Coluna Verde Dólar Coluna verde dólar
Boulos Verde Dólar
Por Anitilda Dicabra, filósofa cinza
26/09/2026 23h59
Por: Redação

A Coluna Verde Dólar é escrita aos domingos pela filósofa cinza Anitilda Dicabra, para a sustentabilidade crítica, trazendo um humor ácido sobre fatos (irreais) que (des)mascaram os (in)sustentáveis.

Guilherme Boulos, o eterno militante das ocupações que virou ministro da Secretaria-Geral, descobriu o verde. Não o verde das ocupações de terreno baldio, nem o verde das cozinhas solidárias que distribuíam marmitas. Não. O verde de verdade: o verde-dólar do carbono.

Na COP30, em Belém, o homem que um dia gritava contra o capital agora cobra: “O dinheiro do carbono não pode ir só para multinacionais!” Que lindo. Que justo. Que… conveniente. Porque o fundo TFFF (Tropical Forests Forever Fund) já promete bilhões de dólares (olha o dólar aí, gente) de Noruega, França e companhia. E Boulos, de repente, vira o guardião dos catadores e dos povos da floresta.

Mas espera: o mesmo Boulos que defendeu o Green New Deal em 2021, prometendo empregos verdes e transição justa, agora está no governo que ainda depende de petróleo, soja e minério para pagar a conta. O mesmo que, quando o dólar subia, chamava de “chantagem da Faria Lima”. Quando caiu, comemorou como vitória popular. Verde ou dólar? Depende do dia e da cotação.

E não se esqueçam dos clássicos: os protestos com pneus queimados bloqueando avenidas, o cheiro de borracha queimada misturado ao discurso de justiça climática, as depredações de patrimônio público e privado que, segundo a narrativa oficial, eram “expressões legítimas da luta”. Enquanto o ministro fala em carbono e fundos internacionais, a memória coletiva ainda guarda as cenas de fumaça preta, ônibus apedrejados, lojas depredadas e o caos urbano transformado em performance política. Sustentabilidade? Só se for a do asfalto derretido e do pneu em chamas.

Imagine a cena: Boulos, de colete verde (o de verdade, não o de ocupação), discursando na Zona Verde da COP enquanto jatos particulares pousam em Belém carregando delegações que “lutam pelo clima”. O ministro fala em justiça climática. Os investidores falam em retorno. Os catadores… esperam o dinheiro chegar. Porque, como diz a filósofa cinza: o verde só vira real quando vira dólar. E os pneus queimados? Esses, ao menos, eram 100% nacionais e emitiam carbono de forma bem democrática.

E o MTST? Continua ocupando. Mas agora com selo ESG? Ou será que a próxima ocupação será de um fundo de crédito de carbono? “Ocupe o carbono, companheiro!” – gritaria o líder, enquanto o mercado de offsets fatura em dólares bem verdinhos. E, se a coisa apertar, sempre dá para reacender uns pneus na marginal e transformar a depredação em “ato de resistência climática”.

Boulos Verde Dólar: o homem que transformou a luta de classes em luta de classes de carbono. Onde o pobre continua pobre, o rico continua rico, e o meio do caminho fica com a fatia do fundo internacional. Sustentabilidade sem alarmismo? Não. Sustentabilidade com calculadora — e, de preferência, com um pneu queimando ao fundo para dar o tom autêntico da “mobilização popular”.

No fim, o único verde que realmente importa é o da nota de dólar. O resto é discurso para a plateia da Zona Verde… ou fumaça preta na avenida.

Anitilda Dicabra
Filósofa cinza

A Coluna Verde Dólar é satírica e escrita aos domingos pela filosofa cinza Anitilda Dicabra, para o Sustentabilidade em Pauta, trazendo um humor ácido sobre fatos (irreais) que (des) mascaram os (in) sustentáveis.