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Opinião: Georges Humbert Artigo

Mãe é Sustentabilidade

Por Prof. Dr. Georges Humbert, Advogado

10/05/2026 20h18 Atualizada há 6 meses atrás
Por: Redação
Dídia, Tereza e Mirela Humbert / Têtê
Dídia, Tereza e Mirela Humbert / Têtê


Há expressões que carregam, em poucas palavras, séculos de sabedoria. “Mãe é sustentabilidade” é uma delas.

Não se trata apenas de uma homenagem afetiva às mulheres que nos deram a vida, mas de um reconhecimento profundo: antes mesmo de a humanidade cunhar o termo “sustentabilidade” em relatórios da ONU ou em conferências internacionais, as mães já praticavam, no silêncio do cotidiano, todos os seus princípios.


Cuidar é preservar

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A sustentabilidade, em sua essência, é a capacidade de manter, no presente, as condições que permitirão a vida no futuro. É o compromisso de não esgotar aquilo de que dependemos. E essa é, exatamente, a definição daquilo que uma mãe faz desde o instante em que gera vida: ela cuida hoje pensando no amanhã.


Quando ensina o filho a fechar a torneira, a não desperdiçar o alimento, a respeitar o jardim, a partilhar o que tem com o irmão — a mãe não está apenas educando. Ela está fundando, sem alarde, a primeira escola de sustentabilidade que o ser humano conhece. Antes da sala de aula, antes da lei, antes do tratado internacional, há o colo materno e suas lições.


Da Mãe Natureza à mãe humana


Não é por acaso que tantas culturas, ao longo da história, personificaram a Terra como mãe. Pachamama para os povos andinos, Gaia para os gregos, “Mãe Natureza” no nosso imaginário cotidiano. Há, nessa associação, uma verdade ancestral: aquilo que gera, alimenta e protege merece, em retorno, gratidão e cuidado.


A crise ambiental contemporânea pode ser lida, por esse prisma, como uma crise de relação com o materno — com aquilo que nos sustenta. Esquecemos que dependemos. Tratamos a casa comum como recurso infinito, como se a fonte nunca pudesse secar.

As mães, em sua sabedoria silenciosa, sempre souberam o contrário: nada se sustenta sem cuidado contínuo.


A economia do afeto


A sustentabilidade tem três pilares classicamente reconhecidos: o ambiental, o social e o econômico. Em todos os três, a figura materna está presente — e raramente reconhecida.


No ambiental, porque é frequentemente a mãe quem ensina o primeiro gesto ecológico: o plantio, a separação do lixo, o respeito ao animal. No social, porque a maternidade é talvez a mais radical das práticas de inclusão — ninguém é deixado de fora, ninguém é descartável. E no econômico, porque o trabalho de cuidado realizado nos lares, majoritariamente por mulheres, sustenta toda a economia formal, embora siga invisível nas contas nacionais.


Reconhecer que “mãe é sustentabilidade” é, portanto, também um ato de justiça. É admitir que a economia do afeto, do cuidado e da reprodução da vida é a base oculta sobre a qual se ergue tudo o mais.


O direito ao futuro


Do ponto de vista jurídico, a Constituição Federal de 1988 consagra, em seu artigo 225, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, em benefício “das presentes e futuras gerações”. Esse princípio da equidade intergeracional é, no fundo, um princípio materno: pensar nos filhos, e nos filhos dos filhos.


Toda mãe é, nesse sentido, uma constitucionalista intuitiva. Ela legisla, dentro de casa, em favor das gerações que ainda virão. Ela exige sacrifício do presente em nome do futuro. Ela compreende, antes de qualquer doutrina, que a herança mais valiosa que se deixa não é a material, mas a do mundo habitável.


Uma homenagem que é também um chamado


Dizer que “mãe é sustentabilidade” é uma homenagem — mas é também um chamado. Um chamado para que olhemos com novos olhos o trabalho silencioso do cuidado.

Para que tratemos as políticas públicas voltadas à maternidade, à infância e à família como políticas estruturais de sustentabilidade. Para que reconheçamos, no cotidiano doméstico, a primeira fronteira da preservação ambiental.


E, sobretudo, um chamado para que cada um de nós, diante da Terra que herdamos, se pergunte: estamos cuidando dela com a mesma constância com que fomos cuidados?

Estamos pensando nas gerações futuras com o mesmo afeto com que nossas mães pensaram em nós?


Se a resposta for sim, estaremos, enfim, à altura daquilo que aprendemos no berço. Porque, no fim das contas, sustentabilidade não é uma teoria sofisticada. É uma prática antiga. É o gesto materno aplicado ao planeta.


E por isso vale repetir, sem receio de soar simples: mãe é sustentabilidade.

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