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Política Nova Câmara

Direita e centro-direita terão ampla maioria na nova Câmara

Sustentabilidade em Pauta indica 382 dos 513 deputados nos campos da direita e da centro-direita, cerca de três quartos da Casa, contra 131 da esquerda. PP/União e PL devem formar as maiores bancadas

04/10/2026 22h37
Por: Redação
Direita e centro-direita terão ampla maioria na nova Câmara

 

Redação Sustentabilidade em Pauta · Salvador, 4 de outubro de 2026

Os eleitores escolheram neste domingo (4) os 513 deputados federais que tomam posse em 1º de fevereiro de 2027. Até o fechamento desta edição, a Justiça Eleitoral ainda não havia consolidado o resultado nacional por partido. Um levantamento do Nexo Jornal publicado às 21h56 registrava 105 das 513 cadeiras definidas, com o PL à frente, seguido por União, Republicanos e PT.

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Para antecipar o desenho da nova Câmara, o Sustentabilidade em Pauta elaborou uma estimativa a partir do prognóstico divulgado em 25 de setembro pelo DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). O resultado aponta uma Câmara amplamente dominada pela direita e pela centro-direita. Somados, os dois campos chegam a 382 cadeiras, bem acima da maioria absoluta de 257. A esquerda fica com 131, cerca de um quarto da Casa.

Como foi feita a estimativa

O DIAP projetou, para cada partido ou federação, um cenário mínimo, um máximo e um médio, considerando pesquisas de intenção de voto, recandidaturas, histórico eleitoral, alianças estaduais e estrutura de campanha. Como a soma das médias do DIAP chega a 526 cadeiras, acima das 513 existentes, a estimativa do SEP ajustou proporcionalmente cada bancada ao tamanho real da Casa. A Câmara segue com 513 cadeiras em 2026: a ampliação para 531 aprovada pelo Congresso não vale para esta eleição.

Partido/federação

Eleitos em 2022

Bancada atual

Estimativa 2027

Campo

PP/União

106

98

104

Direita

PL

99

98

89

Direita

PT/PCdoB/PV

81

82

85

Esquerda

PSD

42

48

51

Centro-direita

Republicanos

40

42

47

Direita

MDB

42

38

34

Centro-direita

Podemos

18

27

26

Centro-direita

PSB

14

17

18

Esquerda

PSOL/Rede

14

16

17

Esquerda

PSDB/Cidadania

18

19

13

Centro-direita

PDT

17

10

11

Esquerda

Solidariedade/PRD

12

7

9

Centro-direita

Avante

7

5

4

Centro-direita

Novo

3

5

4

Direita

Missão

0

1

1

Direita

Total

513

513

513

 

Fontes: DIAP, “Prognóstico do Novo Congresso Nacional – Eleições 2026” (eleitos em 2022, bancada atual e projeção média); ajuste proporcional a 513 cadeiras pelo SEP. Estimativa sujeita à totalização oficial do TSE.

Pela estimativa, a federação PP/União deve ultrapassar o PL e formar a maior bancada, com 104 deputados, contra 89 do PL. A federação PT/PCdoB/PV aparece em terceiro, com 85. Entre os partidos médios, PSD e Republicanos crescem, enquanto MDB e PSDB/Cidadania encolhem.

O que as urnas já sinalizam

Os resultados já fechados em alguns estados sugerem que o PL pode superar a projeção média. O partido elegeu 19 dos 70 deputados de São Paulo, 8 dos 31 do Rio Grande do Sul, 5 dos 30 do Paraná, 4 dos 17 de Goiás e 3 dos 8 deputados de Mato Grosso do Sul e de Rondônia. Nesses seis estados, que somam 134 cadeiras, o PL ficou com 42, cerca de 31%, bem acima dos 17% atribuídos ao partido na estimativa nacional. A vantagem, porém, vem de regiões onde a legenda é tradicionalmente forte, e não autoriza projetar o mesmo desempenho no Norte e no Nordeste.

Maiorias e quóruns

A Constituição fixa patamares diferentes conforme a matéria. A aprovação de leis complementares exige maioria absoluta, 257 votos (art. 69). Uma proposta de emenda constitucional precisa de três quintos, 308 votos, em dois turnos (art. 60, § 2º). E a autorização para instaurar processo contra o presidente da República depende de dois terços, 342 votos (art. 51, I).

Pela estimativa, direita e centro-direita somam 382 deputados e superam com folga todos esses patamares, inclusive o de 342 votos. Dentro desse campo, os partidos de direita propriamente ditos (PL, PP/União, Republicanos, Novo e Missão) reúnem 245 cadeiras, a 12 da maioria absoluta. A esquerda, com 131, não alcança sequer os 206 votos que bastariam para impedir a aprovação de uma PEC.

Ponto e contraponto

Ponto. Com cerca de três quartos das cadeiras, direita e centro-direita terão condições de comandar a eleição da Mesa em fevereiro, as principais comissões e a pauta de votações. Qualquer que seja o vencedor do segundo turno presidencial, em 25 de outubro, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o novo governo precisará desse campo para aprovar sua agenda.

Contraponto. A maioria não é um bloco homogêneo. Partidos de centro-direita como PSD, MDB e Podemos integram hoje a base do governo Lula e costumam negociar com qualquer presidente, o que limita a leitura da maioria como oposição automática. Além disso, estimativas para a eleição proporcional têm margem larga. O próprio DIAP previa entre 78 e 103 cadeiras para o PL e entre 93 e 121 para PP/União, e os primeiros resultados estaduais já se afastam da média em alguns casos. Diferentemente do Senado, porém, a Câmara tende a ter bancadas mais estáveis ao longo do mandato: deputados que deixam o partido fora da janela legal perdem o mandato por infidelidade, e as federações, como PT/PCdoB/PV, PP/União e PSOL/Rede, devem atuar como um único partido por no mínimo quatro anos (Lei 14.208/2021).

A Bahia na nova Câmara

A Bahia elege 39 deputados federais. Na parcial compilada pelo Bahia Notícias às 21h41 de domingo, a Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) aparecia com a maior bancada do estado, 10 deputados, seguida pela federação União Progressista (União/PP), com 8, e pelo PSD, com 6. O PL somava 4; Republicanos e Avante, 3 cada; PSDB/Cidadania, 2; e PDT, MDB e PSB, 1 cada.

Pelo critério do Sustentabilidade em Pauta, a bancada baiana se divide em 27 deputados de direita e centro-direita (15 e 12, respectivamente) e 12 de esquerda. Também na Bahia a maioria fica com esses campos, mas a esquerda tem peso maior que no quadro nacional, em linha com a força do grupo governista no estado, que reelegeu Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno e ficou com as duas vagas ao Senado. O deputado federal mais votado na Bahia foi Pastor Sargento Isidório (Avante), com quase 250 mil votos.

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