O Brasil segue entre os países com maior potencial de atração de investimentos do mundo, seja pela dimensão do mercado interno, pela diversidade de recursos naturais ou pela crescente agenda de sustentabilidade. No entanto, gargalos históricos de infraestrutura continuam sendo um dos principais entraves para a chegada de novos aportes produtivos. Na Bahia, estado estratégico do Nordeste, esse desafio é ainda mais sensível, justamente por reunir vocações claras no agro, na indústria, no turismo e nas energias renováveis.
No plano nacional, a precariedade e a insuficiência da infraestrutura logística ainda elevam o chamado “custo Brasil”. Rodovias em más condições, ferrovias pouco integradas, portos com limitações operacionais e gargalos na armazenagem encarecem o escoamento da produção e reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Para investidores, sobretudo os de perfil sustentável e de longo prazo, eficiência logística, previsibilidade e integração entre modais são fatores decisivos na escolha do destino do capital.
Outro ponto central é a infraestrutura energética. Embora o Brasil tenha uma matriz relativamente limpa, ainda existem desafios na expansão e modernização das redes de transmissão e distribuição, especialmente para acompanhar o crescimento de projetos de energia solar e eólica. A segurança do fornecimento, que somente se alcança mesclando fósseis e renováveis, a estabilidade regulatória e a capacidade de conexão ao sistema são condições essenciais para atrair investimentos industriais e tecnológicos alinhados às práticas ESG.
Na Bahia, os desafios ganham contornos próprios. O estado possui enorme potencial logístico, com portos estratégicos, posição geográfica privilegiada e grande extensão territorial. Ainda assim, carece de maior integração entre rodovias, ferrovias e portos, além de investimentos em infraestrutura regional que conectem áreas produtivas do interior aos grandes corredores de exportação. Sem isso, projetos no agro sustentável, na mineração responsável e na bioeconomia enfrentam custos elevados e riscos adicionais.
No turismo, setor-chave para a economia baiana, a infraestrutura urbana e de mobilidade ainda precisa avançar. Aeroportos regionais, saneamento básico, gestão de resíduos, mobilidade urbana e conectividade digital são elementos cada vez mais observados por investidores e operadores internacionais. Destinos que não conseguem garantir serviços básicos e padrões ambientais adequados tendem a perder espaço em um mercado global cada vez mais exigente.
A infraestrutura institucional também pesa. Segurança jurídica, previsibilidade regulatória, eficiência nos licenciamentos e articulação entre os entes federativos são aspectos tão relevantes quanto obras físicas. Investidores buscam ambientes em que projetos possam sair do papel com clareza de regras, prazos razoáveis e respeito às normas ambientais e sociais.
Para o Brasil e para a Bahia, melhorar a infraestrutura não é apenas uma questão de crescimento econômico, mas de posicionamento estratégico. Investir em logística integrada, energia limpa, saneamento, conectividade e governança é condição indispensável para atrair capital qualificado, gerar empregos e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. Sem enfrentar esses desafios, o potencial seguirá evidente, mas subaproveitado.