Belém, 5 de junho de 2026 – O Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC) lançou, em 2 de junho, em Belém, o livro "Floresta Amazônica: Biodiversidade e Restauração Florestal em Paragominas". A obra celebra as descobertas científicas ao longo de onze anos de estudos em uma região da Amazônia onde foram reabilitados 3.759 hectares de áreas mineradas, o que equivale a mais de 5.250 campos de futebol.
O livro examina como as atividades de mineração de bauxita realizadas pela Hydro em Paragominas, no nordeste do Pará, interagem com o ecossistema local e apresenta análises científicas voltadas para a restauração florestal e recuperação do solo.
A publicação é assinada por 78 pesquisadores de dezenove instituições de ensino e pesquisa, incluindo universidades e centros científicos. A obra evidencia a relevância da cooperação científica entre instituições de pesquisa consolidadas na Amazônia e no exterior.
Foi descoberto, por exemplo, que a técnica de indução da regeneração natural, um método passivo com mínima interferência humana, é capaz de promover a recuperação de importantes atributos relacionados à qualidade do solo em superfície, oferecendo condições análogas à de um solo sob floresta natural, nas camadas superficiais, após sete anos.
Enquanto o método de plantio de mudas nativas, possibilita inserir um elevado número de espécies com características desejadas, gerando oferta de frutos e sementes, o que atrai o retorno da fauna silvestre e ainda dissemina a criação de serrapilheira, camada de folhas, galhos e frutos que devolve nutrientes ao solo e o protege contra condições climáticas adversas.
Inscrito no Prêmio Jabuti Acadêmico 2026, o livro já está disponível online para download gratuito e compila dez anos de pesquisas do Consórcio realizadas dentro e no entorno da Mineração Paragominas, onde a Hydro beneficia bauxita. O BRC é uma parceria estratégica entre a Hydro e instituições de renome no âmbito acadêmico: as Universidades Federais do Pará (UFPA) e Rural da Amazônia (UFRA), o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Universidade de Oslo. As atividades do consórcio são atualmente financiadas pelo Fundo Hydro.
Desde sua fundação, em novembro de 2013, o Consórcio já implementou 25 projetos de pesquisa e está implementando mais quatro, selecionados no último edital, de 2025. Com isso, mais de 80 artigos já foram publicados. Sua atuação se concentra em frentes prioritárias como o monitoramento da biodiversidade da região, os impactos ecológicos das atividades de mineração e as estratégias de restauração de florestas tropicais.
Ao longo dos anos, o BRC se consolidou como importante orientador para a melhor aplicação das técnicas de reabilitação empregadas na Mineração Paragominas: plantio de mudas de florestas nativas, indução de regeneração natural e nucleação. O consórcio também apoia o desenvolvimento de novas técnicas.
“Para nós, a expertise do BRC, atestada por publicações em revistas de alto rigor científico, é fundamental para entendermos continuamente o contexto ecológico onde operamos e suporta nossa ambição de No Net Loss (sem perda líquida de biodiversidade) na Mineração Paragominas e em novos projetos”, afirma Eduardo Figueiredo, Vice-presidente de Sustentabilidade da Hydro.
Retorno da fauna e flora - Além da recuperação do solo, o livro destaca a diversidade da flora e o retorno da fauna às áreas, um indicador de que a reabilitação está sendo bem-sucedida. O programa registrou 646 espécies de plantas no território desde 2003, das quais apenas 22,2% estavam previamente catalogadas. A pesquisa também identificou 25 onças-pintadas monitoradas individualmente e o registro de espécies raras como o gavião-real e o primata caiarara, considerado um dos 25 primatas mais ameaçados do mundo e o mais ameaçado na região.
Assim como a obra também traz a descoberta de novas espécies na Mineração Paragominas, o que demonstra que áreas em reabilitação possuem biodiversidades distintas e interações próprias com o habitat. Foram descritas, por exemplo, diversas novas espécies de percevejos, besouros e aranhas, assim como descobriu-se o menor grilo do mundo, de apenas três milímetros de comprimento, que pertence a um gênero novo ainda em descrição.
Segunda sessão - Após o lançamento do livro em Belém, o BRC organiza um evento em Paragominas, no dia 9 de junho, das 19h às 21h, no Sindicato dos Produtores Rurais do município (Rodovia PA-125, s/n [Lote Módulo II], bairro Célio Miranda) para apresentar a publicação à população local.
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