Social 6x1 e a conta?
Fim da 6x1 vai encarecer o transporte público? NTU projeta tarifa de ônibus até 8% mais cara
Folha de pagamento responde por cerca de metade do custo dos sistemas de ônibus urbanos; a entidade das operadoras estima alta de até 15% no custo operacional. Nas capitais, a decisão de repassar ou subsidiar será das prefeituras — e dos seus orçamentos.
16/10/2026 00h23
Por: Redação

O transporte coletivo urbano é o serviço público em que o efeito da nova jornada é mais direto e mais fácil de medir: motoristas e cobradores trabalham em escalas contínuas, sete dias por semana, e a folha é o maior item de custo. A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) calcula que o fim da escala 6x1 eleva em até 15% o custo de operação dos sistemas e pode pressionar as tarifas em até 8%, considerando que cerca de 50% das despesas são pessoal e o restante combustível, manutenção e depreciação. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) estimou em R$ 11,9 bilhões o impacto inicial no custo do trabalho do setor como um todo.

◆ Como a conta chega ao passageiro — ou ao contribuinte

Nos sistemas concedidos, o contrato prevê reequilíbrio econômico-financeiro sempre que um fato do príncipe — como uma emenda constitucional — altera a equação de custos. O poder concedente (a prefeitura, na maioria das capitais) tem três saídas: reajustar a tarifa, ampliar o subsídio com recursos do orçamento, ou cortar oferta (frequência e linhas). Em Salvador, onde o sistema já opera com subsídio municipal e integração com o metrô, a escolha recairá sobre o orçamento de 2027, em ano pré-eleitoral municipal.

Operadores já praticam, em várias cidades, escalas com dupla folga por acordo coletivo, e a NTU reconhece que a folha não é o único item de custo — o diesel e a queda de demanda pós-pandemia pesam mais no desequilíbrio histórico do setor. Sindicatos de rodoviários argumentam que a jornada excessiva é causa de acidentes e absenteísmo, custos hoje embutidos na tarifa. Há ainda o argumento de que a emenda pode acelerar a discussão sobre fontes extratarifárias de custeio (Cide municipal, taxa de congestionamento, contribuição de empregadores), que especialistas em mobilidade defendem há anos.

O que esperar: pedidos de reequilíbrio nos primeiros meses de 2027, reajustes tarifários acima da inflação nas capitais sem subsídio e redução de oferta nos municípios médios.