A Autistas Brasil encaminhou ao Ministério do Turismo um ofício com críticas técnicas e proposta de cooperação institucional para a próxima edição do “Guia para Atender Bem Turistas Neurodivergentes”, publicado recentemente pelo governo federal em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O documento foi assinado pelo presidente da organização, o pesquisador e doutor em Educação pela Unicamp Guilherme de Almeida.
Lançado durante o 10º Salão do Turismo, em Fortaleza, o guia é apontado pelo governo federal como a primeira iniciativa oficial voltada especificamente ao atendimento de turistas neurodivergentes no Brasil. A publicação foi construída a partir de uma pesquisa nacional com 761 participantes, entre pessoas neurodivergentes, familiares e profissionais do setor turístico. Segundo o levantamento, a qualidade do atendimento e a capacitação das equipes aparecem como os principais fatores que impactam a experiência turística desse público.
No ofício, a Autistas Brasil reconhece o caráter pioneiro da iniciativa, mas afirma que o material apresenta contradições conceituais e falhas de governança relacionadas à ausência de participação efetiva de pessoas autistas e organizações do movimento na elaboração do conteúdo.
“O Guia tem méritos importantes que precisam ser reconhecidos publicamente. Ele desloca o eixo da acessibilidade para neurodivergentes do plano estritamente físico para as dimensões sensorial, comunicacional e atitudinal, e nomeia com clareza o capacitismo no atendimento turístico — algo raramente feito por documentos oficiais do Estado brasileiro”, afirma Guilherme de Almeida.
Uso do símbolo do quebra-cabeça é alvo de críticas
Entre os principais pontos levantados pela entidade está a utilização do símbolo do quebra-cabeça como representação do autismo no documento oficial. Segundo a organização, o símbolo é rejeitado há anos por parte significativa da comunidade autista por remeter à ideia de “peça faltante” ou de um “mistério” a ser resolvido.
A Autistas Brasil defende o uso do símbolo do infinito — em arco-íris para representar a neurodiversidade e em dourado para o autismo.
“Reproduzir o quebra-cabeça em documento oficial do Estado brasileiro, em 2026, é tecnicamente datado e politicamente desalinhado com o próprio movimento que o Guia pretende apoiar”, afirma Guilherme de Almeida.
A organização também questiona o que considera uma contradição conceitual do material. Segundo o ofício, embora o glossário do guia apresente inicialmente uma visão afirmativa da neurodiversidade, o texto volta a definir o autismo a partir da lógica de “déficits” prevista na Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
“Não se sustenta, num mesmo documento, a afirmação da neurodiversidade como diversidade legítima e a manutenção do vocabulário do transtorno e do déficit”, aponta o documento.
“Nada sobre nós sem nós”
Outro ponto central do ofício é a crítica à ausência de participação direta de pessoas autistas na coordenação técnica do guia. Segundo a Autistas Brasil, a ficha técnica do documento não apresenta organizações autísticas, representantes do movimento da neurodiversidade ou pessoas com deficiência entre os responsáveis pela elaboração e revisão do material.
“A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência tem status constitucional no Brasil e consagra o princípio do protagonismo direto na formulação de políticas públicas. Validação por grupo focal não substitui coautoria. Esse é um ponto que organiza historicamente a luta do movimento: nada sobre nós sem nós”, afirma Guilherme de Almeida.
Organização propõe cooperação técnica ao governo federal
No documento enviado ao Ministério do Turismo, a Autistas Brasil propõe cinco linhas de cooperação institucional para a próxima edição do guia. Entre elas, estão a participação da entidade em regime de coautoria no grupo de trabalho responsável pela revisão do material, a criação de um comitê consultivo permanente ligado à Secretaria Nacional de Políticas de Turismo e o suporte técnico para capacitação de profissionais do setor turístico.
A entidade também colocou à disposição o instrumento “Triagem Pedagógica de Barreiras”, desenvolvido pela própria organização, além de solicitar a abertura dos microdados da pesquisa utilizada na elaboração do guia para análise independente.
O ofício ainda aponta outras lacunas no documento, como a ausência de recomendações específicas para diferentes perfis neurodivergentes, a falta de articulação com o Cadastur e com legislações relacionadas à acessibilidade, além de críticas à própria diagramação do material, considerada inadequada para pessoas com dislexia.
Basicamente, os símbolos são uma forma eficaz de transmitir informações ou ideias de maneira concisa e universalmente compreensível, independentemente de barreiras linguísticas ou culturais. Essas representações têm o poder de ultrapassar os limites da língua falada, sendo essenciais em nossa comunicação diária.
Os símbolos fazem parte do nosso dia a dia e tem grande importância na história da humanidade, auxiliando na criação de comunidades que compartilham e se identificam por meio deles.
Um exemplo simples da importância dos símbolos em nossa vida diária são as placas de trânsito. A placa de “vire à esquerda”, com uma seta apontando para essa direção, é compreendida por praticamente todas as pessoas ao redor do mundo, independentemente de sua cultura ou língua falada.
Com isso em mente, os símbolos do autismo tem um papel crucial na criação de identificação entre as pessoas com TEA. Mas além de unir essa comunidade, eles possibilitam que toda a sociedade também as reconheça, gerando maior empatia, conscientização e oportunidades para conversas sobre o tema.
Alguns desses símbolos também são utilizados para identificar pessoas com TEA em ambientes públicos, como o uso do cordão de identificação do autismo. Dessa forma, elas podem receber o tratamento adequado, conforme suas necessidades.
Confira abaixo os 4 símbolos principais do autismo e a explicação sobre cada um deles. Além disso, ao final do texto, você terá a oportunidade de conhecer um símbolo bônus. Continue a leitura até o final e conheça símbolos bônus!

A cor azul é considerada, hoje, um dos principais símbolos do autismo.
Para que possamos entender o porquê da cor, é importante ter em mente que, em um contexto geral, ela é um símbolo que representa, para grande parte da população, o grupo masculino.
Portanto, é uma cor bastante ligada a questões de gênero, uma ligação que foi determinante para a escolha da cor como símbolo do autismo. Entenda no tópico a seguir.
Um estudo do CDC, Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, apontou recentemente que o número de meninos diagnosticados com autismo é quatro vezes maior em comparação ao de meninas.
Além disso, a cor azul também é entendida, de acordo com diversos estudos sobre o assunto, como uma cor que representa calma, leveza e tranquilidade, sentimentos que são considerados essenciais para a manutenção da saúde de pacientes autistas. Isso porque, para eles, estímulos sensoriais, como o barulho, podem gerar crises e estresses intensos. Portanto, a cor pretende promover mais calmaria e leveza em um mundo que é tão agitado e barulheiro para pessoas com autismo.
Além disso, há quem diga que a cor também foi escolhida, porque é a cor do mar. Nesse caso, o significado da simbologia é mais profundo, pois também traz o mar como um símbolo. Aqui, a ligação está no comportamento do mar que, segundo pessoas que acreditam nessa ligação, é semelhante ao de pessoas com autismo: às vezes, calmo e seguro. Outras vezes, intenso e imprevisível.
A cor tornou-se um símbolo do autismo tão importante, que hoje faz parte da campanha que Autism Speaks promove todos os anos, a “Light it Up Blue” — ilumine em azul. Ela acontece sempre em 2 de abril e propõe que as pessoas usem a cor azul nesse dia, a fim de promover maior conscientização sobre o autismo. Na data, prédios de diversas cidades do mundo também são iluminados com a cor azul.
Vale ressaltar que a ligação da cor azul ao gênero masculino dentro do autismo tem sido bastante refutada. Afinal, vem crescendo o número de meninas também diagnosticadas com TEA, promovendo discussões acerca do assunto.
Leia o artigo – a cor do autismo e o impacto no autismo feminino – para saber mais sobre o tema.
Então, recapitulando. A cor azul é um símbolo do autismo, porque:
Esse é um símbolo do autismo bastante popularizado no mundo todo. O quebra-cabeça, para entendimento geral, é um jogo lúdico conhecido por sua alta complexidade, uma vez que desafia o jogador a encaixar diversas peças que, juntas, formam uma imagem única.

O símbolo, portanto, foi escolhido devido à própria representação do jogo. Popularizado em 1963, o quebra-cabeça foi o símbolo escolhido por um médico da entidade norte-americana, Autism Speaks.
Na sua primeira versão, o símbolo trazia uma peça solta de um quebra-cabeça com a imagem de uma criança chorando, representando a ideia de que crianças com autismo não se encaixavam na sociedade, como uma verdadeira peça solta do jogo. E o choro, portanto, simbolizava esse sofrimento.
No entanto, com o tempo, o símbolo passou a ser altamente questionado e, por isso, deixou de ser adotado. A entidade, então, criou uma versão para substituí-lo, apresentando, dessa vez, quatro peças encaixadas de um quebra-cabeça.
Nessa opção, a ideia foi mostrar os diferentes espectros, a complexidade do autismo e como tudo isso se encaixa de forma perfeita. Esse, portanto, continua a ser um símbolo utilizado.
Porém, vale ressaltar que diversas pessoas com espectro autista também contestam o significado desse símbolo, uma vez que, para essa comunidade, ele ainda reforça estigmas relacionados a essa condição neurológica, reforçando preconceitos e percepções negativas acerca do assunto.
Então, recapitulando. O quebra-cabeça é um símbolo do autismo, porque:
O símbolo do infinito é a imagem que configura o logo da neurodiversidade em todo o mundo. Esse símbolo carrega o significado de algo que é eterno, perene e que não tem fim.

Como explicamos no tópico anterior, a imagem do quebra-cabeça não vem sendo aceita de forma unânime entre pessoas com espectro autista.
Pensando nisso, a criação desse logo partiu da própria comunidade autista, como forma de substituição da imagem do jogo. A ideia, inclusive das cores que compõem esse logo, foi a de representar a diversidade que existe dentro do espectro autista sem reforçar estigmas sobre o transtorno.
É um símbolo do autismo muito utilizado pelo movimento da neurodiversidade, que atua na luta frente a outras variações do cérebro humano, além do autismo.
Ao utilizar essa imagem, o movimento também propõe que o espectro autista não seja visto apenas como uma deficiência, mas sim, como uma forma de expressão natural desses seres humanos.
A fita, em si, é um símbolo carregado de significados. Chamado de Fita da consciência, esse símbolo surgiu a partir de uma história bem curiosa.

Acredita-se que tudo começou em 1979, quando diversos norte-americanos ficaram reféns de um grupo de militares na Revolução Iraniana. Entre esses reféns, estava o marido de Penney Laingen.
Com o objetivo de reencontrar o marido, ela pendurou diversos laços amarelos por árvores que indicavam o caminho até a sua casa, para que o esposo encontrasse o percurso de volta, caso conseguisse sair do cativeiro.
Ao que tudo indica, Penney teve a ideia a partir da letra da música “Tie a Yellow Ribbon Round the Ole Oak Tree”, que fala sobre a história de um prisioneiro que envia uma carta para sua esposa pedindo que ela amarrasse laços na cor amarela em árvores, caso ela o ainda quisesse de volta.
O feito ficou conhecido e, em 2 de junho de 1991, o laço foi utilizado pela primeira vez como um símbolo de alerta para a campanha norte-americana de conscientização contra a AIDS.
Desde então, essa fita vem sendo utilizada como símbolo para promover alertas de conscientização e chamar atenção da sociedade sobre essas causas, e uma delas, é o autismo.
Como explicamos, esse é um símbolo utilizado para promover pautas de conscientização. Para isso, a fita tem suas cores e aparência alteradas, conforme os símbolos de cada pauta.
No caso do autismo, a fita é representada com a estampa do quebra-cabeça sendo adotada em 1999 como um sinal universal da consciência sobre o TEA.
Ela é amplamente utilizada em campanhas de conscientização e, também, como sinalização para indicar que um determinado lugar é adaptado para receber pessoas com espectro autista, o que a configura como um dos símbolos do autismo mais importantes.
O dia 2 de abril é marcado como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo e também pode ser considerado um símbolo importante.
A data foi instituída em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de gerar maior conscientização sobre o assunto e propor discussões importantes sobre o espectro.
Dessa forma, visa aumentar o conhecimento de toda a sociedade sobre os desafios de crianças e adultos diagnosticados com TEA, criando, assim, um mundo mais favorável à aderência de práticas de respeito e inclusão dessas pessoas.
Além dessa data, também é comemorado, no dia 18 de junho, o Dia Mundial do Orgulho Autista. Criada em 2005 pela organização Aspies for Freedom, essa data visa celebrar o orgulho dessas pessoas, incentivando o autoamor e a autoaceitação.
A Lei Federal 10.048/2000, que prevê o atendimento prioritário às pessoas com deficiência, gestantes, lactantes, pessoas com crianças de colo e obesos, ganhou uma equiparação em 2012.
Sancionada como a Lei federal 12.764/12, ela institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e ganhou o nome da mãe de uma criança autista, a ativista e co-autora da proposta, Berenice Piana.
A lei, por ser um feito histórico para pessoas com TEA e suas famílias, também pode ser entendida como algo simbólico para a pauta.
Leia mais sobre os direitos dos autistas.
Jade Autism é uma empresa que promove a educação inclusiva por meio da tecnologia. Nossas soluções foram desenvolvidas para apoiar crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências, possibilitando que escolas e professores ofereçam uma abordagem individualizada para cada aluno.
Tudo isso é feito por meio do Jade Edu, Jade APP e Jade ASTEA, que juntos promovem o desenvolvimento cognitivo desses alunos por meio de jogos, dão suporte aos profissionais de ensino e facilitam a identificação da hipótese de autismo.
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