| Antes de chegar ao chão ou à parede de uma casa, um revestimento cerâmico percorre um longo caminho. Há calor, água, energia, matérias-primas, transporte e uma série de processos que não aparecem quando olhamos apenas para o produto pronto. É nessa parte invisível da cadeia que estão alguns dos maiores desafios e também as maiores oportunidades para tornar a indústria mais sustentável.
Nos últimos anos, o Grupo LAMOSA no Brasil, à frente das marcas Roca Cerámica e Incepa, vem trabalhando justamente nessa frente: transformar tecnologia em eficiência e eficiência em menor impacto ambiental. Em 2025, uma das iniciativas de reaproveitamento energético da companhia economizou aproximadamente 42 mil GJ (gigajoule) de energia. Traduzido para uma medida mais próxima do nosso cotidiano, o volume seria suficiente para manter mais de 247 mil fogões de cinco bocas funcionando continuamente.
O resultado faz parte de uma trajetória que começou a ganhar estrutura em 2018, quando surgiram os primeiros questionamentos sobre como aprofundar e organizar as iniciativas ambientais que já existiam na empresa. Em 2019, foi realizado o primeiro diagnóstico da operação, dando origem ao trabalho que resultaria no primeiro relatório de sustentabilidade, publicado em 2020.
“Sempre existiu dentro da empresa o desejo de ser sustentável e uma preocupação genuína com o meio ambiente. O que faltava, em um primeiro momento, era estruturar isso de forma estratégica, com pesquisa, coleta de dados e mensuração. Quando começamos a medir, conseguimos entender onde estavam os impactos e estabelecer caminhos concretos para reduzi-los”, afirma Sergio Wuaden, Managing Director do Grupo LAMOSA no Brasil.
Quando sustentabilidade passa a ser medida | |
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| A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma das principais ferramentas técnicas do Grupo LAMOSA no Brasil usada para avaliar os impactos ambientais de seus produtos. Implantada inicialmente em 2020 em apenas uma de suas unidades de Campo Largo, a ACV foi posteriormente ampliada para outras linhas e unidades produtivas da empresa. Os resultados desse primeiro estudo foram determinantes para a identificação de oportunidades de redução de impactos, subsidiando, entre outras iniciativas, a decisão de substituição do coque de petróleo por biomassa como fonte de energia térmica nas operações da companhia, implementada em 2021 em todas as unidades | Foto: Rodolfo Bührer | |
| A partir do diagnóstico, a sustentabilidade passou a ser acompanhada por indicadores e análises que permitem identificar os principais impactos da operação e direcionar estratégias de redução.
O trabalho conta com a consultoria de Sami Meira, sócia da UGREEN, responsável pela realização dos diagnósticos e pelo desenvolvimento dos relatórios de sustentabilidade do Grupo LAMOSA no Brasil.
“O diagnóstico é importante porque permite transformar uma percepção em informação. Quando sabemos onde estão os impactos mais relevantes, conseguimos estabelecer prioridades, acompanhar a evolução dos indicadores e tomar decisões mais assertivas”, explica Sami Meira.
A empresa usa a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) desde 2020, considerando uma abordagem que acompanha o produto desde a extração das matérias-primas até a saída da fábrica. Em 2025, também ampliou o mapeamento de seu inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE), seguindo a metodologia do Programa GHG (Greenhouse Gas Protocol).
Menos combustível fóssil, menos emissões | |
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| A transição para uma matriz energética mais eficiente e de menor intensidade de carbono contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas e para o desenvolvimento sustentável do setor cerâmico | Foto: Rodolfo Bührer | |
| A descarbonização é uma das principais frentes dessa estratégia. Desde 2021, o Grupo LAMOSA no Brasil utiliza biomassa em substituição ao coque de petróleo nas fornalhas dos atomizadores.
A biomassa é composta por pallets e briquetes de madeira de pinus, produzidos a partir de resíduos da indústria madeireira, como serragem e maravalha. Assim, resíduos de uma cadeia produtiva ganham uma nova função como fonte de energia para a fabricação de revestimentos cerâmicos.
A substituição dos combustíveis fósseis contribuiu para uma redução de aproximadamente 33% nas emissões de Gases de Efeito Estufa associadas a esse tipo de combustível. | |
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| De acordo com o Managing Director do Grupo LAMOSA no Brasil, Sergio Wuaden, a empresa é pioneira e referência nacional no desenvolvimento de iniciativas sustentáveis tanto no setor cerâmico quanto na construção civil como um todo | Foto: Rodolfo Bührer | |
| A estratégia energética inclui ainda o reaproveitamento do calor gerado pelos fornos em outras etapas do processo. Em 2025, essa medida representou a economia de aproximadamente 42 mil GJ (gigajoule) de energia, equivalente ao consumo contínuo de mais de 247 mil fogões de cinco bocas, evitando a emissão de mais de 2.178 toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e). Para fins comparativos, esse volume corresponde a mais de 10.000 viagens de ida e volta entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro em veículo leve.
No mesmo ano, o consumo total de energia da organização caiu 4,3% em relação a 2024, enquanto a intensidade energética apresentou redução de 13%.
“Produzimos com o que há de mais moderno no mundo. Para nós, tecnologia e consciência ambiental precisam caminhar juntas. A empresa tem o papel de ser um catalisador de tecnologia, buscando soluções que tornem o processo produtivo cada vez mais eficiente e responsável”, afirma Wuaden.
Uma pegada de carbono inferior às referências europeias | |
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| Com a adoção do Protocolo GHG (Greenhouse Gas Protocol), o Grupo LAMOSA no Brasil passou a mensurar suas emissões de gases de efeito estufa com maior precisão, ampliando a transparência dos indicadores ambientais e orientando estratégias de redução | Foto: Rodolfo Bührer | |
| A empresa também ampliou o mapeamento de seu inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE), elaborado de acordo com a metodologia do Programa GHG Protocol. O levantamento considera emissões diretas, emissões indiretas relacionadas à aquisição de energia e outras emissões relevantes ao longo da cadeia de valor, incluindo transporte e distribuição, resíduos, viagens a negócios e deslocamentos casa-trabalho.
A título de comparação, segundo o inventário referente a 2024 o Grupo LAMOSA no Brasil registrou 4,55 kgCO₂e/m² (quilogramas de dióxido de carbono equivalente por metro quadrado) de pegada de carbono. O índice fica abaixo dos valores apresentados como referência para Itália, de 5,00 kgCO₂e/m², e Espanha, de 5,50 kgCO₂e/m².
Para acompanhar essa evolução, a empresa ampliou em 2025 o inventário de GEE, passando a considerar também emissões indiretas relevantes ao longo da cadeia de valor, como transporte e distribuição dos produtos, resíduos gerados nas operações, viagens a negócios e deslocamentos casa-trabalho.
“Mapear essas informações fortalece a transparência ambiental e permite desenvolver estratégias eficazes para reduzir impactos, otimizar recursos e direcionar investimentos para soluções sustentáveis”, afirma Sami.
Resíduos que ganham uma segunda vida | |
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| De acordo com o Grupo LAMOSA no Brasil, tanto quebras cruas, quanto as queimadas, são reaproveitadas dentro do processo produtivo | Foto: Rodolfo Bührer
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| A lógica de reaproveitamento também se estende aos resíduos. Quebras cruas são reincorporadas ao processo produtivo, assim como pó de retífica e lodo proveniente do tratamento de efluentes. Em Campo Largo, houve ainda a ampliação do uso de quebras queimadas.
Em 2025, 99,6% dos resíduos gerados nas unidades de Campo Largo e São Mateus do Sul foram destinados à reciclagem, reuso ou outras formas de valorização — avanço em relação aos 92,5% registrados em 2023. | |
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| Em parceria com a Uniformes do Bem, entidade especializada na logística reversa de resíduos para a criação de novos itens, a ação do Grupo LAMOSA no Brasil visa destinar uniformes e EPIs para a reciclagem e a produção de cobertores, bancos, comedouros para animais domésticos | Foto: Divulgação | |
| No mesmo ano, o Grupo LAMOSA iniciou uma parceria com a Uniformes do Bem para reciclagem de EPIs, uniformes, borrachas e outros materiais poliméricos. Aproximadamente 2,5 toneladas de resíduos foram coletadas e recicladas no período, retornando à cadeia produtiva como matéria-prima para novos produtos.
A logística reversa das embalagens também integra a estratégia. No ciclo de 2024, foram compensadas mais de 214 toneladas de embalagens, com estimativa de evitar a emissão de mais de 320 toneladas de CO₂ equivalente.
Eficiência que se estende à água | |
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| A busca por eficiência também está presente no desenvolvimento dos produtos. A tecnologia empregada nos SuperFormatos da Roca Cerámica e da Incepa permite produzir porcelanatos de 7 mm de espessura e alta resistência mecânica. Por serem mais leves, os revestimentos possibilitam transportar uma quantidade maior de produto por caminhão, reduzindo o número de viagens e os impactos associados à logística | Foto: Rodolfo Bührer | |
| A gestão da água completa esse conjunto de iniciativas. Em 2025, o volume total de água captada nas unidades de Campo Largo e São Mateus do Sul caiu 10,3% em relação ao ano anterior. A redução representa um volume equivalente a mais de 125 mil banhos.
Excelência reconhecida internacionalmente
A atuação ambiental também se soma à busca por conformidade técnica internacional do Grupo LAMOSA no Brasil, que, em 2025, conquistou o SASO Quality Mark, certificação relacionada ao atendimento dos requisitos estabelecidos pela Arábia Saudita para produtos comercializados no país, na qual os indicadores sustentáveis da empresa foram de grande relevância para a conquista do selo.
Concedida pela Saudi Standards, Metrology and Quality Organization (SASO), a certificação atesta que o produto atende às normas e aos regulamentos técnicos sauditas e que o fabricante possui um sistema de gestão capaz de garantir essa conformidade, mantendo padrões de qualidade e desempenho compatíveis com exigências internacionais. |