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Conheça áreas de risco em Salvador
Áreas com risco de deslizamento em Salvador são quase quatro vezes maiores que o Parque da Cidade
17/08/2026 09h34
Por: Redação
GAER / Divulgação / Redes sociais / Ascom
 

Levantamento realizado a partir da Plataforma Natureza ON revela que 260 hectares da capital baiana correm algum risco de deslizamento de terra. Com ecnologia Google Cloud, a ferramenta gratuita também localiza quais áreas estão ameaçadas por inundações e desabastecimento de água.  Tecnologia indica Soluções Baseadas na Natureza (SBN) para a adaptação da capital baiana às mudanças climáticas, como a criação de lagos pluviais, corredores ecológicos, parques lineares, além da restauração da encosta e do entorno de mananciais

No município de Salvador, 260 hectares espalhados em diferentes localidades apresentam algum risco de deslizamento de terra, área equivalente a quase quatro Parques da Cidade Joventino Silva. Os dados integram a Plataforma Natureza ON, serviço gratuito desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário, em parceria com o MapBiomas e tecnologia Google Cloud.

 

A ferramenta digital combina mapas, dados públicos e estatísticas oficiais para identificar riscos associados a eventos climáticos extremos, como inundações, desabastecimento e solos instáveis. Além de apontar as áreas vulneráveis, a plataforma também indica alternativas sustentáveis para reduzir impactos, usando a própria natureza como solução.

 

As áreas são classificadas conforme sua vulnerabilidade. Dos 260 hectares com vulnerabilidade identificados pela ferramenta, 57,72% (150,72 hectares) estão classificados como muito alto, 4,31% (11,25 hectares) como alto risco e 37,97% (99,04 hectares) como risco médio.

 

De acordo com os dados, os locais que concentram mais áreas de risco alto e muito alto de deslizamento são a Avenida Engenheiro Oscar Pontes, o cruzamento das avenidas Aliomar Baleeiro com a 29 de Maio, além da Rua Nossa Senhora de Lourdes, em morro localizado na região conhecida como “Rio do Meio”.

 

A instabilidade no solo é maior em períodos de chuvas, que são mais frequentes entre abril e agosto. Em maio do ano passado, por exemplo, moradores de seis comunidades tiveram de deixar suas casas por conta do risco de deslizamento de terra. Na ocasião, o solo foi encharcado em razão de chuvas intensas que estavam acima da média prevista para o mês.

 

“A adaptação das cidades às mudanças climáticas exige um novo olhar para a natureza. O clima está mudando e se tornando imprevisível, com fenômenos naturais mais intensos ou alterando sua frequência, provocando tempo seco em estações mais úmidas e vice-versa”, diz o engenheiro florestal André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário. “É necessário fazer frente a esse novo cenário e ir além das obras de engenharia convencionais para garantir que todos os moradores soteropolitanos tenham acesso à água e segurança dentro de seu lar”, completa.

 

Para áreas com risco de deslizamento, a Plataforma Natureza ON sugere a restauração de encostas, que consiste em fazer intervenções no solo e nas rochas. A medida também visa a estabilização do terreno ao mitigar a erosão e sedimentação, reduzindo os deslizamentos e regulando o fluxo das águas da chuva.

 

Sobre riscos de inundações, enchentes e alagamentos

A plataforma aponta que o município de Salvador possui 26,31 hectares com risco de enchente, inundação ou alagamento, o equivalente a cerca de 36 campos de futebol da Arena Fonte Nova. Desse indicador, 9,57 hectares de áreas têm risco muito alto, outros 8,20 hectares apresentam risco alto e 8,54 hectares registram grau moderado.

 

Um dos locais que mais concentram pontos de risco de inundação é a região próxima do aeroporto de Salvador, concentrando ao menos três focos (conforme imagem abaixo).

A principal aposta para reduzir a ameaça de inundação é a criação de lagos pluviais ou bacias de retenção, que são espaços que armazenam e retardam o escoamento da água. O objetivo dessas estruturas é mitigar os picos de vazão de água, evitando alagamentos.

 

 

Abastecimento de água

O município de Salvador não possui local que ofereça alta ou máxima segurança hídrica. Segundo a plataforma, 27.581,36 hectares de área da cidade possuem riscos médio, baixo e mínimo de segurança hídrica. “O resultado indica que a falta de água é uma preocupação constante dos moradores. Além disso, a alta temporada sobrecarrega o serviço de distribuição, gerando aumento expressivo de demanda por água”, reforça o engenheiro florestal.

 

As recomendações apresentadas pela ferramenta digital para que o município garanta melhor segurança hídrica passam pela restauração no entorno dos mananciais, que são estratégias para recuperar áreas degradadas e a preservação das fontes que abastecem a cidade. Exemplo disso é o Movimento Viva Água, recém chegado às bacias dos rios Joanes e Jacuípe, que integra atores de diferentes setores da sociedade para conservar e restaurar mananciais das bacias.

 

Outras sugestões são a criação de mais corredores ecológicos, de parques lineares e de praças multifuncionais, sendo que esse último item corresponde à oferta de espaços que combinam elementos diversos de lazer, arborização e conservação ambiental.

 

Sobre a Plataforma Natureza ON

A Natureza ON é uma plataforma digital gratuita que reúne mapas, dados públicos e análises técnicas para identificar riscos climáticos nas cidades brasileiras, como inundações, deslizamentos de terra e problemas relacionados à segurança hídrica. A ferramenta também apresenta Soluções Baseadas na Natureza para ajudar municípios e a sociedade a reduzir impactos e se adaptar às mudanças climáticas.

 

As Soluções Baseadas na Natureza (SBN)

Soluções Baseadas na Natureza são estratégias que utilizam processos naturais e ecossistemas para enfrentar desafios urbanos e climáticos. Exemplos incluem restauração de áreas verdes, parques lineares, jardins de chuva, arborização urbana e recuperação de encostas. Além de reduzir riscos como enchentes e deslizamentos, essas soluções melhoram a qualidade de vida, ampliam áreas de lazer e fortalecem a biodiversidade.