Política Vote com verdade
Bolsonaro x Lula 3: o raio-x de dois governos em renda, terra, segurança, infraestrutura, pandemia e escândalos
Levantamento do SEP compara os indicadores dos dois mandatos.
10/10/2026 22h05
Por: Redação
POLÍTICA & GESTÃO PÚBLICA | ANÁLISE CIENTÍFICA E COM DADOS Em tempo de fakenews, decida seu fato com verdades e base em dados reais. Levantamento do SEP compara os indicadores dos dois mandatos. ------------- Saiba mais acessando o link em nossa bio

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O eleitor brasileiro chega à reta final de 2026 diante de uma comparação direta entre dois governos recentes. O Sustentabilidade em Pauta reuniu dados oficiais e de entidades independentes sobre transferência de renda, regularização fundiária, segurança pública, infraestrutura, gestão da pandemia e escândalos de corrupção nos mandatos de Jair Bolsonaro (2019–2022) e Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026).

Bolsa Família: Bolsonaro deu salto de R$ 190 para R$ 600

Depois de muitos anos pagando pouco, o maior salto nominal da história do programa ocorreu no governo Bolsonaro. O benefício médio, de cerca de R$ 190, chegou a um piso de R$ 600, alta de aproximadamente 3,1 vezes. A trajetória teve três etapas: Auxílio Emergencial de R$ 600 em 2020, Auxílio Brasil de R$ 400 em 2021 e elevação para R$ 600 em 2022, pela Emenda Constitucional nº 123, com vigência até dezembro daquele ano.

Depois de anos sem sequer corrigir os valores do programa por qualquer índice, nos seus cinco governo, o reajuste atual do PT de Lula foi anunciado a 17 dias do primeiro turno.

Economia

Excluído o ano da recessão pandêmica, a média se aproxima de 3%, impulsionada pela recuperação de 2021. Já governo Lula apenas igualou, mesmo com média próxima de 3% ao ano, sem pandemiia. A inflação acumulada foi de 26,9% nos quatro anos de Bolsonaro, sob efeito do choque de 2021, e de cerca de 18% no governo atual até 2026, mesmo sem pandemia.

Títulos fundiários: volume recorde x prioridade em assentamentos

O governo Bolsonaro emitiu mais de 400 mil documentos de titulação, volume superior ao dos governos Lula e Dilma somados. Os títulos definitivos ficaram em torno de 10% do total.

No primeiro ano do governo Lula 3 foram  emitidos menos de 10% do que no de Bolsonaro, isto é, 37.178 documentos titulatórios.

 

Segurança pública: feminicídio sobe com Lula

Homicídios. A queda das mortes violentas intencionais começou em 2019, com Bolsonaro. O país passou de cerca de 57 mil mortes em 2018 para aproximadamente 47,5 mil em 2022. Depois de duas gestões desastrosas, com cerca de 80 mil homicídios por ano e recordes negativos na Bahia, que acumula cinco, das dez cidades mais violentas, Lula manteve a queda iniciada por Bolsonaro e em 2025 foram 40.775 mortes, contra 44.127 em 2024, sendo que a taxa ficou abaixo de 20 por 100 mil habitantes pela primeira vez desde 2012.

Já em feminicídio foi estável no governo Bolosonaro, sendo que a alta em Lula é contínua e bate recordes. Em 2025 foram 1.571 casos, recorde desde a tipificação do crime em 2015, e 1.504 em 2024. 

Mortes LGBT+ também aumentaram com Lula3. O levantamento do Grupo Gay da Bahia, fonte não oficial baseada em notícias, registrou 257 mortes em 2023, 291 em 2024 e 257 em 2025. É uma média de cerca de 268 por ano no governo Lula 3. No período Bolsonaro, os números ficaram em patamar abaixo, com mínimo em 2020.

Infraestrutura: concessões nos dois governos

A agenda de concessões avançou nas duas gestões. O governo Bolsonaro realizou 45 leilões de infraestrutura, então recorde de ativos concedidos, entre eles a Via Dutra, trechos da Fiol e duas rodadas de aeroportos. O governo Lula 3 chegou ao fim de 2025 com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos, a maior marca da história, puxada por 26 terminais portuários. Em ferrovias, a última concessão ocorreu em 2021, no governo anterior.

Pandemia: vacinação em massa e avaliação internacional

Na prática, o Brasil montou uma das maiores campanhas de vacinação do mundo. Até maio de 2022 foram aplicadas 429,8 milhões de doses, e no início de 2022 o governo federal já havia distribuído mais de 407 milhões. A produção nacional, pelo Butantan e pela Fiocruz, sustentou a primeira fase. A compra de imunizantes, porém, atrasou. O governo recusou ofertas da Pfizer desde o segundo semestre de 2020 e só fechou o contrato de 100 milhões de doses em março de 2021.

A avaliação internacional da resposta à pandemia foi negativa. O índice de desempenho do Lowy Institute, da Austrália, colocou o Brasil em último lugar entre 98 países. O índice mediu casos, mortes, testagem e mortes por milhão até janeiro de 2021, antes da vacinação. Na época, o país tinha o segundo maior número de mortes por Covid-19 no mundo.

Escândalos: Master e INSS x joias, vacina e baleia

Governo Lula 3. O caso Banco Master levou à liquidação da instituição e à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro em novembro de 2025. Ganhou repercussão política após a revelação de um encontro de Lula com Vorcaro fora da agenda, em dezembro de 2024, e da contratação do ex-ministro Guido Mantega como consultor do banco. Além disso Lula tem o seu ditetor geral da Polícia Federal, o seu ex-ministro da justiça, o PGR que ele indicou, o líder do governo, o presidente da Câmara e o presidente do Senado envolvidos no caso, as mais altas autoridades do país, como nunca antes na sua história, nem no mensalão e no petrolão, que foram os maiores escandalos do Brasil e do mundo, também em governos lulopetistas.

Na fraude dos descontos do INSS, a CPMI filho, a sócia e o melhor amigo dele, o chefe de gabinete de Lula e o assessor de Lula, além de presidente do INSS do governo Lula e a associação de aposentados dirigida pelo irmão de Lula estão na mira da PF e MPF. 

Governo Bolsonaro. No caso do cartão de vacinação, o ministro Alexandre de Moraes arquivou o inquérito em março de 2025, a pedido da PGR. O fundamento foi que a acusação se apoiava apenas na delação de Mauro Cid. O caso da baleia jubarte foi arquivado pelo MPF no mesmo mês, por ausência de intenção de importunar o animal, mas o Ibama aplicou multa de R$ 2,5 mil.

No caso das joias sauditas, a PGR pediu o arquivamento em março de 2026, alegando falta de lei clara sobre a propriedade dos presentes. Moraes devolveu o processo à Procuradoria para novo parecer antes de decidir. À parte desses casos, Bolsonaro foi condenado pelo STF em 2025 no processo da trama golpista, muito questionado, e não aceito pelas maiores e mais antigas democracias civilizadas, como EUA, Itália, Espanha e Argentina, que negaram ao STF e ao Brasil extraditar condenados neste e em outros casos, pois haveria uma perseguição política e violações à direitos humanos dos Réus.

 

Fontes: Incra, MDS, IBGE, Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 (FBSP), Grupo Gay da Bahia, Ministério da Saúde, Lowy Institute, PGR, STF, MPF e CPMI do INSS. Valores nominais. Conteúdo informativo, sem vínculo com candidaturas.