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Saúde ESG

Presença de pessoas autistas cresce nas universidades, mas permanência ainda enfrenta barreiras estruturais

Pesquisa de doutorado de Guilherme de Almeida, presidente da Autistas Brasil, propõe novo modelo para avaliar inclusão no ensino superior e discute o conceito de justiça neurocognitiva

19/05/2026 14h59
Por: Redação
Crédito Foto: Guilherme de Almeida - presidente da Autistas Brasil
Crédito Foto: Guilherme de Almeida - presidente da Autistas Brasil

O número de estudantes autistas nas universidades brasileiras vem crescendo nos últimos anos, impulsionando debates sobre acessibilidade, inclusão e permanência acadêmica no ensino superior. A Autistas Brasil, porém, aponta que ainda existem barreiras institucionais que dificultam a participação plena desses alunos no ambiente universitário.
 

O tema é o centro da tese de doutorado defendida pelo pesquisador Guilherme de Almeida, presidente da Associação Nacional para Inclusão das Pessoas Autistas (Autistas Brasil), na Faculdade de Educação da Unicamp. A pesquisa, intitulada “Presença/Ausência de Pessoas Autistas no Ensino Superior Público: justiça neurocognitiva e autoria histórico-criativa como práxis emancipadora”, investiga como universidades públicas brasileiras ainda operam com modelos institucionais que dificultam a permanência e o desenvolvimento acadêmico de estudantes autistas.
 

Segundo o estudo, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas, o equivalente a 1,2% da população, de acordo com o Censo Demográfico de 2022. No ensino superior, porém, as pessoas autistas representam cerca de 0,8% dos estudantes.
 

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Para Guilherme de Almeida, o debate sobre inclusão universitária precisa avançar além das políticas de acesso. “A universidade pública brasileira garante matrícula, mas não garante autoria. O estudante consegue entrar, mas muitas vezes continua enfrentando barreiras estruturais para permanecer, participar e produzir conhecimento em igualdade de condições”, afirma.
 

A tese propõe o conceito de “justiça neurocognitiva”, que defende o reconhecimento de diferentes formas de processamento e produção de conhecimento dentro das instituições de ensino. O trabalho também apresenta o Sistema de Avaliação Ecológica Dinâmico (SAED), modelo desenvolvido para avaliar a própria universidade — e não apenas o estudante — em temas relacionados à inclusão, acessibilidade e permanência acadêmica.
 

Segundo Guilherme de Almeida, os instrumentos criados na pesquisa já estão estruturados para aplicação prática no cotidiano das universidades, permitindo que instituições consigam identificar barreiras, avaliar políticas internas e construir estratégias permanentes de inclusão e permanência acadêmica.
 

A pesquisa foi desenvolvida no Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e Educação PAIDEIA, da Unicamp, com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
 

Recentemente, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) também criou a Comissão Nacional de Acessibilidade e Inclusão no Ensino Superior (Conacess), iniciativa voltada ao estudo e fortalecimento de políticas de acessibilidade e inclusão nas universidades brasileiras.
 

“A discussão sobre inclusão no ensino superior deixou de ser periférica. Hoje existe uma demanda institucional concreta para que universidades avancem em permanência, acessibilidade e participação efetiva de estudantes com deficiência”, afirma Guilherme.
 

SOBRE A AUTISTAS BRASIL
Organização nacional fundada e liderada por pessoas autistas, a Autistas Brasil atua na formulação de políticas públicas, na incidência jurídica e no desenvolvimento de programas educacionais em larga escala. Nos últimos três anos, suas ações alcançaram mais de 21 mil educadores em todo o país, consolidando a instituição como referência em inclusão, neurodiversidade e direitos humanos.
 

SOBRE O GUILHERME DE ALMEIDA

Guilherme de Almeida é presidente da Autistas Brasil. Doutor e mestre em Educação pela UNICAMP, com pesquisa voltada à justiça neurocognitiva e à autoria epistêmica de pessoas autistas, é também bacharel em Direito pela PUC-PR. Bolsista de excelência acadêmica da CAPES, integra o Stanford Neurodiversity Project e o Comitê dos Direitos das Pessoas com Deficiência do CNJ. Pesquisador do grupo PAIDEIA/UNICAMP, é pessoa autista e atua como autoadvogado na defesa de direitos e inclusão.
 

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