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André Trigueiro é verde dólar?
Por Anitilda Dicabra
18/10/2026 02h45
Por: Redação
IA

VERDE DÓLAR

A Amazônia pega fogo. André Trigueiro prefere militar contra Flávio Bolsonaro?

Enquanto Manaus engasga com a fumaça e o Amazonas vira cinza, André Trigueiro está nas redes em alta rotação. Fala de negacionismo, aponta extremismo, ataca Flávio Bolsonaro e lamenta o “retrocesso” ambiental nas urnas. O meio ambiente, segundo ele, foi o grande derrotado. Que coincidência: o alvo muda, a indignação permanece seletiva.

Jornalista tem o direito de criticar. O problema é quando a cobrança vira campanha permanente contra um lado e silêncio constrangedor sobre o outro. A floresta queima sob o governo que se vendeu como salvador da Amazônia. Cadê o mesmo volume de posts, a mesma energia, a mesma indignação diária cobrando prevenção, fiscalização e resultados de quem comanda o Ibama, o ICMBio e o Ministério do Meio Ambiente desde 2023?

Não se pede silêncio sobre Flávio. Pede-se coerência. Porque o fogo não lê programa de governo. A fumaça não pergunta o partido de quem está no Planalto. E chamar de extremista quem discorda não apaga hectare queimado nem limpa o ar de Manaus.

Defender a ciência exige distinguir dados de militância. A pergunta que sobra é cruel e simples: a indignação ambiental de Trigueiro tem a mesma temperatura independentemente de quem governa, ou o termômetro sobe e desce conforme o alvo político do dia?

Na Verde Dólar a provocação é esta: ambientalismo de trincheira eleitoral não apaga fogo. Quem cobra tanto dos adversários precisa cobrar, com a mesma ferocidade, os resultados concretos de todos os governos — especialmente daquele que prometeu salvar a floresta e entregou, mais uma vez, a sazonalidade das queimadas.

Porque, enquanto a política rende engajamento, a Amazônia continua precisando do óbvio: prevenção, fiscalização e combate de verdade.

Preservar o meio ambiente não exige demonizar o capitalismo. Desenvolvimento econômico não exige destruir o ambiente.

O desafio — muito mais difícil que fazer discurso — é conciliar os dois.

André Milita, não é verde sustentável... porque, no fim das contas, até o verde tem ideologia que se sobrepõe à fatos, dados, ciência. Ou tem preço.

E, quando ideologia e preço prevalecem ao meio ambiente, a conta precisa ser transparente para todos, se não vira só coisa de intrigueiro.

A Coluna Verde Dólar é satírica e escrita aos domingos pela filosofa cinza Anitilda Dicabra, para o Sustentabilidade em Pauta, trazendo um humor ácido sobre fatos (irreais) que (des) mascaram os (in) sustentáveis.