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Indústria Internacional

Conexão Brasil-Itália: encontro empresarial fortalece cooperação e projeta negócios com Acordo Mercosul-UE

Evento nesta sexta (11) reuniu indústria dos dois países e autoridades para debater investimentos e integração diante do novo cenário de abertura comercial; em dez anos, o comércio bilateral quase dobrou

13/09/2026 16h27
Por: Redação
Gilberto Sousa/CNI
Gilberto Sousa/CNI

Com o objetivo de aproximar os setores privados, estimular parcerias de longo prazo e criar oportunidades em negócios, tecnologia e investimentos, representantes de governo e do empresariado italiano e brasileiro se reuniram na Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta sexta-feira (11). Realizado em parceria com a Confindustria, com a ApexBrasil, com a Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) e com a Embaixada da Itália em Brasília, o Encontro Empresarial Brasil-Itália marcou a etapa final da missão empresarial italiana pela América Latina, que passou por Buenos Aires e São Paulo.

 

Durante a abertura do evento em Brasília, o vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Bittar, afirmou que a aproximação entre os países é fundamental diante das transformações globais e da busca por cadeias produtivas mais resilientes. O representante da CNI relembrou a reunião realizada em Roma, na sede da Confindustria, no primeiro semestre, e defendeu que o diálogo continue avançando para desenvolver cada vez mais conexões.

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"A importância do mercado italiano para as indústrias brasileiras pode ser medida pela evolução do comércio entre nossos países. Na última década, a Itália se posicionou como um relevante parceiro comercial do Brasil dentro da União Europeia. O mercado italiano é um dos principais destinos das exportações brasileiras e a Itália está entre os maiores fornecedores do país na Europa", destacou Bittar.

 

Segundo o vice-presidente da CNI, a adoção de ações eficientes em direção à maior integração entre Brasil e Itália é especialmente relevante diante das perspectivas abertas pelo Acordo Mercosul-União Europeia. "O livre comércio entre os dois blocos é um instrumento fundamental para a integração entre regiões com economias complementares. Sabemos que acordos, por si sós, não garantem resultados. O êxito e o pleno potencial dos tratados dependem da capacidade das nossas empresas de identificar oportunidades, estabelecer parcerias e criar projetos inovadores", afirmou Bittar, destacando o potencial de sinergia em setores como farmacêutico, tecnologia digital, energia, infraestrutura, máquinas e mineração.

 

Representando a indústria italiana, a vice-presidente para Exportação e Atração de Investimentos da Confindustria, Barbara Cimmino, ressaltou que a presença em Brasília é estratégica para compreender as diretrizes de crescimento e as decisões políticas que moldam o ambiente de negócios. Reforçando o coro da relevância da parceria entre as nações, o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, enfatizou que o Acordo Mercosul-UE torna o momento ideal para aprofundar as relações bilaterais. Além disso, chamou atenção para a criação de um grupo de trabalho pelos governos para focar no crescimento do intercâmbio comercial e no aumento de investimentos.

 

Panorama da indústria brasileira

 

A programação do evento também contou com apresentações sobre oportunidades e desafios do setor produtivo nacional. A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, apresentou um panorama do sistema indústria, ressaltando que o setor tem participação de 23,4% no PIB, que responde a 67,7% das exportações de bens e serviços e 66,8% do investimento empresarial em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), destacando que cada R$ 1 produzido na indústria gera R$ 1,44 na economia.

 

Na sequência, o diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mario Sérgio Telles, abordou as prioridades para os próximos 25 anos em uma agenda estratégica e reforçou a importância do combate ao Custo Brasil para atração de investimento e a necessidade de fortalecer a defesa comercial, apontando o fim da "taxa das blusinhas" como um retrocesso.

 

Destaques das relações econômicas entre Brasil e Itália

 

• Itália se destaca nas relações comerciais do Brasil-União Europeia: entre 2016 e 2025, o país foi o 4º principal destino das exportações brasileiras para a UE e o 2º principal fornecedor do Brasil dentro do bloco. No período, a Itália respondeu por 10,3% das exportações brasileiras destinadas à União Europeia e por 13,4% das importações brasileiras provenientes do bloco. Em 2025, manteve posição relevante, como 4º destino das exportações brasileiras e 3º fornecedor do Brasil entre os países do bloco;

 

• Comércio bilateral em expansão: a corrente de comércio entre Brasil e Itália cresceu 76,7% na última década, passando de US$ 7,02 bilhões, em 2016, para US$ 12,41 bilhões em 2025. Entre 2016 e 2025, o comércio bilateral acumulou US$ 91,19 bilhões, com US$ 39,31 bilhões em exportações brasileiras e US$ 51,89 bilhões em importações. No período, as exportações cresceram 61,4%, enquanto as importações aumentaram 90,5%; 

 

• Complementaridade das cadeias produtivas: a indústria de transformação concentrou 60% das exportações brasileiras e 98,7% das importações na última década, enquanto os bens intermediários representaram 65,2% da corrente de comércio entre os dois países;

 

• Itália tem potencial para diversificação das exportações brasileiras: foram identificados 331 produtos com oportunidades de exportação para o mercado italiano e 276 produtos (83,4% do total) pertencem à indústria de transformação;

 

• Principais setores da indústria de transformação no comércio bilateral (2025): nas exportações brasileiras, destacam-se os setores de Celulose e papel (32,7%), Alimentos (25,8%), Metalurgia (9,4%) e Químicos (6,2%). Nas importações provenientes da Itália, destacam-se Máquinas e equipamentos (28,1%), Farmoquímicos e farmacêuticos (14,0%), Veículos automotores (12,9%), Químicos (9,0%) e Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (5,3%).

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