Tem gente tratando isso como simples “debate trabalhista”. Não é.
Condomínio funciona 24 horas por dia.
Sábado.
Domingo.
Madrugada.
Feriado.
Natal.
Ano Novo.
O prédio nunca para.
Tem porteiro, limpeza, segurança, manutenção, entrada de entregador, morador chegando às 3 da manhã, vazamento, elevador travando, garagem funcionando.
Agora imagine manter essa máquina funcionando com menos horas de trabalho sem reduzir salários.
A conta explode.
E ela vai explodir no colo do morador.
Muita gente ainda não percebeu o tamanho do problema. Quando falam em acabar com a escala 6x1, parece algo abstrato. Mas condomínio é matemática. Fria. Brutal.
Se um funcionário trabalha menos dias, alguém precisa cobrir as horas restantes.
Isso significa:
mais funcionários,
mais encargos,
mais férias,
mais FGTS,
mais adicional noturno,
mais custo trabalhista.
Em muitos prédios, folha salarial já consome metade do orçamento. Alguns síndicos já falam reservadamente em aumentos de 20%, 25%, até 30%.
E o pior:
isso pode acontecer perto das eleições.
Vai ter assembleia virando campo de guerra.
Morador revoltado.
Síndico pressionado.
Funcionário exigindo direitos.
Conta que simplesmente não fecha.
E aí começam os cortes:
menos segurança,
menos limpeza,
manutenção adiada,
porteiro sobrecarregado,
prédio piorando lentamente.
A política é abstrata.
O boleto do condomínio, não.
Ele chega todo mês.
Sem atraso.
Sem discurso.
Sem piedade.
— Marcus Vale
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