Meio Ambiente Dano ambiental
Gerdau deixa legado de passivo ambiental oculto em praia de Salvador
Área foi interditada
13/08/2026 11h05
Por: Redação
Reprodução / A Tarde

 

A contaminação da Praia de São Tomé de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador, transformou-se em um dos mais graves casos ambientais da Bahia nos últimos anos. O episódio trouxe à tona um possível passivo ambiental acumulado durante décadas de operação da Gerdau no Terminal Marítimo de Granéis (TMG), vendido pela empresa em 2022. (Vero Notícias⁠)

Laudos técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) identificaram concentrações elevadas de cobre, nitrato, nitrito e compostos nitrogenados na água, nos sedimentos e em organismos marinhos da região. As análises apontam que a contaminação já provocou a morte de espécies marinhas e levou à adoção de restrições para atividades de pesca e banho na área. (VEJA⁠)

Em junho deste ano, o Inema aplicou uma multa de R$ 50 milhões à siderúrgica. O órgão ambiental sustenta que a empresa realizou intervenções destinadas a mitigar os danos ambientais sem a autorização necessária, durante o processo de transferência do ativo para a empresa sucessora. (VEJA⁠)

A defesa da Gerdau reconhece a existência histórica de contaminação por cobre no local, mas argumenta que a responsabilidade atual pertence à Intermarítima, empresa que adquiriu o terminal e que, segundo a siderúrgica, tinha conhecimento prévio da situação ambiental da área. A companhia afirma que estudos realizados pela consultoria Arcadis, em 2021, já identificavam a presença dos contaminantes antes da conclusão da negociação. (VEJA⁠)

O caso levanta um debate importante sobre a transferência de empreendimentos potencialmente poluidores. A mudança de propriedade não elimina, automaticamente, a necessidade de identificar responsabilidades relacionadas aos danos ambientais acumulados ao longo do tempo.

Outro aspecto que chama a atenção é a ausência de informações específicas sobre o caso de Salvador nos relatórios financeiros mais recentes da empresa. Embora a Gerdau tenha elevado suas provisões ambientais para R$ 659 milhões, os documentos divulgados ao mercado não detalham a destinação dos recursos nem identificam quais unidades estão incluídas nesse montante. (Times Brasil | CNBC⁠)

Especialistas em direito ambiental lembram que o conceito de passivo ambiental não está relacionado apenas à existência da contaminação, mas também ao dever de recuperação da área degradada e à reparação dos danos causados às comunidades afetadas.

Enquanto a disputa entre as empresas avança na esfera administrativa e pode chegar aos tribunais, milhares de moradores da região continuam convivendo com as consequências da degradação ambiental. O caso de São Tomé de Paripe tornou-se um símbolo da necessidade de maior transparência na gestão de áreas industriais e da importância de mecanismos mais rigorosos para a identificação e a divulgação de passivos ambientais antes da transferência de ativos empresariais. (Times Brasil | CNBC⁠)