Sustentabilidade sem alarmismo Piora na preservação
Extração ilegal de madeira cresce 44% em áreas protegidas da Amazônia Legal, aponta estudo
O problema nunca foi o agro e nem a ideologia dos governantes, mas os criminosos e a competência dos gestores.
19/12/2025 18h37
Por: Redação
Agência Brasil

A extração ilegal de madeira em áreas protegidas da Amazônia Legal cresceu 44% no último período analisado, segundo um novo estudo que monitora a dinâmica do desmatamento e da exploração florestal na região. O dado acende um alerta ao indicar que a atividade fora da lei vem se deslocando de imóveis rurais privados para territórios que, em tese, deveriam contar com maior grau de proteção ambiental, como unidades de conservação e terras indígenas.

O relatório anual mostra que, enquanto a exploração ilegal apresentou queda em áreas cadastradas como imóveis rurais — resultado associado ao aumento do monitoramento, à exigência de regularização ambiental e ao cruzamento de dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) —, houve avanço significativo da atividade em áreas protegidas. Nessas regiões, a presença do Estado é mais limitada, o que facilita a atuação de redes criminosas especializadas em extração, transporte e comercialização de madeira ilegal.

As unidades de conservação e as terras indígenas concentram hoje uma parcela crescente da exploração irregular, segundo os pesquisadores. Além do impacto direto sobre a biodiversidade, a retirada ilegal de madeira nessas áreas está frequentemente associada a outros crimes ambientais, como grilagem de terras, abertura de estradas clandestinas e avanço posterior do desmatamento para atividades agropecuárias.

O levantamento também revela uma forte concentração geográfica da atividade. O estado de Mato Grosso lidera o ranking, concentrando seis dos dez municípios e das áreas protegidas com maior número de hectares afetados pela extração ilegal de madeira. A posição do estado reflete tanto sua extensa fronteira agrícola quanto a pressão histórica sobre florestas remanescentes, especialmente em regiões de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

Segundo o estudo, a migração da ilegalidade para áreas protegidas indica uma adaptação das práticas criminosas diante do aumento da fiscalização em propriedades privadas. Com maior controle sobre planos de manejo florestal e cadeias produtivas formais, grupos ilegais passam a explorar territórios onde a fiscalização é mais complexa, logística e politicamente sensível, como terras indígenas isoladas e unidades de conservação de grande extensão.

O problema nunca foi o agro e nem a ideologia dos governantes, mas os criminosos e a competência dos gestores.

Relatório anual mostra que atividade fora da lei caiu em imóveis rurais, enquanto subiu em unidades de conservação e terras indígenas. Durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, o enfraquecimento de órgãos ambientais, os cortes orçamentários e o discurso de flexibilização da proteção ambiental criaram um ambiente favorável à expansão da ilegalidade, com aumento expressivo do desmatamento e da exploração florestal irregular, inclusive em áreas protegidas. No atual governo, observa-se uma retomada do discurso ambiental, a recomposição parcial das estruturas de fiscalização e resultados positivos em alguns indicadores, como a redução da ilegalidade em imóveis rurais. No entanto, os números mostram que o legado institucional dos anos anteriores ainda pesa, e que a repressão ao crime ambiental segue desigual no território. O avanço da extração ilegal em unidades de conservação e terras indígenas evidencia que, embora haja mudanças de rumo, a proteção efetiva da Amazônia exige ações estruturais, permanentes e coordenadas, capazes de enfrentar redes criminosas que sobreviveram — e se reorganizaram — ao longo de diferentes governos.


Fontes:

– Relatório anual sobre exploração ilegal de madeira na Amazônia Legal, elaborado por instituto de pesquisa ambiental.
– MapBiomas — dados de monitoramento do uso da terra e pressão sobre áreas protegidas.
– Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) — análises sobre desmatamento e crimes florestais.
– Ibama e ICMBio — informações institucionais sobre fiscalização ambiental.
– Agência Brasil — cobertura sobre políticas ambientais e dados oficiais da Amazônia.