destaque

Em 2025, o setor agropecuário foi o grande protagonista, com crescimento de 11,7%. Embora represente cerca de 7% a 8% do PIB total, sua contribuição foi decisiva: respondeu por 32,8% de todo o crescimento da economia brasileira. O valor adicionado bruto do setor chegou a R$ 775,3 bilhões.  

 

Safras recordes de café, laranja e arroz, além do desempenho robusto da pecuária, impulsionaram esse resultado. O setor de serviços, responsável por 69,5% da economia, cresceu 1,8%, enquanto a indústria avançou 1,4%.

 

Impacto no comércio exterior e no emprego

O dinamismo do agronegócio transbordou para o comércio internacional. As exportações somaram US$ 169 bilhões em 2025, sustentando mais de 28 milhões de ocupações — cerca de 26% da força de trabalho nacional.  

 

A produtividade também impressiona: nos últimos 50 anos, a produção aumentou 560%, utilizando apenas 170% a mais de área, evidenciando ganhos com sustentabilidade.

 

Desafios e perspectivas

O desempenho ocorreu em um cenário de juros elevados (Selic a 15% ao ano desde junho de 2025), o que reforça a resiliência do setor. Para 2026, entretanto, a expectativa é de desaceleração. Projeções oficiais indicam crescimento de 2,3% para o PIB, mas com menor contribuição da agropecuária, devido à redução na produção de milho e arroz e menor abate de bovinos.  

 

Por outro lado, uma nova safra recorde de soja pode atenuar parte dessa retração. Ainda assim, produtores enfrentam margens comprimidas pela queda das cotações de grãos, insumos caros e juros altos, mesmo com subsídios governamentais.

 

Riscos adicionais

Segundo o Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, o setor deve enfrentar em 2026:  

- juros elevados e escassez de crédito,  

- ausência de uma política agrícola estável,  

- riscos climáticos como estiagens e restrição hídrica,  

- falta de apoio ao seguro rural, que aumenta a vulnerabilidade dos produtores.  

 

Além disso, o conflito envolvendo EUA, Israel e Irã pressiona os custos de energia, insumos e equipamentos agrícolas, elevando o custo financeiro da produção.

 

Apesar dos desafios, a safra 2025/26 deve alcançar entre 353,4 e 354,8 milhões de toneladas de grãos, consolidando o Brasil como fornecedor essencial para alimentar sua população e parte significativa do mundo.

 

O Brasil se destaca como uma das maiores potências no agronegócio mundial, desempenhando um papel crucial tanto na segurança alimentar global quanto no desenvolvimento econômico nacional. Mas qual é a verdadeira dimensão desse setor e seu impacto real no cotidiano de todos os brasileiros?

 

Longe de ser apenas um setor produtivo, o agronegócio brasileiro se firmou como verdadeiro motor do desenvolvimento, gerando riqueza, empregos e divisas para o país. Sua relevância transcende as porteiras das fazendas, impactando diretamente a balança comercial, a inflação e a qualidade de vida de milhões de pessoas.

 

Apesar de sua inegável importância como um dos pilares da economia nacional, o agronegócio brasileiro ainda enfrenta o desafio de ser compreendido em sua totalidade. Muitas vezes, o setor é visto de forma simplificada ou até mesmo com preconceitos, o que impede uma percepção clara de sua complexidade, modernidade e papel estratégico.

 

Portanto, torna-se fundamental desmistificar essa imagem, mostrando que o agronegócio vai muito além da produção primária. O setor engloba uma vasta cadeia de valor que inclui pesquisa e desenvolvimento, tecnologia de ponta, logística complexa, agroindústria e um compromisso crescente com práticas sustentáveis. Compreender essa dinâmica é crucial não apenas para valorizar o setor, mas também para que a sociedade reconheça o esforço contínuo em alimentar o mundo de forma responsável.

 

Enio Fonseca é Engenheiro Florestal, CEO da Pack of Wolves- Assessoria Socioambiental estratégica, Diretor de Responsabilidade Social e Ambiental da Academia Latino-Americana do Agronegócio- ALAGRO, foi Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, do Ibama em MG, é membro do CEMA/FIEMG