Meio Ambiente CLIMA E SAÚDE
Incêndios na Europa expõem efeito pouco discutido da fumaça: o impacto sobre a pele
Dermatologista alerta que partículas ultrafinas geradas pelo fogo aceleram o envelhecimento cutâneo e agravam doenças de pele muito além do perímetro das chamas
27/07/2026 16h47
Por: Redação

 

A temporada de incêndios florestais na Europa Ocidental voltou a produzir evacuações em massa na Espanha e na França neste mês de julho. Em artigo publicado no portal Neo Mondo em 27 de julho, a dermatologista Marcela Baraldi registra que a Espanha declarou estado de emergência nacional por incêndio florestal, com mais de 19 mil pessoas retiradas de áreas a oeste de Madri, enquanto na França o fogo forçou o deslocamento de mais de 60 mil pessoas, incluindo resgates por barco na península de Cap Ferret. Segundo a autora, 114,7 mil hectares arderam em território espanhol em 2026, área muito superior à registrada no mesmo período do ano anterior.

O foco do artigo, porém, está em uma consequência que raramente aparece nos balanços de desastre: o efeito da fumaça sobre a pele.

A fumaça de incêndios florestais carrega material particulado fino (PM2,5), hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, metais pesados e outros compostos tóxicos. Esse material permanece suspenso no ar por dias e percorre grandes distâncias — de modo que populações situadas longe das áreas atingidas também ficam expostas.

O mecanismo descrito é o estresse oxidativo. Quando essas partículas entram em contato com a pele, os radicais livres em excesso lesionam células, sustentam inflamação crônica de baixo grau e aceleram a degradação das fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela firmeza e elasticidade cutâneas. O quadro clínico associado inclui envelhecimento precoce, manchas, ressecamento, aumento de sensibilidade e agravamento de rosácea, dermatite atópica e acne.

A autora conecta o episódio europeu ao contexto climático: os incêndios vieram depois de ondas de calor que ressecaram o solo na Europa Ocidental, e estudos de atribuição da World Weather Attribution associam o aquecimento global a secas mais frequentes e intensas no continente. As queimadas, por sua vez, liberam gases de efeito estufa, reduzem a capacidade das florestas de regular o clima e elevam a concentração de poluentes que entram em contato direto com a população. Uma crise ambiental converte-se, em pouco tempo, em crise de saúde.

A leitura tem tradução direta para o Brasil. A exposição populacional a material particulado de queimadas atinge, todos os anos, milhões de pessoas no Centro-Oeste, no Norte e em capitais distantes dos focos de fogo — reforçando que qualidade do ar é agenda de saúde pública urbana, e não apenas matéria de conservação florestal. Proteção solar, hidratação e tratamento dermatológico permanecem como pilares do cuidado, mas passam a conviver, na avaliação da autora, com uma variável ambiental que o paciente não controla individualmente.

Fontes: Neo Mondo, 27/07/2026 (Dra. Marcela Baraldi); World Weather Attribution.