Educação ambiental
Também na mesma bacia hidrográfica, a produtora Alexandra Leschnhak ampliou o uso das SBN ao integrar produção rural, turismo e educação ambiental. No Rancho Caminho das Águas, estudantes participam de vivências que incluem trilhas ecológicas, plantio de mudas, compostagem, atividades em biofábrica, manejo do solo, visita ao pomar com abelhas sem ferrão, educação sobre fontes de energia renovável, alimentação saudável e contato direto com rios e ecossistemas naturais.
Segundo Alexandra, a própria estrutura do rancho foi pensada como uma aplicação prática das soluções baseadas na natureza. “A biofábrica, o pomar com abelhas nativas e o manejo do solo são ferramentas educativas naturais. Elas preservam os recursos da propriedade enquanto ensinam educação ambiental”, explica. Além do impacto pedagógico, as práticas fortalecem a sustentabilidade econômica do empreendimento. “Essas práticas reduzem custos de produção e reforçam nosso propósito de uma produção orgânica e sustentável”, afirma. Nas atividades com os estudantes, a proposta é aproximar ciência, natureza e cotidiano rural. “Mostramos aos alunos que muitas respostas para os desafios humanos já existem na natureza”, completa.
Agroecologia
Em Estreito, bairro rural do município de Cachoeiras de Macacu (RJ), o agricultor orgânico José Ataídbambiental aplica práticas agroecológicas há décadas — mesmo antes de conhecer o conceito formal de SBN. Ao longo dos anos, ele estruturou a produção com foco na regeneração ambiental e na estabilidade produtiva da propriedade.
Entre as práticas adotadas estão a manutenção do solo permanentemente coberto com adubação verde, o plantio direto, a diversificação de culturas, a criação de corredores agroecológicos, a recuperação de áreas de preservação permanente e o uso de bioinsumos produzidos na própria fazenda. “O foco principal é recuperar o solo, que foi muito explorado no passado”, explica.
Os resultados aparecem tanto na qualidade ambiental quanto na produção agrícola. O solo apresentou melhorias químicas e biológicas, a biodiversidade aumentou e a propriedade passou a cultivar alimentos pouco comuns na região, como soja, edamame e pepino japonês, ampliando oportunidades de mercado.
A resiliência climática também foi um ganho para a propriedade. Durante uma chuva extrema registrada em outubro de 2023 — quando caíram 161 milímetros em apenas quatro horas —, áreas vizinhas enfrentaram deslizamentos e alagamentos, enquanto o sítio permaneceu preservado. “As práticas tornam a produção mais previsível e menos vulnerável ao clima”, relata o agricultor.
Movimento Viva Água
As propriedades localizadas no Paraná e no Rio de Janeiro integram o Movimento Viva Água, iniciativa idealizada pela Fundação Grupo Boticário que articula proprietários rurais, poder público e setor privado em ações voltadas à segurança hídrica, à conservação de bacias hidrográficas estratégicas e à adaptação climática. Criado em 2019, o movimento atua na Bacia do Rio Miringuava (PR), na Região Hidrográfica da Baía de Guanabara (RJ), nas bacias dos rios Joanes e Jacuípe (BA) e no Sistema Cantareira (divisa de SP e MG).
Sobre a Fundação Grupo Boticário
Com 35 anos de história, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para conservar o patrimônio natural brasileiro. Com foco na adaptação da sociedade às mudanças climáticas, especialmente em relação à segurança hídrica e à proteção costeira, a instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada em todos os setores. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, considera que a natureza é a base para o desenvolvimento social e econômico do país. Sem fins lucrativos e mantida pelo Grupo Boticário, a Fundação Grupo Boticário contribui para que diferentes atores estejam mobilizados em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou mais de 1.800 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas reservas naturais de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil pelo desmatamento –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A instituição é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador e presidente do Conselho do Grupo Boticário, criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial. | www.fundacaogrupoboticario.org.br | @fundacaogrupoboticario (Instagram, Facebook, LinkedIn, Youtube, TikTok).