Transição Energética Óleo e Gás
Pré-sal puxa recorde de produção enquanto biocombustíveis avançam: o retrato do setor energético brasileiro em 2025
Confira os resultados apresentados pela ANP
21/07/2026 13h56
Por: Redação

Anuário Estatístico da ANP mostra petróleo em alta de 12%, gás natural no 16º ano consecutivo de crescimento e etanol ganhando espaço na gasolina — dados que reacendem o debate sobre o lugar do Brasil na transição energética.

 

O Brasil consolidou em 2025 uma posição que revela bem a complexidade da sua matriz energética: bateu recordes de produção de petróleo e gás natural ao mesmo tempo em que ampliou a mistura de etanol na gasolina. Os números estão no Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2026, publicado nesta terça-feira (30) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com dados consolidados sobre produção, comercialização, reservas, licitações e abastecimento, organizados em cinco seções.

 

O avanço dos fósseis. A produção de petróleo cresceu 12% e atingiu 3,8 milhões de barris por dia, com o pré-sal respondendo por cerca de 80% do total — média de 3 milhões de barris diários. As exportações líquidas chegaram a 1,7 milhão de barris por dia. No gás natural, a alta foi de 16,7%, alcançando 179,2 milhões de metros cúbicos por dia no décimo sexto ano consecutivo de crescimento, também puxado majoritariamente pelo pré-sal, que respondeu por 78,2% do total nacional.

 

Reservas. As reservas totais de petróleo recuaram 1%, para 28,9 bilhões de barris, enquanto as provadas subiram 3,8%, para 17,5 bilhões. No gás, as reservas totais cresceram 1,5% (751,6 bilhões de m³) e as provadas avançaram 5% (573,3 bilhões de m³).

 

O peso na economia. As participações governamentais — royalties e participações especiais que abastecem estados, municípios e a União — somaram R$ 100,4 bilhões em 2025, alta de 1,4% sobre o ano anterior. As obrigações de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) chegaram a R$ 4,3 bilhões, crescimento de 2,7%. Os dois ciclos da Oferta Permanente de Blocos arrecadaram, juntos, mais de R$ 1 bilhão em bônus de assinatura: R$ 989,3 milhões no 5º Ciclo de Concessão e R$ 103,7 milhões no 3º Ciclo de Partilha da Produção.

 

A transição em curso. Ao mesmo tempo em que expande a fronteira do petróleo, o país registrou avanço dos biocombustíveis: a produção de biodiesel ficou 8,7% acima de 2024, e o etanol anidro cresceu 3,1%, impulsionado pelo aumento da mistura na gasolina C — de 27% para 30% — a partir de agosto de 2025. O dado sustenta a leitura de que desenvolvimento energético e agenda ambiental não caminham necessariamente em rota de colisão. Por outro lado, o etanol hidratado teve queda de 5,9% nas vendas, e a produção total de etanol recuou 2,8% (35,9 bilhões de litros), sinal de que a competitividade do combustível renovável ainda depende fortemente da paridade de preços com a gasolina.

 

O abastecimento interno. A produção nacional de derivados caiu 1,4%, para 2,2 milhões de barris por dia — 86,4% da capacidade instalada de refino. As vendas das distribuidoras, porém, cresceram 3,1%, com destaque para o querosene de aviação (+6,1%), indicador da retomada do transporte aéreo.

 

Os dados internacionais, que integrarão o capítulo 1 do anuário, serão divulgados em 31 de julho.

 

Fonte: ANP — Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2026 (gov.br/anp, 30/06/2026).