A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por qualquer violência que venha a atingir a ela ou às suas duas filhas. Em entrevista exclusiva exibida pela CNN Brasil na noite deste sábado (17), ela atribuiu a onda de ameaças que diz sofrer ao fato de o presidente tê-la chamado de "pilantra" em rede nacional. "Se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula", afirmou.
Investigada pela Polícia Federal ao lado de Lulinha por suspeita de tráfico de influência, Luchsinger disse receber cerca de cinquenta ameaças de morte por dia e relatou que as redes sociais das filhas foram invadidas por mensagens prevendo estupro e esfaqueamento. Para ela, Lula usou a máquina pública e um horário de grande audiência para expô-la antes do fim das investigações. Qualquer agressão, disse, "vai ter a digital do Presidente da República" — e carregará "o X de sangue que ele fez na minha testa". Descreveu-se como uma mulher sozinha, com duas filhas, e afirmou ter os bens bloqueados pela Justiça.
"Canalha, covarde e mau-caráter"
O tom foi de ruptura. Luchsinger chamou o presidente de "grande mentiroso", classificou sua atitude como canalha, covarde e de mau-caráter, e disse que Lula não tem o direito de se apresentar como defensor das mulheres: segundo ela, nenhuma mulher ligada ao petista a apoiou — ao contrário, teriam repetido o rótulo de pilantra.
Delação e o "filho do rapaz"
O ponto de maior risco para o Planalto foi a versão sobre a circulação do filho do presidente em Brasília. Segundo a lobista, Lulinha sentou-se "inúmeras vezes" com ministros do governo — o que Lula nega. Ela disse que colaborará integralmente com a PF e anunciou a intenção de negociar delação premiada: "Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade". E acrescentou que, se a polícia "for a fundo", vai chegar ao "filho do rapaz" — expressão de mensagem atribuída ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", lida como referência a Lulinha.
Luchsinger também afirmou que a empreiteira portuguesa Mota-Engil teria fechado contrato de cerca de R$ 2 bilhões no Brasil em razão da amizade entre o presidente da empresa no país, Amauri Rodrigues Pinha, e Lulinha, de quem teria sido vizinho; os dois, segundo ela, reuniam-se com frequência para tratar de negócios, inclusive em sua casa. A acusação não veio acompanhada de documentos, e o espaço segue aberto à manifestação da empresa e do executivo.
Ao mesmo tempo, a lobista negou ter mantido relação de negócios com Lulinha, de quem disse ser apenas amiga. Confirmou tê-lo apresentado ao Careca do INSS, mas descreveu o encontro como social e negou ter repassado dinheiro ao filho do presidente. A PF apura se R$ 1,5 milhão recebido por ela do empresário chegou a Lulinha, que vive em Madri. Não há, até o momento, acusação formal contra o filho do presidente — e suspeitas em investigação não equivalem a culpa.
O outro lado
Lula já se manifestou publicamente duas vezes sobre a lobista. Na sabatina da TV Globo, em 27 de agosto, disse não conhecê-la — "Nunca vi essa moça na minha vida" — e classificou as suspeitas contra o filho como "ilações" tiradas de telefonemas, sem acusação formal. No Flow Podcast, em 1º de outubro, chamou-a de "pilantra muito grande", comparou-a ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e negou ter-lhe oferecido cargo no governo. Nas duas ocasiões, afirmou que o filho não terá proteção da PF e deve prestar os esclarecimentos devidos. Fotos publicadas pela própria Luchsinger no Instagram, em 2022 e 2023, mostram-na ao lado do presidente e da primeira-dama. Até o fechamento desta reportagem, não havia manifestação pública do Palácio do Planalto, da campanha de Lula ou da defesa de Fábio Luís sobre a entrevista deste sábado; o espaço segue aberto.
A entrevista foi ao ar a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Democracia? Nota à nação de Flávio Bolsonaro
Crise política Flávio Bolsonaro deixa o Brasil, chega a Miami e se declara “presidente eleito”: crise política ganha dimensão internacional
Fuga ou refúgio? Secretário de Estado dos Estados Unidos arquitetou fuga do Senador Flávio Bolsonaro, diz aliado de Trump
Fugitivo ou Exilado? Alexandre de Moraes dispara alerta internacional contra Flávio Bolsonaro
Fuga ou Asilo? Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil rumo aos EUA após derrota no 2º turno, diz site argentino
Virada inusitada Cerca de 73,6% dos votos “novos” foram para Lula