COLUNA VERDE DOLLAR
Março de 2022. Trio elétrico em frente ao Congresso Nacional. Caetano Veloso convoca colegas, discursa e canta contra o que chamou de “pacote da destruição”. Legítimo. Bonito, até.
A pergunta é outra: onde estava o trio quando o Xingu foi barrado em Belo Monte? Quando o Código Florestal foi reescrito, em 2012, sob governo aliado? Quando o Pantanal ardeu em 2024?
Não se trata de silêncio absoluto. Trata-se de intensidade seletiva. Em quase duas décadas de governos aliados, nenhuma mobilização de rua comparável à de 2022. O ambientalismo tem calendário. Acende com um governo, apaga com outro. A floresta, essa, queima igual nos dois.
Some-se a coerência da vida cotidiana. Jatinho fretado. Turnê internacional. Carro importado. Trio elétrico, que não anda a energia solar. Nada disso é ilícito. É o preço de sessenta anos de carreira num mercado que ele ajudou a criar.
O problema não é o luxo. É o luxo que cobra austeridade dos outros.
Há dois verdes em disputa no Brasil. Um cobre o solo. O outro cobre a conta. Nem sempre é o primeiro que canta mais alto.