As eleições de 4 de outubro mudaram a cara das bancadas baianas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Nomes tradicionais ficaram sem mandato, estreantes chegaram com votações expressivas e a direita produziu alguns dos fenômenos eleitorais do pleito. Nem toda saída, porém, foi derrota nas urnas. É preciso separar quem perdeu a reeleição, quem nem chegou a concorrer e quem tentou trocar de Casa.
Os fenômenos da direita
Três nomes do campo da direita se destacaram entre os mais votados do estado.
Na Câmara, o estreante Sandro Filho (PP) foi o 6º mais votado da Bahia, com 167.394 votos, à frente de deputados veteranos. Logo atrás veio a médica Raíssa Soares (PL), 8ª colocada, com 162.370 votos. Em 2022 ela havia disputado o Senado pelo PRTB, sem sucesso. Agora chega a Brasília como a mais votada do PL baiano, partido que elegeu quatro deputados federais.
Na Assembleia, o destaque foi Diego Castro (PL). Reeleito com 160.305 votos, foi o segundo mais votado para a ALBA, atrás apenas de Ivana Bastos (PSD). O desempenho puxou o crescimento do partido, que saltou de 4 para 7 deputados estaduais. Foi o maior avanço entre as legendas do campo da direita e o terceiro maior da Casa, atrás de Avante e PDT. O PL é hoje a terceira maior bancada da ALBA, atrás de PT e PSD.
Parte desse crescimento veio de quem trocou de legenda. É o caso de Paulo Câmara, eleito em 2022 pelo PSDB, que ficou na suplência e assumiu o mandato em dezembro de 2024. Já filiado ao PL, foi eleito com 65.682 votos. Samuel Júnior, eleito em 2022 pelo Republicanos, também renovou o mandato agora pelo PL.
Câmara: quem não disputou
Dos 39 deputados federais em exercício, 37 se candidataram à reeleição. Os únicos que ficaram fora da disputa foram José Rocha (União Brasil) e José Carlos Araújo (DC). José Rocha apoiou o filho, Manuel Rocha, eleito pelo União Brasil.
Câmara: quem tentou e ficou de fora
Os deputados federais que disputaram novo mandato e não ficaram entre os 39 eleitos foram:
O caso de Arthur Maia chama atenção. Com a apuração ainda em andamento, ele aparecia na 35ª posição por volta das 20h22 de domingo, com 77,37% das seções totalizadas. Na totalização final, ficou fora da lista de eleitos.
Da ALBA para Brasília: tentativa frustrada
Leandro de Jesus (PL) não buscou a reeleição na Assembleia. Deputado estadual eleito em 2022 para o primeiro mandato, ele trocou a disputa pela ALBA pela candidatura à Câmara Federal e não se elegeu. Com isso, também não terá mandato a partir de 2027.
Quem se salvou pela média
Charles Fernandes (PSD) e Elmo Vaz (Avante), apontados como derrotados em levantamentos parciais, foram eleitos. Charles teve 87.945 votos e Elmo, 65.558. Ambos entraram pelas sobras (média), assim como Félix Mendonça (PDT), que ficou com a última vaga, com 60.159 votos.
A nova bancada federal
Pastor Sargento Isidório (Avante) foi o mais votado, com 248.147 votos. O PT elegeu a maior bancada, com 7 deputados; PSD e União Brasil, 6 cada; PL, 4; Avante, Republicanos e PCdoB, 3 cada; PP e PSDB, 2 cada; e MDB, PSB e PDT, 1 cada. Dos 39 eleitos, 28 foram reeleitos e seis são mulheres.
Além de Sandro Filho e Raíssa Soares, estreiam na Câmara Olivia Santana (PCdoB), Carlos Muniz (PSDB), Ditinho Avivip (União Brasil), Maria Marighella (PT) e Manuel Rocha (União Brasil).
ALBA: federação governista lidera
Na Assembleia Legislativa, a Federação Brasil da Esperança elegeu 20 dos 63 deputados: 14 do PT, 3 do PCdoB e 3 do PV. O PSD vem em seguida, com 9, e o PL, com 7. União Brasil, Avante e PDT ficaram com 5 cadeiras cada; Republicanos, com 4; PP, com 3; MDB e PSDB, com 2 cada; e PSOL, com 1.
Na comparação com 2022, três partidos se destacaram pelo crescimento. Avante e PDT, que haviam eleito apenas um deputado estadual cada há quatro anos (Patrick Lopes e Emerson Penalva, respectivamente), conquistaram agora cinco cadeiras cada, alta de 400%. O PL vem em terceiro: passou de 4 para 7 deputados, alta de 75%.
Nos três casos, parte do avanço foi construída antes da eleição, com a chegada de deputados de outras legendas durante a janela partidária. O Avante chegou a reunir seis parlamentares após a janela, mas elegeu cinco. Dois dos seus deputados em exercício, Felipe Duarte e Laerte do Vando, ficaram de fora.
Ivana Bastos (PSD) foi a mais votada, com 203.202 votos. Na outra ponta, Jordávio Ramos (PSDB) foi o último a garantir vaga, com 48.100 votos.
O sistema proporcional produziu inversões. Cinco candidatos ficaram entre os 63 mais votados e não se elegeram: Hilton Coelho (PSOL), com 64.500 votos; Marcelinho Veiga (PP); Quinho (PSD); Kátia Oliveira (União Brasil); e Wagner Alves (União Brasil). Em sentido contrário, cinco eleitos vieram de posições abaixo da 63ª: Soldado Prisco (PL), José de Arimateia (Republicanos), Jordávio Ramos (PSDB), Josafá Marinho (PDT) e Cacau da Mata (PDT).
Entre os deputados estaduais em exercício que não renovaram o mandato estão Hilton Coelho (PSOL); Felipe Duarte (Avante), com 51.921 votos; Laerte do Vando (Avante), com 48.580; e Matheus de Geraldinho (MDB), com 41.855. Filho do vice-governador Geraldo Júnior, Matheus estava no primeiro mandato, conquistado em 2022 com 60.214 votos. Também ficaram de fora Fabíola Mansur (PV), com 47.016, Radiovaldo (PT), com 46.597, e Jusmari Oliveira (PSD), com 41.151, que haviam assumido como suplentes.
Lista dos 39 deputados federais eleitos (ordem de votação)
Lista dos 63 deputados estaduais eleitos (ordem de votação)
As listas podem sofrer ajustes.
Fontes: TSE, CNN Brasil e Bahia Notícias (100% das urnas apuradas).
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