A agenda ESG vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil, deixando de ser um diferencial competitivo e passando a ser um pilar estratégico para as empresas, sobretudo quando falamos de sustentabilidade. Nesse contexto, um dos maiores desafios ambientais da atualidade é a poluição por plástico nos mares.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2026, o oceano recebe, anualmente, 11 milhões de toneladas de plástico. A ONU estima ainda que até 2040 esse número chegará a 37 milhões, o que coloca em risco o ecossistema marinho e sua biodiversidade.
Nesse contexto, iniciativas de economia circular começam a ganhar espaço também em diversos segmentos, como o mercado de colchões. Um exemplo é o colchão Liberty, da Ortobom, que utiliza a tecnologia Oceancare para incorporar ao seu revestimento fibras produzidas a partir de garrafas PET coletadas em regiões costeiras com risco de contaminação dos oceanos.
O processo começa com a coleta de embalagens plásticas em áreas sem sistemas formais de reciclagem. Após passarem por etapas de limpeza e transformação industrial, essas garrafas se tornam matéria-prima para a fabricação de fios têxteis utilizados no revestimento dos colchões.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de economia circular da Ortobom. Atualmente, a companhia reaproveita cerca de 310 toneladas de matéria-prima por mês, sendo 217 toneladas de resíduos de espuma e 93 toneladas de resíduos têxteis. Os materiais retornam ao processo produtivo, reduzindo o descarte de resíduos e a necessidade de utilização de novos recursos naturais.
Segundo Rafael Wetzker, diretor geral de projetos da Ortobom, cada unidade do Liberty reaproveita, em média, 23 garrafas PET que poderiam ter como destino final rios e oceanos. “De 2023 até o momento, 4.370.000 garrafas foram utilizadas na produção de colchões”, afirma.
Em um cenário em que se cobra cada vez mais transparência e responsabilidade socioambiental das marcas, a iniciativa da Ortobom mostra que o varejo vem buscando inserir, cada vez mais, a sustentabilidade como parte da proposta de valor dos seus produtos. Mais do que desenvolver soluções de conforto e bem-estar, a empresa investe em processos que contribuem para o reaproveitamento de materiais e para a redução dos impactos ambientais ao longo da cadeia produtiva.