A revista científica Science, uma das publicações mais prestigiadas do mundo, elegeu as energias renováveis como o Avanço do Ano de 2025, destacando um marco histórico na transição energética global: pela primeira vez, a geração de eletricidade a partir de fontes solar e eólica superou o carvão em escala mundial. Segundo a publicação, o feito representa uma mudança estrutural no sistema energético, com impactos diretos na redução das emissões de gases de efeito estufa e no combate às mudanças climáticas.
De acordo com a Science, a rápida expansão das energias solar e eólica foi impulsionada pela queda expressiva nos custos das tecnologias, pelo avanço na eficiência dos equipamentos e por políticas públicas voltadas à descarbonização. Em diversos países, usinas solares e parques eólicos passaram a ser as fontes mais competitivas para nova capacidade instalada, superando não apenas o carvão, mas também outras fontes fósseis.
O levantamento citado pela revista indica que, em 2025, a participação combinada da energia solar e eólica atingiu níveis inéditos na matriz elétrica global, consolidando uma tendência observada ao longo da última década. A substituição do carvão, considerado o combustível fóssil mais intensivo em carbono, é apontada como um dos principais fatores para a desaceleração do crescimento das emissões do setor elétrico em vários países.
A publicação ressalta ainda que o avanço das renováveis vai além da dimensão ambiental. A expansão do setor tem gerado milhões de empregos, impulsionado cadeias industriais estratégicas e reduzido a dependência energética de países importadores de combustíveis fósseis. Para os editores da Science, trata-se de um ponto de inflexão comparável a grandes revoluções tecnológicas do passado.
No entanto, a revista também observa que o desafio agora é garantir a integração segura e estável dessas fontes aos sistemas elétricos, exigindo investimentos em redes de transmissão, armazenamento de energia e soluções de flexibilidade para lidar com a variabilidade da geração solar e eólica.
Apesar do reconhecimento como Avanço do Ano, especialistas alertam que a expansão acelerada das energias renováveis não está isenta de impactos negativos. A energia solar, por exemplo, demanda grandes áreas para instalação de usinas, podendo gerar conflitos fundiários, perda de habitats e pressão sobre ecossistemas sensíveis, além de desafios associados à mineração de minerais críticos e ao descarte de painéis fotovoltaicos ao final de sua vida útil. Já a energia eólica enfrenta críticas relacionadas à mortalidade de aves e morcegos, à fragmentação de habitats, ao impacto paisagístico e a conflitos com comunidades locais, especialmente em regiões costeiras e áreas rurais. Somam-se a esses fatores a intermitência da geração e a dependência crescente de sistemas de armazenamento, que também possuem custos ambientais e sociais. Assim, o avanço das renováveis, embora essencial para a transição energética, exige planejamento, regulação rigorosa e avaliação permanente de seus impactos para que a solução climática não se converta em um novo vetor de degradação ambiental.