O primeiro turno deste domingo (4) confirmou a polarização e deixou o centro político sem protagonismo. O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega ao segundo turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de um primeiro turno que se afastou do cenário indicado pela maioria das pesquisas na reta final. Flávio recebeu 47,50% dos votos válidos e Lula teve 44,61%, com diferença de cerca de 2,6 milhões de votos. A decisão será em 25 de outubro.
O fracasso do projeto Kassab
O maior revés foi do PSD. O partido lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado na briga pelo Palácio do Planalto, mas ele ficou em quinto lugar com 2,19% dos votos válidos, tendo o próprio presidente da legenda, Gilberto Kassab, como vice. Foi a primeira candidatura presidencial da história do partido, encerrada sem chegar perto do segundo turno.
O desgaste já era visível antes da votação. Na quinta-feira, o candidato do PSD ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, deixando de apoiar o candidato do próprio partido na reta final do primeiro turno, sob o argumento de que Caiado não alcançara viabilidade eleitoral. Até no reduto de Caiado o resultado foi magro: em Goiás, com 91% das seções apuradas, Flávio tinha 54%, Lula 30,6% e Caiado 12,3%.
Analistas apontam a própria estratégia do partido como fator. A legenda deu liberdade aos diretórios estaduais para definir seus próprios arranjos, e o resultado foi um mosaico de alianças que fortaleceu candidatos de diferentes campos e limitou a capacidade de Caiado de transformar a força do partido nos estados em ativo para a disputa nacional.
Na noite de domingo, o PSD declarou neutralidade no segundo turno e liberou diretórios e parlamentares. Kassab lamentou o resultado, afirmando que o país "perdeu uma oportunidade".
PL avança sobre territórios do centro
O avanço bolsonarista atingiu bases tradicionais do PSD e do Centrão. O PL conquistou os governos dos três estados do Sul: Zucco no Rio Grande do Sul, Sergio Moro no Paraná e Jorginho Mello, reeleito em Santa Catarina. No Paraná, governado por Ratinho Júnior (PSD), Moro derrotou o pupilo de Ratinho. No Senado, o PL elegeu 19 senadores, 35% das 54 cadeiras em disputa.
Neutralidade cobrou seu preço
O Centrão havia optado por ficar fora da disputa presidencial. Ao todo, sete partidos escolheram a neutralidade: MDB, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, PSDB e Cidadania, apostando em bilhões em cadeiras no Congresso. O resultado é que nenhum desses partidos terá voz própria na decisão do Planalto, e todos chegam ao segundo turno como coadjuvantes de PT e PL.
Ressalvas
O quadro não é de derrota uniforme. Siglas do Centrão tiveram vitórias estaduais relevantes: Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito governador de Minas Gerais no primeiro turno, e Daniel Vilela, do MDB, foi eleito governador de Goiás. O tamanho real das bancadas na Câmara, onde o Centrão concentrava sua aposta, ainda depende da totalização final, e só então será possível medir se a estratégia congressual compensou a ausência na corrida presidencial.

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