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Política Novo Senado

Direita conquista quase 80% das vagas em disputa e redesenha o Senado para 2027

PL sai das urnas com 29 senadores e passa a ter a maior bancada da Casa; PT, com nove, segue como principal força da esquerda. Números ainda dependem da totalização oficial do TSE.

04/10/2026 22h03
Por: Redação
Direita conquista quase 80% das vagas em disputa e redesenha o Senado para 2027

 

Redação Sustentabilidade em Pauta · Salvador, 4 de outubro de 2026

As urnas deste domingo (4) renovaram dois terços do Senado Federal: 54 das 81 cadeiras estavam em disputa, duas por estado e pelo Distrito Federal. O resultado desloca a Casa para a direita. Das 54 vagas, 43 ficaram com candidatos de partidos classificados como de direita ou centro-direita e 11 com nomes da esquerda, o equivalente a 79,6% contra 20,4%, segundo levantamento publicado pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.

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O critério da coluna é amplo: inclui no campo da direita, além de PL, PP, Republicanos, União e Novo, as legendas tradicionalmente identificadas com o centro, como MDB, PSD, PSDB e Podemos. A esquerda reúne PT, PSB, PDT e Rede. Trata-se, como a própria coluna registra, de classificação editorial, sem correspondência com qualquer divisão oficial da Justiça Eleitoral.

O retrato das urnas

O PL foi o partido que mais elegeu: 20 dos 54 novos senadores, distribuídos por 15 unidades da Federação e com as duas vagas em Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina. O MDB vem em seguida, com sete eleitos, e o PT, com seis. Entre os nomes do PL estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (DF), Carlos Bolsonaro e Carol De Toni (SC) e Gustavo Gayer (GO). O Novo elegeu três senadores: Lahesio Bonfim (MA), Deltan Dallagnol (PR) e Marcel van Hattem (RS).

Somados aos 27 senadores eleitos em 2022, cujos mandatos seguem até janeiro de 2031, os novos eleitos formam a composição que toma posse em 1º de fevereiro de 2027:

Partido

Eleitos em 2026

Bancada em 2027

Bloco (critério SEP)

PL

20

29

Direita

PT

6

9

Esquerda

MDB

7

8

Centro

PP

3

6

Direita

Republicanos

2

6

Direita

PSD

2

5

Centro

União Brasil

2

4

Direita

PSB

3

4

Esquerda

Novo

3

3

Direita

PSDB

2

2

Centro

Podemos

2

2

Centro

PDT

1

1

Esquerda

Rede

1

1

Esquerda

Sem partido

—

1

—

Total

54

81

 

Fonte: listas de eleitos divulgadas pela imprensa em 4/10/2026 e dados do Senado sobre os mandatos até 2031. Sujeito à totalização e à diplomação pelo TSE.

A mudança mais expressiva é a do PL, que tinha 15 senadores no início do ano e praticamente dobra a bancada. No sentido oposto, o PSD, que chegou a ser o maior partido da legislatura, com 14 cadeiras, cai para cinco.

Duas leituras da mesma conta

O peso real da direita depende de onde se colocam MDB e PSD. Pelo critério amplo da coluna de O Globo, o campo da direita e da centro-direita alcança 65 das 81 cadeiras. Pelo critério adotado pelo Sustentabilidade em Pauta em seu card sobre a nova composição, que separa um bloco de centro, o quadro fica assim: 48 senadores de direita (PL, PP, Republicanos, União e Novo), 17 de centro (MDB, PSD, PSDB e Podemos), 15 de esquerda (PT, PSB, PDT e Rede) e um sem partido.

A diferença não é retórica. Ela muda o que a maioria pode fazer sozinha. A Constituição exige maioria absoluta, 41 votos, para aprovar a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (art. 101, parágrafo único); três quintos, 49 votos, para aprovar proposta de emenda constitucional em cada turno (art. 60, § 2º); e dois terços, 54 votos, para condenar autoridades em processo por crime de responsabilidade, inclusive ministros do STF (art. 52, parágrafo único). No critério restrito, a direita supera a maioria absoluta, mas fica a um voto do quórum de PEC. No critério amplo, superaria todos os patamares, desde que o centro votasse em bloco.

Ponto e contraponto

Ponto. A nova bancada dá à direita base suficiente para disputar com vantagem a eleição da Mesa Diretora em fevereiro de 2027, a presidência de comissões estratégicas, como a CCJ, e o ritmo das sabatinas de autoridades. Com o PL isolado como maior partido, a oposição ao atual governo deixa de depender de alianças pontuais para pautar a Casa.

Contraponto. O Senado tem histórico de baixa disciplina partidária, e MDB e PSD costumam negociar com governos de diferentes orientações. O alinhamento do centro dependerá, em boa medida, do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Há ainda a possibilidade de migrações: no julgamento da ADI 5.081, em 2015, o STF afastou a perda de mandato por infidelidade partidária nos cargos eleitos pelo sistema majoritário, o que inclui os senadores. Bancadas definidas nas urnas, portanto, podem mudar antes mesmo da posse.

A Bahia na nova composição

Na Bahia, os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, ambos do PT, ficaram com as duas vagas em disputa. Eles se somam a Otto Alencar (PSD), eleito em 2022, com mandato até 2031.

 

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