Redação Sustentabilidade em Pauta · Salvador, 4 de outubro de 2026
As urnas deste domingo (4) renovaram dois terços do Senado Federal: 54 das 81 cadeiras estavam em disputa, duas por estado e pelo Distrito Federal. O resultado desloca a Casa para a direita. Das 54 vagas, 43 ficaram com candidatos de partidos classificados como de direita ou centro-direita e 11 com nomes da esquerda, o equivalente a 79,6% contra 20,4%, segundo levantamento publicado pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.
O critério da coluna é amplo: inclui no campo da direita, além de PL, PP, Republicanos, União e Novo, as legendas tradicionalmente identificadas com o centro, como MDB, PSD, PSDB e Podemos. A esquerda reúne PT, PSB, PDT e Rede. Trata-se, como a própria coluna registra, de classificação editorial, sem correspondência com qualquer divisão oficial da Justiça Eleitoral.
O retrato das urnas
O PL foi o partido que mais elegeu: 20 dos 54 novos senadores, distribuídos por 15 unidades da Federação e com as duas vagas em Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. O MDB vem em seguida, com sete eleitos, e o PT, com seis. Entre os nomes do PL estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (DF), Carlos Bolsonaro e Carol De Toni (SC) e Gustavo Gayer (GO). O Novo elegeu três senadores: Lahesio Bonfim (MA), Deltan Dallagnol (PR) e Marcel van Hattem (RS).
Somados aos 27 senadores eleitos em 2022, cujos mandatos seguem até janeiro de 2031, os novos eleitos formam a composição que toma posse em 1º de fevereiro de 2027:
| Partido | Eleitos em 2026 | Bancada em 2027 | Bloco (critério SEP) |
| PL | 20 | 29 | Direita |
| PT | 6 | 9 | Esquerda |
| MDB | 7 | 8 | Centro |
| PP | 3 | 6 | Direita |
| Republicanos | 2 | 6 | Direita |
| PSD | 2 | 5 | Centro |
| União Brasil | 2 | 4 | Direita |
| PSB | 3 | 4 | Esquerda |
| Novo | 3 | 3 | Direita |
| PSDB | 2 | 2 | Centro |
| Podemos | 2 | 2 | Centro |
| PDT | 1 | 1 | Esquerda |
| Rede | 1 | 1 | Esquerda |
| Sem partido | — | 1 | — |
| Total | 54 | 81 |
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Fonte: listas de eleitos divulgadas pela imprensa em 4/10/2026 e dados do Senado sobre os mandatos até 2031. Sujeito à totalização e à diplomação pelo TSE.
A mudança mais expressiva é a do PL, que tinha 15 senadores no início do ano e praticamente dobra a bancada. No sentido oposto, o PSD, que chegou a ser o maior partido da legislatura, com 14 cadeiras, cai para cinco.
Duas leituras da mesma conta
O peso real da direita depende de onde se colocam MDB e PSD. Pelo critério amplo da coluna de O Globo, o campo da direita e da centro-direita alcança 65 das 81 cadeiras. Pelo critério adotado pelo Sustentabilidade em Pauta em seu card sobre a nova composição, que separa um bloco de centro, o quadro fica assim: 48 senadores de direita (PL, PP, Republicanos, União e Novo), 17 de centro (MDB, PSD, PSDB e Podemos), 15 de esquerda (PT, PSB, PDT e Rede) e um sem partido.
A diferença não é retórica. Ela muda o que a maioria pode fazer sozinha. A Constituição exige maioria absoluta, 41 votos, para aprovar a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (art. 101, parágrafo único); três quintos, 49 votos, para aprovar proposta de emenda constitucional em cada turno (art. 60, § 2º); e dois terços, 54 votos, para condenar autoridades em processo por crime de responsabilidade, inclusive ministros do STF (art. 52, parágrafo único). No critério restrito, a direita supera a maioria absoluta, mas fica a um voto do quórum de PEC. No critério amplo, superaria todos os patamares, desde que o centro votasse em bloco.
Ponto e contraponto
Ponto. A nova bancada dá à direita base suficiente para disputar com vantagem a eleição da Mesa Diretora em fevereiro de 2027, a presidência de comissões estratégicas, como a CCJ, e o ritmo das sabatinas de autoridades. Com o PL isolado como maior partido, a oposição ao atual governo deixa de depender de alianças pontuais para pautar a Casa.
Contraponto. O Senado tem histórico de baixa disciplina partidária, e MDB e PSD costumam negociar com governos de diferentes orientações. O alinhamento do centro dependerá, em boa medida, do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Há ainda a possibilidade de migrações: no julgamento da ADI 5.081, em 2015, o STF afastou a perda de mandato por infidelidade partidária nos cargos eleitos pelo sistema majoritário, o que inclui os senadores. Bancadas definidas nas urnas, portanto, podem mudar antes mesmo da posse.
A Bahia na nova composição
Na Bahia, os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, ficaram com as duas vagas em disputa. Eles se somam a Otto Alencar (PSD), eleito em 2022, com mandato até 2031.