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Caetano é verde floresta ou dólar?
A Coluna Verde Dólar é escrita aos domingos pela filosofa cinza Anitilda Dicabra, para o sustentabilidade crítica, trazendo um humor ácido sobre fatos (irreais) que (des) mascaram os (in) sustentáveis.
26/07/2026 00h00 Atualizada há 3 meses atrás
Por: Redação Fonte: Por Anitta Dicabra

COLUNA VERDE DOLLAR

Março de 2022. Trio elétrico em frente ao Congresso Nacional. Caetano Veloso convoca colegas, discursa e canta contra o que chamou de “pacote da destruição”. Legítimo. Bonito, até.

A pergunta é outra: onde estava o trio quando o Xingu foi barrado em Belo Monte? Quando o Código Florestal foi reescrito, em 2012, sob governo aliado? Quando o Pantanal ardeu em 2024?

Não se trata de silêncio absoluto. Trata-se de intensidade seletiva. Em quase duas décadas de governos aliados, nenhuma mobilização de rua comparável à de 2022. O ambientalismo tem calendário. Acende com um governo, apaga com outro. A floresta, essa, queima igual nos dois.

Some-se a coerência da vida cotidiana. Jatinho fretado. Turnê internacional. Carro importado. Trio elétrico, que não anda a energia solar. Nada disso é ilícito. É o preço de sessenta anos de carreira num mercado que ele ajudou a criar.

O problema não é o luxo. É o luxo que cobra austeridade dos outros.

Há dois verdes em disputa no Brasil. Um cobre o solo. O outro cobre a conta. Nem sempre é o primeiro que canta mais alto.

 

A Coluna Verde Dólar é escrita aos domingos pela filosofa cinza Anitilda Dicabra, para o sustentabilidade crítica, trazendo um humor ácido sobre fatos (irreais) que (des) mascaram os (in) sustentáveis.