Social Série 6x1 e a conta?
Fim da 6x1 vai falir empresas e fechar negócios? O risco se concentra nos pequenos e nos que abrem todo dia
Micro e pequenas empresas com até nove funcionários empregam 25% dos assalariados formais e são as mais expostas. CNI estima custo adicional de R$ 178 bilhões a R$ 267 bilhões por ano para o conjunto dos empregadores; Ipea admite que o segmento pode precisar de apoio estatal na transição.
15/10/2026 19h32
Por: Redação
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Da Redação · Sustentabilidade em Pauta · Salvador, 15 de outubro de 2026

Falências em massa não são a previsão de nenhum estudo sério; o que as entidades projetam é compressão de margem, fechamento de unidades marginais e migração para a informalidade, com efeito muito desigual por porte e setor. A CNI estima entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano em custos adicionais para quem emprega com carteira assinada, em dois cenários (contratar novos trabalhadores ou pagar horas extras), o que equivale a até 7% da folha; na indústria, de R$ 58,5 bilhões a R$ 87,8 bilhões.

Na prática, o empresário tem quatro caminhos: contratar mais gente (custo cheio), pagar horas extras (custo maior, mas flexível), reduzir horário de funcionamento (perda de receita) ou reorganizar escalas com banco de horas e compensação, via acordo ou convenção coletiva. A Fenavist calcula que, no modelo 12x36 da segurança privada, a jornada de 40 horas exigiria cerca de 8,7 horas extras semanais por vigilante. O que decide entre a adaptação e o fechamento é o acesso a crédito, a elasticidade dos preços e o tamanho da folha no custo total.

O Ipea lembra que os aumentos reais do salário mínimo de 2001 (12%), 2012 (7,6%) e 2024 (5,6%) não produziram efeito negativo mensurável sobre o emprego nem onda de falências, e que projeções catastróficas não têm respaldo na experiência brasileira. O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), empresário, afirmou em plenário que aboliu a 6x1 em suas empresas há mais de cinco anos e, com isso, resolveu a falta de mão de obra e ganhou produtividade. Sindicatos observam que a maior parte das empresas já pratica 40 horas e que a transição de 14 meses dá tempo para renegociar escalas e contratos.

O que esperar: não uma onda de falências, mas uma seleção silenciosa — fechamento de filiais e turnos deficitários, encolhimento de horários de atendimento, e a tentação, para o pequeno empregador, de resolver na informalidade o que a lei resolveu na Constituição.