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Economia RH

A crise de talentos tem solução: a diversidade como estratégia central de retenção

Por Renata Souza

14/05/2026 16h09
Por: Redação

A crise de talentos tem solução: a diversidade como estratégia central de retenção
 

*Por Renata Souza, diretora de Relações Humanas da TOTVS
 

O mercado corporativo brasileiro vive hoje um paradoxo: enquanto muitas companhias relatam uma escassez crítica de candidatos qualificados, enfrentamos simultaneamente uma crise de retenção. Um estudo recente da Korn Ferry revela um dado alarmante: apenas 36% das empresas possuem um plano formal para reter seus talentos. O resultado é um turnover voluntário crescente, que gera altos custos financeiros e drena o capital intelectual das organizações.
 

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Muitas empresas reagem a esse cenário com as ferramentas tradicionais: bônus, salários acima da média e pacotes de benefícios e incentivos. Embora importantes, essas medidas são apenas parte da equação. O mesmo estudo mostra que as principais razões para um profissional deixar seu emprego são a falta de clareza sobre seus próximos passos na carreira, a ausência de reconhecimento, problemas com a liderança e a falta de flexibilidade e de equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A mensagem é clara: o talento não busca apenas uma compensação financeira; ele busca um lugar onde possa crescer, se sentir valorizado e, principalmente, se enxergar no futuro da organização.
 

É aqui que a diversidade e a inclusão deixam de ser apenas um tópico de responsabilidade social e se tornam uma das mais poderosas alavancas estratégicas de negócio. Em nossa experiência prática na TOTVS, já observamos uma correlação direta: equipes com maior diversidade apresentam níveis mais altos de engajamento, satisfação, inovação e produtividade. Um ambiente plural, por natureza, desafia o pensamento único, promove debates mais ricos e gera soluções mais criativas. Essa combinação é a base para a construção de uma cultura forte e resiliente.
 

No entanto, é importante fazer uma distinção fundamental: diversidade e inclusão não são sinônimos, e uma não se sustenta sem a outra. Trazer profissionais com diferentes origens, etnias, gêneros e trajetórias para dentro da organização é apenas o primeiro passo. Um ambiente verdadeiramente inclusivo e que se beneficie da diversidade promove espaços para escuta e onde diferentes perspectivas são consideradas nas decisões e onde existem oportunidades reais de crescimento para cada pessoa. Sem inclusão real, a diversidade corre o risco de se tornar apenas representativa, sem gerar transformação. Em outras palavras, a diversidade abre a porta; a inclusão garante que todos tenham espaço para permanecer, contribuir e prosperar.
 

Contudo, a verdadeira transformação acontece de fato quando a diversidade chega ao topo, um desafio presente em boa parte das organizações. Na TOTVS, temos um trabalho voltado a diferentes grupos minorizados, como mulheres, por exemplo. Neste sentido, temos ações como mentorias exclusivas para lideranças femininas, além de um compromisso público com o Movimento Educa2030, do Pacto Global da ONU, voltado também para o aumento de mulheres em carreiras STEM (carreiras em ciências, tecnologia, engenharia e matemática).
 

A presença de uma liderança diversa ataca diretamente as principais causas do turnover, pois gera um efeito cascata positivo em toda a organização. Primeiramente, ao ver pessoas com diferentes origens, etnias, gêneros e vivências em posições de comando, os colaboradores de grupos minorizados passam a acreditar no próprio potencial de crescimento; o sentimento de "eu também posso chegar lá" é o mais forte motor de retenção que existe.
 

Adicionalmente, líderes diversos trazem múltiplas formas de ver o mundo para a mesa de decisão, o que não só impulsiona a inovação, como também cria um ambiente de trabalho mais seguro, onde todos se sentem à vontade para testar, errar e contribuir com seu potencial máximo. Esse movimento, por sua vez, fortalece a cultura de confiança, pois uma liderança representativa demonstra, na prática, o compromisso da empresa com a equidade, construindo relações de respeito que tornam o ambiente de trabalho mais saudável, unido e produtivo.
 

A crise de talentos que tantas empresas enfrentam não será resolvida apenas com aumentos salariais ou novos benefícios, apesar de sua importância. Ela demanda uma mudança estrutural e cultural. Investir em programas para formar e promover uma liderança genuinamente diversa não é apenas a coisa certa a se fazer; é a decisão estratégica de negócio mais inteligente para garantir a atração dos melhores talentos, a retenção dos talentos que já temos e a construção de uma organização inovadora e preparada para o futuro.

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