A 12ª Virada Sustentável Manaus mobilizou mais de duas mil pessoas em programação gratuita realizada entre 14 e 19 de julho, com atividades distribuídas por diferentes regiões da capital amazonense. A abertura foi um concerto da Amazonas Band, no Teatro Amazonas.
No dia 16, a sede da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) recebeu o Fórum e a Feira da Virada, reunindo jovens, mulheres, lideranças comunitárias, pesquisadores e organizações da sociedade civil em torno de sustentabilidade urbana, justiça climática e participação social. O superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, destacou a presença de lideranças de bairro que acompanham a iniciativa há anos e o foco em desafios concretos da cidade — aumento das enchentes, secas e aquecimento urbano. Paralelamente, a Feira da Virada reuniu expositores da economia criativa e do empreendedorismo local, com apresentações musicais e de dança urbana.
O aspecto mais relevante da edição para o debate de políticas públicas foi a descentralização. Nos dias 18 e 19, a programação chegou aos bairros Coroado, Redenção e Monte das Oliveiras, com oficinas, atividades para crianças, desfile de roupas reutilizadas, bazar de troca, distribuição de mudas, cinema comunitário e roda de conversa sobre justiça climática.
No Beco Del Rei, na área de rip-rap do Igarapé do Gigante, funciona o Rip Arte Reusa, parceiro do festival em diferentes edições e um de seus legados concretos. A partir de demandas apresentadas por moradores em anos anteriores, foi concebido o projeto Restauração Ecológica e Urbanismo Sustentável da Amazônia (REUSA), desenvolvido pela FAS, com frentes de saneamento, recuperação ambiental, incentivo ao empreendedorismo e fortalecimento do protagonismo comunitário.
Para Paula Carramaschi Gabriel, coordenadora da Benevolência e da Virada Sustentável Manaus, a sustentabilidade ganha força quando dialoga com a realidade dos territórios. A edição foi correalizada pela FAS em parceria com a Virada Sustentável Nacional, com produção local da Benevolência e apoio da Bemol e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa.
Festivais desse formato têm impacto de mobilização amplamente reconhecido, mas sua conversão em resultado ambiental mensurável depende de investimento estrutural em saneamento, drenagem, coleta e moradia — precisamente a agenda urbana que costuma ficar em segundo plano no debate ambiental brasileiro. O caso do REUSA é relevante por inverter a sequência habitual: a demanda comunitária apresentada em uma atividade cultural virou projeto de infraestrutura.
Fontes: Fato Amazônico, 27/07/2026; Fundação Amazônia Sustentável (FAS)