Virou moda culpar Flávio Bolsonaro por tudo — até pela tarifa americana. Mas os fatos contam outra história.
Os Estados Unidos não taxaram o Brasil por causa de um senador da oposição. Trump impôs tarifas a dezenas de países — mais de 60 — como parte da política comercial dele para o mundo inteiro. Transformar Flávio no culpado pela decisão de um governo estrangeiro é só procurar um bode expiatório para esconder o fracasso da própria diplomacia.
E o tom do discurso? Inaceitável. Um presidente da República subir ao palanque para dizer que um adversário “fala merda” e insinuar que ele “merece ser enforcado” não é firmeza — é descontrole institucional. Pior: ao comparar Flávio ao delator de Tiradentes, Lula errou até a aula de história, porque quem morreu enforcado foi o próprio Tiradentes, não o traidor. Sobrou a ameaça e faltou o conteúdo.
Mas a cortina de fumaça não para por aí. Tem também o fim da escala 6x1.
Ninguém aqui é contra o trabalhador descansar. O problema é a hipocrisia de quem trata o tema como palanque eleitoral e esconde os detalhes do eleitor.
Não dizem que jornada de trabalho é matéria de economia e de negociação — e que engessá-la na Constituição, em vez de tratar por lei e acordo coletivo, é decisão pensada para arrancar voto, não para gerar emprego.
Não dizem que a jornada efetivamente trabalhada no Brasil já gira em torno de 38 horas semanais — abaixo, portanto, do próprio teto que vendem como “conquista”.
Não dizem que só o Brasil engessa isso na Constituição.
E não falam do que ninguém quer ouvir: o custo para o pequeno empresário, a conta que sobra para o setor de serviços, o emprego que pode simplesmente desaparecer.
É fácil prometer descanso quando é o outro que vai pagar a conta.
No fim, é sempre a mesma receita: discurso para a plateia, fatura para o povo.
Não é pelo Flávio. Não é pelo trabalhador. É por voto.