O custo da alimentação básica aumentou em todas as 27 capitais brasileiras nos 12 meses encerrados em setembro de 2026. É o que revela a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
As variações acumuladas mostram diferenças expressivas entre as capitais. Fortaleza registrou a maior elevação, de 15,14%, seguida pelo Rio de Janeiro, com 14,29%, Goiânia, com 13,72%, Florianópolis, com 12,89%, e Cuiabá, com 12,24%.
Em São Paulo, maior centro econômico do país, a alta foi de 9,53%. Em Salvador, o aumento acumulado chegou a 5,47%.
Em setembro, São Paulo apresentou o maior custo da cesta básica entre as capitais pesquisadas, alcançando R$ 922,51. Na sequência aparecem Florianópolis (R$ 915,62), Rio de Janeiro (R$ 913,46) e Cuiabá (R$ 891,24).
No Nordeste, onde a composição da cesta apresenta algumas diferenças metodológicas, os menores valores foram encontrados em Aracaju (R$ 587,76), Maceió (R$ 631,28), Salvador (R$ 634,67) e Natal (R$ 635,60).
Um dos indicadores mais preocupantes da pesquisa está no comprometimento da renda dos trabalhadores.
Em setembro, o brasileiro remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar, em média, 102 horas e 11 minutos para adquirir os alimentos da cesta básica nas capitais pesquisadas.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário, o trabalhador comprometeu, em média, 50,21% de sua renda para comprar os alimentos essenciais.
Em setembro de 2025, esse percentual era de 49,09%.
O resultado demonstra que, mesmo quando determinados produtos apresentam redução de preço, a alimentação continua representando uma parcela expressiva do orçamento familiar.
A evolução dos preços não foi uniforme entre os produtos. As variações refletem fatores como condições climáticas, oferta agrícola, custos de produção, transporte e distribuição.
O comportamento dos alimentos também varia regionalmente. Em Salvador, por exemplo, o feijão carioca acumulou alta de 35,94% em 12 meses, enquanto o leite integral subiu 15,77%, o tomate 15,19% e a carne bovina de primeira 13,44%.
Por outro lado, café em pó e açúcar cristal apresentaram redução de preços na capital baiana.
Os dados reforçam a importância de políticas públicas voltadas