Um macaco-prego do ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB) fugiu da casa onde o político mora e invadiu outras residências do condomínio Alphaville 2, na região da Avenida Paralela, em Salvador, na segunda-feira (5). Cinco pessoas ficaram feridas: três moradores, um segurança do condomínio e um policial militar.
O animal estava agressivo. Quebrou um box de vidro e entrou no quarto de uma bebê de cinco dias. Segundo o BNews, a polícia tentou capturá-lo, mas o macaco resistiu e chegou a avançar contra os agentes. O site também relatou um desentendimento entre a moradora da casa invadida e uma mulher identificada como funcionária do ex-deputado.
Captura durou horas
Os moradores chamaram a Polícia Militar. O Centro Integrado de Comunicações (Cicom), da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), acionou a Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA). A captura começou no fim da manhã e terminou por volta das 14h30, depois que o macaco pulou os muros de várias casas. Os policiais usaram um puçá, um tipo de rede, e luvas de couro para contê-lo.
O policial foi mordido e atendido na UPA de Itapuã. A PM informou que acompanha o tratamento. Os moradores e o segurança feridos foram à Delegacia de Itapuã para registrar a ocorrência e prestar depoimento.
Macaco beberrão
Segundo moradores, o macaco teria ingerido bebida alcoólica, álcool 70% e uma cartela de remédios encontrados em uma das casas. A suspeita é que isso tenha agravado a agitação dele. O animal foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), gerido pelo Inema. Lá, os técnicos disseram que ele estava debilitado e precisava de cuidados.
Fugas anteriores e silêncio do dono
Os relatos indicam que o macaco é mantido de forma legalizada, com certificado de origem. Mas a COPPA já tinha recebido chamados anteriores por fugas do animal. Uma moradora disse ao BNews que "não seria a primeira vez que o animal causa transtornos".
Marcell Moraes não estava no condomínio durante a ocorrência. Até a publicação, ele não tinha se manifestado. O BNews tentou contato e não teve resposta. O espaço segue aberto.
Marcell Moraes foi vereador de Salvador pelo PV, a partir de 2013, e deputado estadual de 2015 a 2020, quando o mandato foi cassado pelo TSE. Na eleição do último domingo (4), concorreu a deputado federal pelo PSDB e não foi eleito, com 4.338 votos. Na política, ficou conhecido pela defesa da causa animal.
O que diz a lei
A documentação regular do animal não afasta a responsabilidade do dono pelo que aconteceu.
Primatas não são animais de estimação. São inteligentes, fortes e podem ficar agressivos, sobretudo quando adultos ou estressados. Um animal que foge com frequência em área residencial é um risco anunciado. O certificado prova que a compra foi legal, mas não garante que a guarda seja segura. A lição vale ainda mais para quem fez da causa animal uma bandeira pública.
A criação a partir de criadouros autorizados é defendida por parte do setor como alternativa ao tráfico. Em agosto, a polícia prendeu em Salvador um suspeito de vender macacos-prego por até R$ 20 mil cada, com documentos falsos. O dono ainda não foi ouvido, e é preciso saber que medidas ele adotou depois das fugas anteriores. A ingestão de álcool e remédios também depende de laudo veterinário.
Atenção à saúde
Mordidas e arranhões de primatas são considerados acidentes com risco de transmissão da raiva. Quem teve contato deve procurar uma unidade de saúde para avaliar a profilaxia antirrábica, mesmo que o ferimento pareça leve. Em caso de animal silvestre em área urbana, a orientação é não se aproximar e acionar a COPPA pelo 190.
Fontes:
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