A Prefeitura de Maraú realiza 1º Festival de Cultura Oceânica com três dias de educação, ciência, cultura e mobilização pela conservação do oceano
De 18 a 20 de setembro, município baiano reúne escolas, comunidades tradicionais, poder público, pesquisadores, organizações socioambientais, esportistas e moradores para fortalecer a Cultura Oceânica e construir uma agenda permanente de cuidado com o território costeiro-marinho
Maraú (BA), setembro de 2026 - Entre os dias 18 e 20 de setembro de 2026, Maraú realiza seu 1º Festival de Cultura Oceânica, uma iniciativa voltada à valorização da relação histórica, cultural, econômica e ambiental do município com o oceano e com a Baía de Camamu.
Com uma programação que reúne educação, ciência, conservação, conhecimentos tradicionais, cultura, esporte e políticas públicas, o Festival nasce com o propósito de dar voz e protagonismo à comunidade local, estimular a troca de conhecimentos e fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao território costeiro-marinho.
Localizado na Baía de Camamu e conectado à Mata Atlântica costeira, manguezais, praias, recifes e ambientes marinhos, Maraú abriga um patrimônio natural diretamente relacionado aos modos de vida de pescadores, marisqueiras, comunidades tradicionais, trabalhadores do turismo e inúmeras famílias do município. A conservação desses ecossistemas está, portanto, ligada não apenas à biodiversidade, mas também à cultura, à segurança alimentar, à geração de renda e à qualidade de vida.
Maraú conectado à Década do Oceano
A realização do Festival ocorre em um momento particularmente importante para a agenda oceânica mundial. A Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, 2021-2030, coordenada pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO, busca mobilizar ciência, governos e sociedade para produzir conhecimento e soluções capazes de contribuir para “o oceano que queremos”. Entre seus fundamentos está justamente a aproximação entre ciência, políticas públicas e sociedade.
A Cultura Oceânica, conceito central dessa agenda, trata da compreensão da influência do oceano sobre as pessoas e, ao mesmo tempo, da influência das ações humanas sobre o oceano. Para a UNESCO, ampliar essa compreensão é essencial para transformar comportamentos, fortalecer a participação social e desenvolver soluções para os desafios enfrentados pelos ecossistemas marinhos.
É nessa perspectiva do Festival que a Prefeitura pretende aproximar questões globais da realidade concreta de Maraú: como proteger manguezais, recifes, praias e Mata Atlântica; como fortalecer a pesca e os conhecimentos tradicionais; como reduzir resíduos e outros impactos; como utilizar a ciência para orientar decisões; e como preparar crianças e jovens para participar da construção do futuro do território.
Educação como ponto de partida
A educação é um dos principais pilares da iniciativa.
Maraú já desenvolve ações relacionadas ao Currículo Azul e ao programa Escola Azul, envolvendo escolas municipais e estaduais em atividades de Cultura Oceânica. O Festival amplia esse processo ao criar espaços para que estudantes apresentem seus próprios projetos e conhecimentos.
O movimento local acompanha uma transformação que vem ocorrendo em todo o país. Em abril de 2025, o Brasil tornou-se o primeiro país reconhecido pela UNESCO a assumir formalmente o compromisso de incorporar a Cultura Oceânica ao currículo escolar nacional, por meio do chamado Currículo Azul, adaptado às diferentes realidades regionais e locais. A iniciativa reúne MEC, MCTI, UNESCO, universidades, governos locais e redes de ensino.
O programa Escola Azul Brasil, por sua vez, estimula projetos interdisciplinares que aproximam estudantes, professores e comunidades do oceano, incluindo também rios, lagos e manguezais como parte dessa relação entre água, território e mar.
Na sexta-feira, 18 de setembro, primeiro dia do Festival, estudantes serão protagonistas da Mostra de Cultura Oceânica das Escolas, com projetos de monitoramento de praias, coleta seletiva, recifes, jogos, arte, reciclagem e educação ambiental.
A programação inclui ainda atividades culturais e circenses e espaços de organizações como Instituto Baleia Jubarte, Projeto Coração de Tartaruga, Vila Circular e Surf para Todos, além dos projetos das escolas que participam do prêmio Um Oceano de Futuro.
Durante a tarde acontecerão a cerimônia oficial de abertura, uma palestra do Projeto Baleia Jubarte, o lançamento de um Hackathon voltado à busca de soluções para desafios locais, o reconhecimento das Escolas Azuis de Maraú e a entrega do prêmio Um Oceano de Futuro. O primeiro dia será encerrado com uma apresentação sobre as ações da Década da Ciência Oceânica, exposição fotográfica e programação cultural.
Do conhecimento tradicional às políticas públicas
No sábado, 19 de setembro, o Festival promove uma série de diálogos sobre os principais desafios e oportunidades associados ao território de Maraú.
Os sete painéis abordarão a proteção dos ecossistemas costeiro-marinhos; ancestralidade e oceano; Cultura Oceânica nas escolas; soluções regenerativas de base comunitária; ciência, conservação e atuação socioambiental; prevenção de afogamentos e segurança no mar; e a relação entre esportes e oceano.
Gestores públicos, representantes de unidades de conservação, pesquisadores, educadores, organizações sociais, pescadores, marisqueiras, comunidades tradicionais, projetos ambientais, salva-vidas, Corpo de Bombeiros, Marinha e esportistas participam das conversas.
Um dos objetivos é aproximar diferentes formas de conhecimento. Ao colocar no mesmo espaço ciência, gestão pública, conhecimentos tradicionais e experiências comunitárias, o Festival busca contribuir para soluções construídas a partir das características e necessidades do próprio território.
A programação de sábado termina com uma Noite de Documentários, reunindo produções relacionadas à conservação, povos e comunidades, oceano, esportes e cultura marítima, seguida de música ao vivo.
Do território local à agenda global
Embora construído a partir dos desafios de Maraú, o Festival dialoga diretamente com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
O principal deles é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, Vida na Água, que estabelece o compromisso de conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos. A programação também se relaciona a outros ODS, entre eles Educação de Qualidade (ODS 4), Água Potável e Saneamento (ODS 6), Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11), Consumo e Produção Responsáveis (ODS 12), Ação Climática (ODS 13), Vida Terrestre (ODS 15) e Parcerias e Meios de Implementação (ODS 17).
A proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos também está associada ao Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, adotado no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica. Entre suas 23 metas para 2030 está a conservação e gestão efetiva de pelo menos 30% das áreas terrestres, de águas interiores, costeiras e marinhas, por meio de sistemas ecologicamente representativos, conectados e equitativamente governados de áreas protegidas e outras medidas eficazes de conservação.
Em 2026, a governança global do oceano alcançou ainda outro marco importante. O Acordo sobre a Conservação e o Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas além da Jurisdição Nacional, conhecido como BBNJ ou Tratado do Alto-Mar, entrou em vigor em 17 de janeiro de 2026. O Brasil ratificou o Acordo em dezembro de 2025 e hoje é Parte do tratado.
Embora o BBNJ trate especificamente das áreas oceânicas além das jurisdições nacionais, sua entrada em vigor reforça um princípio que também orienta iniciativas locais como a de Maraú: a conservação do oceano exige cooperação, ciência, participação social e políticas públicas que transcendam fronteiras administrativas.
O Festival dialoga ainda com o Acordo de Paris, especialmente diante da importância dos ecossistemas costeiros para adaptação, resiliência climática e proteção de comunidades diante dos efeitos das mudanças do clima.
Um festival para deixar legado
A proposta do Festival não termina no dia 20 de setembro.
A intenção é que o encontro contribua para fortalecer uma agenda permanente de Cultura Oceânica em Maraú, conectando educação, conservação, gestão pública, comunidades tradicionais, ciência, turismo, cultura e atividades econômicas do município.
O desafio é transformar conhecimento em continuidade: estimular projetos nas escolas, ampliar a participação da população, fortalecer iniciativas comunitárias, apoiar a conservação dos ecossistemas e gerar subsídios para políticas públicas capazes de conciliar desenvolvimento local, proteção ambiental e qualidade de vida.
No domingo, 20 de setembro, essa proposta deixa os espaços de debate e segue para a praia. A partir das 8h, em Taipús de Fora, moradores e visitantes participarão de um mutirão de limpeza, atividades de instrução básica de salvamento aquático com o Corpo de Bombeiros Militar e os salva-vidas de Maraú e de um encontro entre praticantes de surf, kitesurf, stand up paddle, canoagem, mergulho, vela, natação e outros esportes ligados ao mar.
Mais do que realizar um evento, o 1º Festival de Cultura Oceânica de Maraú pretende contribuir para a construção de uma relação cada vez mais consciente entre pessoas, território e oceano, reconhecendo que conservar o patrimônio natural de Maraú significa também proteger sua cultura, seus modos de vida, sua economia e suas possibilidades de futuro.

SERVIÇO
1º Festival de Cultura Oceânica de Maraú
Datas: 18, 19 e 20 de setembro de 2026
Município: Maraú, Bahia
18 de setembro: Mostra de Cultura Oceânica das Escolas, abertura oficial, palestras, Hackathon, reconhecimento das Escolas Azuis e prêmio Um Oceano de Futuro
Local: Barraclub
19 de setembro: painéis temáticos, diálogos, documentários e programação cultural
Local: Barraclub e Praça da Tainha
20 de setembro, a partir das 8h: mutirão de limpeza, salvamento aquático e encontro de esportes do oceano
Local: Praia de Taipús de Fora
Informações para imprensa:
[Nome do contato] caroline lorenzo
[Telefone / WhatsApp] 73999776785
[E-mail] carolinegestaors@gmail.com
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