No Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, a discussão sobre a preservação do bioma ganha uma dimensão que vai além da agenda ambiental: a econômica. Em um cenário de mudanças climáticas e crescente demanda global por ingredientes naturais, a floresta passou a ocupar também uma posição estratégica na economia mundial.
Para Felipe Franzina, CEO da Amazonia Bio Group, empresa que nasceu para conectar produtores amazônicos à indústria global de ingredientes funcionais, o próximo passo é fazer com que esse valor seja reconhecido por métricas econômicas e transformado em modelos de negócio capazes de gerar renda sem depender da conversão da floresta.
A dimensão econômica desse ativo ainda é pouco capturada pelos indicadores tradicionais. Segundo artigo do Banco Mundial publicado em julho de 2023, a Amazônia em pé representa mais de US$ 317 bilhões anuais em valor associado a serviços ecossistêmicos, considerando fatores como regulação climática, biodiversidade e ciclo hídrico. Para Franzina, a questão central não é apenas preservar esses serviços, mas criar mecanismos para que a economia reconheça e remunere o valor gerado pela floresta.
“O maior desafio é mudar a métrica. Durante muito tempo, o valor econômico da Amazônia foi associado principalmente ao que poderia ser retirado da floresta. Hoje, precisamos olhar para o que ela é capaz de gerar enquanto permanece em pé. Quando biodiversidade, água, clima e ingredientes naturais passam a ser considerados ativos econômicos, a conservação deixa de ser apenas uma obrigação ambiental e passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento”, complementa o empreendedor.
Essa mudança de lógica também passa pela capacidade de transformar recursos da biodiversidade em produtos de maior valor agregado. Um dos principais gargalos da cadeia amazônica é justamente a distância entre a produção na floresta e a indústria. Sem infraestrutura de processamento, uma parcela relevante dos frutos nativos se perde antes de chegar ao mercado, reduzindo a renda gerada pela própria biodiversidade.
É nesse ponto que a tecnologia passa a ter papel central. Processos como a liofilização permitem retirar a água dos frutos em baixa temperatura e ampliar sua vida útil, preservando propriedades nutricionais e bioativas. O resultado é a transformação de matérias-primas altamente perecíveis em ingredientes padronizados, rastreáveis e adequados às exigências de indústrias de alimentos, cosméticos e bem-estar em mercados internacionais.
“A bioeconomia não pode ser tratada como uma atividade artesanal ou de baixo valor agregado. Quando colocamos tecnologia, ciência e gestão industrial dentro da cadeia, conseguimos transformar um fruto que poderia se perder na floresta em um ingrediente com especificação técnica para mercados globais. Isso agrega valor e cria uma equação econômica capaz de competir com modelos tradicionais de uso da terra”, explica Franzina.
Para o especialista, essa mudança também depende da capacidade de transformar impacto em indicadores e indicadores em valor econômico. O desafio, segundo ele, é fazer com que a conservação seja compreendida pela mesma lógica de gestão utilizada em outros setores da economia: com métricas, produtividade, risco e escala.
Construção verde Construção em madeira engenheirada é uma das alternativas para enfrentar o déficit habitacional de 5,9 milhões de moradias no país
Em Pauta O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) está com uma nova chamada aberta
Em Pauta Indústria plástica adota novas soluções para reduzir pegada de carbono nas embalagens flexíveis
Sustentável CNI reforça necessidade da regulamentação do Marco Legal dos Bioinsumos
Economia Projeto mapeia caminhos para economia verde no Nordeste
Concreto do futuro Primeiro edifício corporativo do Brasil com madeira engenheirada inserido em um ecossistema urbano