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Agronegócio Boletim do Agro

Safra, eleições e mercados internacionais: os desafios do agro brasileiro no novo ciclo político

Entenda

02/11/2026 16h19
Por: Redação Fonte: Georges Humbert
MetaIA
MetaIA

Sustentabilidade em Pauta | Novembro de 2026

O agronegócio brasileiro começa novembro de 2026 diante de um cenário de oportunidades e incertezas. De um lado, o país mantém perspectivas de uma nova safra expressiva, amplia o acesso de produtos nacionais a mercados internacionais e consolida sua posição como fornecedor estratégico de alimentos. De outro, enfrenta custos elevados, riscos climáticos, dificuldades de financiamento, dependência de fertilizantes importados e disputas políticas sobre o modelo de desenvolvimento rural.

A última semana de outubro trouxe acontecimentos importantes: a confirmação de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros, o reconhecimento internacional da regionalização sanitária diante dos focos de doença de Newcastle em Santa Catarina, a divulgação de dados sobre fretes e importações de fertilizantes e a continuidade das preocupações com o El Niño.

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No plano político, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva abre um novo período de negociações entre o governo federal e o setor produtivo. Crédito rural, seguro agrícola, endividamento, infraestrutura, segurança jurídica, comércio exterior e política ambiental estarão entre as principais cobranças do agronegócio a partir de 2027.

O desafio é preservar a competitividade de um dos setores mais importantes da economia brasileira, conciliando produtividade, inovação, responsabilidade ambiental e segurança alimentar.


1. Eleições de 2026: o que esperar do novo governo para o agronegócio?

A reeleição de Lula, em 25 de outubro, definiu a continuidade da orientação política do governo federal para os próximos quatro anos. Entretanto, a relação entre o Palácio do Planalto e o agronegócio deverá continuar sendo marcada por negociações, divergências e disputas sobre políticas públicas.

O setor chega ao novo ciclo com uma pauta objetiva: crédito em condições compatíveis com a atividade rural, seguro agrícola efetivo, renegociação de dívidas, infraestrutura logística, redução dos custos de produção e ampliação dos mercados internacionais.

A bancada ruralista e a representação política ligada ao setor produtivo terão papel importante na negociação dessas medidas com o Executivo e o Congresso Nacional.

Durante a campanha, Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram propostas que convergiram em alguns temas, como ampliação do seguro rural, investimentos em infraestrutura e redução da dependência de fertilizantes importados. As diferenças apareceram especialmente no tratamento das dívidas rurais, no financiamento público, na agricultura familiar e nos mecanismos de apoio à produção.

As principais cobranças para o próximo mandato serão:

  • Crédito rural: ampliar o acesso aos financiamentos, reduzir burocracias e garantir previsibilidade dos recursos.

  • Seguro agrícola: assegurar orçamento suficiente e mecanismos capazes de proteger o produtor contra perdas climáticas.

  • Endividamento: encontrar soluções sustentáveis para produtores que enfrentam dificuldades financeiras.

  • Infraestrutura: ampliar ferrovias, rodovias, portos, armazenagem e corredores de exportação.

  • Fertilizantes: reduzir a dependência externa e estimular a produção nacional.

  • Segurança jurídica: garantir estabilidade regulatória, respeito à propriedade e previsibilidade no licenciamento ambiental.

  • Comércio exterior: ampliar mercados e evitar barreiras sanitárias e comerciais desproporcionais.

Análise: o novo governo terá de superar a resistência de parte do setor produtivo e construir uma relação institucional baseada em resultados. O agronegócio não depende de alinhamento ideológico com o governo, mas de políticas públicas consistentes, segurança jurídica e condições econômicas para produzir.

A capacidade de diálogo com o Congresso e com as entidades representativas do setor será decisiva.

Fontes: CNN Brasil — Lula terá de superar resistência do agro e negociar com Congresso | Notícias Agrícolas — Lula é reeleito: o que promete ao agro e quais cobranças encontrará.


2. Safra 2026/27: Conab projeta produção de 367,1 milhões de toneladas

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção brasileira de grãos poderá alcançar 367,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 1,4% em relação ao ciclo anterior.

A área plantada deverá chegar a aproximadamente 85,4 milhões de hectares, expansão de 2,3%.

Entre as principais culturas, as projeções indicam:

  • Soja: 181,6 milhões de toneladas.

  • Milho: 148 milhões de toneladas.

  • Arroz: 10,8 milhões de toneladas.

O crescimento esperado está associado principalmente à ampliação da área cultivada, embora a produtividade média possa apresentar pequena redução.

O milho deverá registrar expansão importante, enquanto a soja continuará ocupando posição central na pauta agrícola e nas exportações brasileiras.

O resultado final, contudo, dependerá das condições climáticas, da disponibilidade de insumos, do custo do crédito e da evolução dos preços internacionais.

Análise: o Brasil permanece em posição privilegiada na produção mundial de alimentos. Entretanto, o aumento da área plantada não deve ser confundido automaticamente com ganhos de eficiência. A produtividade, a conservação do solo, o manejo hídrico e a adoção de tecnologias serão fundamentais para assegurar o crescimento sustentável.

Fonte: Conab — Primeiro levantamento da safra de grãos 2026/27.


3. El Niño: clima volta a preocupar produtores rurais

O fenômeno El Niño permanece entre os principais fatores de risco para a safra 2026/27.

O Ministério da Agricultura e Pecuária atualizou, em 29 de outubro, o painel de acompanhamento do fenômeno, com informações sobre seus possíveis impactos na agricultura, na pecuária, na piscicultura e nas diferentes regiões do país.

As consequências não são uniformes. O Sul pode enfrentar excesso de chuvas, enquanto partes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste podem sofrer com irregularidade das precipitações e períodos de déficit hídrico.

A Embrapa recomenda estratégias específicas para cada região, incluindo:

  • escalonamento da semeadura;

  • escolha de cultivares adaptadas;

  • conservação do solo e da água;

  • melhoria da drenagem em áreas sujeitas a excesso de chuva;

  • planejamento de reservas de água e forragem;

  • utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc);

  • contratação de instrumentos de proteção financeira e seguro rural.

No Nordeste, o planejamento hídrico merece atenção especial. A irregularidade das chuvas pode afetar lavouras, pastagens, produção de frutas e abastecimento de água para os rebanhos.

Na Bahia, a agricultura irrigada do Vale do São Francisco também precisa acompanhar os custos de energia, a disponibilidade hídrica e as condições climáticas que influenciam a produção e a qualidade das frutas.

Análise: o El Niño reforça a necessidade de transformar gestão climática em componente permanente do planejamento rural. A agricultura brasileira não pode depender exclusivamente da ocorrência de chuvas favoráveis. Irrigação eficiente, seguro rural, tecnologia, conservação do solo e assistência técnica são instrumentos de competitividade.

Fontes: MAPA — Painel El Niño/Inmet | Embrapa — El Niño exige estratégias diferentes para a agropecuária nas cinco regiões.


4. Doença de Newcastle: regionalização sanitária evita perdas bilionárias

A confirmação de focos da doença de Newcastle em granjas comerciais de Santa Catarina, em outubro, colocou novamente a defesa sanitária brasileira no centro das preocupações do comércio internacional.

A resposta do Ministério da Agricultura, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores e o setor produtivo, conseguiu limitar as restrições comerciais de diversos parceiros às regiões afetadas.

Em 28 de outubro, o MAPA informou que o reconhecimento da regionalização sanitária ajudou a evitar perdas potenciais estimadas em aproximadamente US$ 954 milhões por ano.

O valor corresponde a uma estimativa de perdas que poderiam ocorrer caso os parceiros comerciais aplicassem restrições nacionais semelhantes às adotadas durante o episódio de 2024.

Em 30 de outubro, o México anunciou que passaria a reconhecer a regionalização sanitária, limitando as restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina.

A medida preserva as exportações dos demais estados brasileiros habilitados, respeitadas as exigências sanitárias de cada mercado.

O episódio demonstra a importância de protocolos de vigilância, transparência epidemiológica e negociação internacional.

Análise: a regionalização sanitária é uma conquista importante para o agronegócio brasileiro. Um foco localizado não deve produzir automaticamente o bloqueio comercial de toda a produção nacional quando existem condições técnicas para delimitar a área afetada e comprovar a segurança sanitária das demais regiões.

A defesa agropecuária é parte da infraestrutura econômica do país. Sem credibilidade sanitária, o Brasil corre o risco de perder mercados construídos ao longo de décadas.

Fontes: MAPA — Regionalização sanitária reduz impacto comercial da doença de Newcastle | MAPA — México retoma importações de produtos avícolas do Brasil.


5. Brasil abre novos mercados para produtos agropecuários

O Ministério da Agricultura anunciou, em 29 de outubro, a conclusão de negociações sanitárias que permitirão a exportação de produtos agropecuários brasileiros para Bangladesh e Colômbia.

A abertura de mercados amplia as oportunidades para produtores, cooperativas e empresas exportadoras, além de reduzir a dependência de poucos destinos comerciais.

O movimento faz parte de uma estratégia de diversificação das exportações, que ganhou importância diante das disputas comerciais internacionais e das barreiras sanitárias impostas por alguns países.

Em outubro, o governo também destacou que o Brasil alcançou 700 novas oportunidades de mercado para produtos agropecuários em 99 destinos desde 2023.

A expansão comercial representa uma oportunidade para diferentes cadeias produtivas, incluindo carnes, frutas, produtos de origem animal, pescados e alimentos processados.

Análise: abrir mercados é importante, mas consolidá-los exige regularidade de fornecimento, qualidade, rastreabilidade, certificação e competitividade logística. O Brasil precisa avançar na agregação de valor e não depender apenas da exportação de produtos primários.

A diversificação dos destinos também reduz a vulnerabilidade a crises sanitárias, conflitos geopolíticos e mudanças nas políticas comerciais dos principais compradores.

Fonte: MAPA — Notícias e abertura de mercados agropecuários.


6. Fertilizantes: importações caem 15,7% e acendem alerta sobre custos de produção

O Boletim Logístico da Conab, divulgado em 27 de outubro, apontou que as importações brasileiras de fertilizantes totalizaram 28,4 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, queda de aproximadamente 15,7% em relação ao mesmo período de 2025.

O volume representa o menor resultado para os nove primeiros meses do ano desde 2022.

A redução merece atenção porque o Brasil mantém elevada dependência externa de fertilizantes, especialmente nitrogenados, fosfatados e potássicos.

A ureia, por exemplo, sofreu pressão de preços em razão de fatores internacionais, enquanto outros produtos apresentaram movimentos diferentes.

A dependência de fornecedores externos expõe o produtor brasileiro a variações cambiais, custos de frete, conflitos geopolíticos e dificuldades logísticas.

Análise: a redução das importações não significa necessariamente falta de fertilizantes, mas exige acompanhamento dos estoques, dos preços e da disponibilidade de insumos para o plantio e a adubação.

A política de fertilizantes deve ser tratada como tema de segurança alimentar e competitividade nacional. É necessário estimular produção doméstica, pesquisa, eficiência no uso de nutrientes, reciclagem de resíduos e alternativas tecnológicas, sem criar protecionismo artificial que encareça ainda mais os insumos.

Fonte: Conab — Preço dos combustíveis e demanda por insumos influenciam fretes agrícolas em setembro.


7. Fretes e logística: custos de transporte pressionam o produtor

O mesmo levantamento da Conab identificou que os custos do transporte rodoviário permaneceram pressionados em setembro, especialmente pela alta dos combustíveis e pela movimentação de insumos destinados ao plantio da safra 2026/27.

A produção agrícola brasileira depende de uma estrutura logística que ainda apresenta gargalos importantes.

O transporte rodoviário continua predominante em diversas regiões, enquanto ferrovias, hidrovias e portos precisam ampliar sua capacidade de atendimento.

Em setembro, as exportações brasileiras alcançaram 5,2 milhões de toneladas de milho e 7,3 milhões de toneladas de soja.

O Arco Norte respondeu por 51,22% do escoamento do milho e 38,66% da soja entre janeiro e setembro, demonstrando sua importância crescente para a logística nacional.

Análise: a competitividade do agro não termina dentro da propriedade rural. O custo do transporte pode reduzir a margem do produtor e comprometer a capacidade de competir no mercado internacional.

A ampliação dos corredores ferroviários, a modernização dos portos, a manutenção das rodovias e a integração logística devem ser prioridades do próximo governo.

O setor precisa de infraestrutura planejada, investimentos contínuos e segurança jurídica para concessões e parcerias privadas.

Fonte: Conab — Boletim Logístico de outubro de 2026.


8. Plano Safra 2026/2027: R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial

O Plano Safra 2026/2027 prevê R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial, abrangendo custeio, comercialização e investimentos.

O programa contempla linhas para modernização das propriedades, armazenagem, irrigação, inovação tecnológica, aquisição de máquinas, geração de energia e sustentabilidade.

O governo também anunciou medidas para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer o Pronamp e estimular práticas produtivas sustentáveis.

O volume de recursos, entretanto, não representa automaticamente crédito disponível em condições adequadas para todos os produtores. Taxas de juros, exigências bancárias, garantias, limites de financiamento e disponibilidade efetiva dos recursos continuam determinantes.

A CNA havia apresentado propostas para o Plano Safra, defendendo previsibilidade orçamentária, fortalecimento do seguro rural, ampliação do crédito e instrumentos para enfrentar o endividamento.

Análise: o crédito rural é uma das principais ferramentas de política agrícola, mas sua eficácia depende de planejamento e execução. O produtor precisa saber quanto poderá financiar, em quais condições e com que previsibilidade.

O próximo governo terá de enfrentar o desafio de conciliar a necessidade de ampliar o financiamento com as limitações fiscais e o custo do dinheiro.

Fontes: MAPA — Plano Safra 2026/2027 | CNA — Propostas para o Plano Safra 2026/2027.


9. Seguro rural e endividamento: proteção financeira precisa sair do papel

A gestão de riscos tornou-se uma das questões mais importantes para o agronegócio brasileiro.

A combinação de eventos climáticos extremos, juros elevados, oscilações de preços e custos de produção pode comprometer a capacidade financeira de produtores mesmo quando a atividade apresenta bons resultados em ciclos anteriores.

A Lei nº 15.526/2026, sancionada em setembro, modernizou regras relacionadas ao seguro rural e aos instrumentos de proteção contra perdas.

O tema ganha relevância diante da possibilidade de eventos climáticos associados ao El Niño e da necessidade de ampliar a cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

A CNA defende orçamento previsível para o programa, ampliação da cobertura e mecanismos de financiamento que permitam ao produtor enfrentar períodos de dificuldade sem comprometer a continuidade da atividade.

Análise: o seguro rural não deve ser tratado como benefício eventual, mas como instrumento estrutural de política agrícola. Um sistema eficiente reduz riscos para produtores, bancos, seguradoras e para o próprio abastecimento nacional.

Também é necessário evitar soluções de renegociação que apenas adiem problemas financeiros sem enfrentar suas causas. O crédito deve ser acompanhado de gestão de riscos, assistência técnica e planejamento produtivo.

Fontes: Lei nº 15.526/2026 | CNA — Propostas para o Plano Safra 2026/2027.


10. Bahia: cacau, fruticultura e oportunidades para o agro regional

A Bahia tem condições de ocupar posição ainda mais relevante no agronegócio brasileiro, especialmente em fruticultura irrigada, cacau, café, grãos, pecuária e produção de alimentos.

Em outubro, o Ministério da Agricultura firmou parceria com o governo baiano para monitorar a produção de cacau em todo o estado.

A iniciativa reúne a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), com previsão de monitoramento contínuo e produção de estimativas por metodologia técnica.

A medida pode contribuir para melhorar o planejamento da cadeia cacaueira, identificar variações de produção e apoiar políticas públicas e decisões empresariais.

Outro destaque foi a visita da CNA a propriedades do Vale do São Francisco, em Juazeiro, para discutir questões estruturais da fruticultura.

A região possui importância estratégica na produção e exportação de uvas, mangas e outras frutas, mas enfrenta desafios relacionados a custos de energia, disponibilidade hídrica, logística, exigências fitossanitárias e concorrência internacional.

Análise: a Bahia precisa transformar suas vantagens naturais em competitividade permanente. Para isso, são fundamentais pesquisa, assistência técnica, irrigação eficiente, infraestrutura, segurança hídrica, qualificação profissional e acesso a mercados.

O fortalecimento da cadeia do cacau e da fruticultura irrigada pode gerar emprego, renda e desenvolvimento regional, desde que acompanhado de planejamento ambiental e gestão sustentável dos recursos naturais.

Fontes: MAPA — Acordo para monitoramento da produção de cacau na Bahia | CNA — Panorama do Agro, edição 38.


11. Sustentabilidade no campo: produtividade, rastreabilidade e mercado de carbono

A sustentabilidade tornou-se um fator cada vez mais relevante para o acesso aos mercados internacionais.

A rastreabilidade da produção, a redução do desmatamento ilegal, a conservação do solo, a recuperação de áreas degradadas e o uso eficiente da água estão entre os temas que influenciam as decisões de compradores, investidores e instituições financeiras.

O Brasil possui vantagens competitivas importantes em agricultura de baixo carbono, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, recuperação de pastagens e produção de biocombustíveis.

A expansão dessas práticas pode contribuir para aumentar a produtividade sem exigir necessariamente a abertura de novas áreas.

Também é necessário acompanhar a regulamentação do mercado brasileiro de carbono e as exigências internacionais de comprovação da origem dos produtos.

Análise: sustentabilidade não deve ser tratada como obstáculo à produção, mas como componente da competitividade. O produtor que investe em eficiência, rastreabilidade e conservação dos recursos naturais pode ampliar seu acesso a mercados e reduzir riscos comerciais.

Ao mesmo tempo, exigências ambientais devem ser proporcionais, transparentes e fundamentadas em critérios técnicos, evitando barreiras comerciais disfarçadas de proteção ambiental.


12. Agenda de novembro: o que acompanhar

13 de novembro — Novo levantamento da safra de grãos

A Conab prevê divulgar o segundo levantamento da safra 2026/27, com atualização das estimativas de área, produtividade e produção.

Plano Safra 2026/2027

Acompanhar a execução dos recursos anunciados, a disponibilidade efetiva de crédito, as taxas de juros e as condições de financiamento para custeio e investimento.

El Niño e calendário agrícola

Monitorar as atualizações do Inmet, da Embrapa e dos órgãos estaduais, especialmente diante dos riscos diferenciados entre as regiões produtoras.

Doença de Newcastle

Acompanhar a evolução epidemiológica em Santa Catarina, a recuperação das exportações e o reconhecimento da regionalização sanitária pelos países importadores.

Fertilizantes e logística

Observar a disponibilidade de insumos, os preços internacionais, o custo do diesel, os fretes e a movimentação nos principais corredores de exportação.

Comércio internacional

Acompanhar as negociações para abertura de novos mercados, as exigências sanitárias e as possíveis barreiras comerciais que possam afetar carnes, grãos e frutas brasileiras.


13. Perspectivas para 2027: cinco desafios do agronegócio brasileiro

O próximo ano será decisivo para consolidar a competitividade do setor. A combinação entre novo ciclo político, expansão da demanda mundial por alimentos e riscos climáticos exigirá respostas estruturais.

Cinco temas merecem atenção:

  1. Crédito e seguro rural: ampliar o financiamento, fortalecer a proteção contra perdas e enfrentar o endividamento de forma sustentável.

  2. Infraestrutura: reduzir custos logísticos, ampliar armazenagem e melhorar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.

  3. Insumos: reduzir vulnerabilidades externas, estimular a produção nacional de fertilizantes e ampliar a eficiência tecnológica.

  4. Mercados internacionais: diversificar destinos, preservar a credibilidade sanitária e agregar valor às exportações.

  5. Segurança jurídica e sustentabilidade: assegurar previsibilidade regulatória, respeito à propriedade, licenciamento eficiente e proteção ambiental baseada em critérios técnicos.

A Bahia deverá acompanhar especialmente as políticas de irrigação, a gestão hídrica, a fruticultura, a cadeia do cacau, a pecuária e a expansão da produção de grãos.


Conclusão editorial

O agronegócio brasileiro chega a novembro de 2026 com perspectivas positivas de produção e oportunidades relevantes no comércio internacional. A estimativa de uma safra superior a 367 milhões de toneladas demonstra a dimensão da capacidade produtiva nacional.

Entretanto, os desafios permanecem expressivos. O produtor precisa lidar com custos de insumos e transporte, riscos climáticos, dificuldades de financiamento e exigências cada vez maiores dos mercados consumidores.

A reeleição presidencial inaugura um novo ciclo de negociações entre o governo e o setor produtivo. O resultado dessa relação deverá ser medido pela capacidade de ampliar crédito, fortalecer o seguro rural, reduzir gargalos logísticos, estimular a inovação e preservar a segurança jurídica.

O Brasil não pode desperdiçar sua posição estratégica na produção mundial de alimentos. A competitividade do agro depende de ciência, tecnologia, infraestrutura, livre iniciativa, responsabilidade ambiental e políticas públicas consistentes.

O futuro do agronegócio brasileiro não está apenas em produzir mais, mas em produzir melhor, agregar valor, conquistar mercados e transformar produtividade em desenvolvimento econômico e social.

Boletim do Agronegócio — Novembro de 2026
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