O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira, o aceleramento do mapeamento e da exploração responsável de terras raras e minerais críticos no Brasil. Segundo o chefe do Executivo, o país está aberto a parcerias internacionais com Estados Unidos, China, Alemanha, França, Japão e outros, desde que a soberania nacional sobre os recursos seja preservada e a industrialização ocorra dentro do território brasileiro.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Esses 17 elementos químicos são essenciais para a fabricação de tecnologias verdes, como baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, smartphones e equipamentos de defesa. Sua exploração estratégica pode posicionar o país como fornecedor chave na transição para uma economia de baixo carbono.
“Estamos na era das terras raras, dos minerais críticos […] A gente vai ter que contar com a inteligência e a ciência […] para que a gente faça com que o Trump deixe de brigar com o Xi Jinping e venha se associar a nós para que a gente possa explorar aqui”, afirmou Lula durante a cerimônia de entrega de novas linhas do acelerador de partículas Sirius, no CNPEM, em Campinas.
O presidente reforçou que não há veto ou preferência por nenhum parceiro: “Pode vir chinês, alemão, francês, japonês, americano, quem quiser, desde que tenham consciência de que o Brasil não abre mão da sua soberania. Os minerais críticos são nossos, as terras raras são nossas e a gente quer explorar aqui dentro”.
Oportunidade para desenvolvimento sustentável
Especialistas em economia verde veem nos minerais críticos uma oportunidade única de alinhar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental. Diferentemente do modelo tradicional de exportação de commodities brutas, o governo defende que a exploração inclua processamento e agregação de valor local, gerando empregos qualificados, tecnologia nacional e maior retenção de riqueza.
A China atualmente domina cerca de 90% do processamento global de terras raras. Diversificar as cadeias de suprimento com padrões ambientais e sociais mais elevados pode reduzir riscos geopolíticos e incentivar práticas de mineração mais sustentáveis, como o uso de tecnologias de baixo impacto, reaproveitamento de água e recuperação de áreas degradadas.
A declaração de Lula ocorre em meio à disputa comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China, destacando o potencial do Brasil como parceiro estratégico em uma agenda de segurança de suprimentos para a economia verde mundial.
Com o apoio de infraestrutura científica de ponta, como o Sirius, o país busca mapear rapidamente suas reservas — atualmente conhecidas em apenas cerca de 30% do território — e avançar para uma exploração que combine competitividade global com responsabilidade socioambiental.
Quando a soberania e a sustentabilidade caminham juntas, o Brasil não apenas extrai recursos: constrói o futuro da economia circular e da transição energética planetária.
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