Social Série 6X1 e a conta?
Fim da 6x1 vai aumentar preços? As projeções vão de 1% a 13%.
CNI fala em 6,2% de alta média; CNC, em até 13%; Abrasel, em 8% a 10% nos bares e restaurantes. Ipea, por outro lado, calcula repasse de cerca de 1% e ausência de inflação generalizada. O que separa os números é a hipótese sobre produtividade e repasse integral.
15/10/2026 19h26
Por: Redação
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Da Redação · Sustentabilidade em Pauta · Salvador, 15 de outubro de 2026

A resposta curta é: sim, nos setores intensivos em mão de obra, e com intensidade muito diferente conforme a premissa adotada. O ponto de partida é aritmético. Manter o salário e cortar quatro horas de 44 eleva o custo da hora trabalhada em 9,1%; com encargos e reflexos em férias, 13º e FGTS, o acréscimo se aproxima de 10% para o empregado que hoje cumpre a jornada máxima. A pergunta econômica é quanto desse custo chega à etiqueta.

◆ O que dizem as entidades patronais

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em estudo divulgado em abril com modelo de equilíbrio geral computável, projeta alta média de 6,2% nos preços ao consumidor: 5,7% nas compras de supermercado, cerca de 4% nos produtos agrícolas, 6% na média dos industrializados e até 6,6% em vestuário e calçados. A premissa é que não haverá ganho de produtividade capaz de compensar a redução de horas. Em manifesto conjunto de 6 de outubro, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) falou em inflação de pelo menos 13%, sem detalhar horizonte temporal, e estimou o acréscimo de custo da segunda folga remunerada em 9,1%.

No varejo, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) calcula aumento de pelo menos 20% nos custos de pessoal. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) projeta repasse de 8% a 10% nos cardápios, com alta de cerca de 20% no custo do trabalho, e afirma que seriam necessários cerca de 3 milhões de trabalhadores adicionais para manter o nível de serviço dos estabelecimentos que abrem todos os dias — mão de obra que, segundo a entidade, não existe disponível. A CNI calcula alta de 8,8% a 12,7% nos custos do comércio e de 7,7% a 13,5% na agropecuária, conforme a empresa opte por contratar ou pagar horas extras.

◆ Onde o repasse é mais provável

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) chega a números bem mais modestos: aumento médio de 7,8% no custo do trabalho, com teto de cerca de 10% nos setores mais afetados, mas impacto no custo total das empresas entre 1% (comércio e indústria) e 6,6% (vigilância e segurança). Se o custo fosse repassado integralmente, o preço final subiria cerca de 1%. Economistas como Marilane Teixeira (Unicamp/Cesit) sustentam que a maioria dos setores opera com capacidade ociosa, o que inibe aumento generalizado de preços. A própria imprensa econômica adverte que os números de CNI e CNC não são comparáveis entre si, porque metodologias e prazos não foram divulgados, e que se trata de projeções, não de aumentos registrados.

A experiência brasileira de 1988, quando a jornada caiu de 48 para 44 horas, não produziu choque inflacionário atribuível à medida, embora o contexto macroeconômico da época (hiperinflação) torne a comparação pouco útil. 

O que esperar: alta concentrada em serviços, visível primeiro em bares, restaurantes, condomínios e tarifas administradas; nos bens industrializados e agrícolas, o repasse tende a ser menor e diluído na transição de 14 meses. O IPCA de serviços de 2027 será o termômetro.