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Política Lulinha investigado

“Se alguém me matar ou as minhas filhas, a culpa é de Lula”, afirma melhor amiga de Lulinha

Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (17), a oito dias do segundo turno, a lobista Roberta Luchsinger diz receber cerca de 50 ameaças de morte por dia, chama o presidente de “canalha”, “covarde” e “grande mentiroso” e promete delação premiada sem poupar o filho dele

17/10/2026 21h37
Por: Redação
Redes sociais
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A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por qualquer violência que venha a atingir a ela ou às suas duas filhas. Em entrevista exclusiva exibida pela CNN Brasil na noite deste sábado (17), ela atribuiu a onda de ameaças que diz sofrer ao fato de o presidente tê-la chamado de "pilantra" em rede nacional. "Se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula", afirmou.

Investigada pela Polícia Federal ao lado de Lulinha por suspeita de tráfico de influência, Luchsinger disse receber cerca de cinquenta ameaças de morte por dia e relatou que as redes sociais das filhas foram invadidas por mensagens prevendo estupro e esfaqueamento. Para ela, Lula usou a máquina pública e um horário de grande audiência para expô-la antes do fim das investigações. Qualquer agressão, disse, "vai ter a digital do Presidente da República" — e carregará "o X de sangue que ele fez na minha testa". Descreveu-se como uma mulher sozinha, com duas filhas, e afirmou ter os bens bloqueados pela Justiça.

"Canalha, covarde e mau-caráter"

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O tom foi de ruptura. Luchsinger chamou o presidente de "grande mentiroso", classificou sua atitude como canalha, covarde e de mau-caráter, e disse que Lula não tem o direito de se apresentar como defensor das mulheres: segundo ela, nenhuma mulher ligada ao petista a apoiou — ao contrário, teriam repetido o rótulo de pilantra.

Delação e o "filho do rapaz"

O ponto de maior risco para o Planalto foi a versão sobre a circulação do filho do presidente em Brasília. Segundo a lobista, Lulinha sentou-se "inúmeras vezes" com ministros do governo — o que Lula nega. Ela disse que colaborará integralmente com a PF e anunciou a intenção de negociar delação premiada: "Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade". E acrescentou que, se a polícia "for a fundo", vai chegar ao "filho do rapaz" — expressão de mensagem atribuída ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", lida como referência a Lulinha.

Luchsinger também afirmou que a empreiteira portuguesa Mota-Engil teria fechado contrato de cerca de R$ 2 bilhões no Brasil em razão da amizade entre o presidente da empresa no país, Amauri Rodrigues Pinha, e Lulinha, de quem teria sido vizinho; os dois, segundo ela, reuniam-se com frequência para tratar de negócios, inclusive em sua casa. A acusação não veio acompanhada de documentos, e o espaço segue aberto à manifestação da empresa e do executivo.

Ao mesmo tempo, a lobista negou ter mantido relação de negócios com Lulinha, de quem disse ser apenas amiga. Confirmou tê-lo apresentado ao Careca do INSS, mas descreveu o encontro como social e negou ter repassado dinheiro ao filho do presidente. A PF apura se R$ 1,5 milhão recebido por ela do empresário chegou a Lulinha, que vive em Madri. Não há, até o momento, acusação formal contra o filho do presidente — e suspeitas em investigação não equivalem a culpa.

O outro lado

Lula já se manifestou publicamente duas vezes sobre a lobista. Na sabatina da TV Globo, em 27 de agosto, disse não conhecê-la — "Nunca vi essa moça na minha vida" — e classificou as suspeitas contra o filho como "ilações" tiradas de telefonemas, sem acusação formal. No Flow Podcast, em 1º de outubro, chamou-a de "pilantra muito grande", comparou-a ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e negou ter-lhe oferecido cargo no governo. Nas duas ocasiões, afirmou que o filho não terá proteção da PF e deve prestar os esclarecimentos devidos. Fotos publicadas pela própria Luchsinger no Instagram, em 2022 e 2023, mostram-na ao lado do presidente e da primeira-dama. Até o fechamento desta reportagem, não havia manifestação pública do Palácio do Planalto, da campanha de Lula ou da defesa de Fábio Luís sobre a entrevista deste sábado; o espaço segue aberto.

A entrevista foi ao ar a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

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