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Opnião Artigo

A crise ambiental é mais do que mudança climática

Para Gustavo Gumiero, escritor e doutor em Sociologia pela Unicamp, a expressão amplamente utilizada reduz um problema que envolve desigualdades sociais, exploração da natureza e o modelo econômico dominante  

05/06/2026 17h54
Por: Redação
A crise ambiental é mais do que mudança climática



No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o escritor Gustavo Gumiero questiona o uso da expressão “mudança climática” para definir a crise ambiental enfrentada pelo planeta. Segundo ele, o termo é impreciso e não evidencia os responsáveis nem os processos históricos que levaram ao agravamento da degradação ambiental.


Para Gumiero, a nomenclatura adotada internacionalmente acaba suavizando a gravidade do problema e ocultando fatores sociais, econômicos e políticos que estão na origem da crise.

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“A expressão mudança climática não denota uma responsabilidade humana. Parece ter sua gênese por si mesma, desconsiderando as relações sociais, de classe, as guerras e os conflitos que as afirmaram”, afirma.

O escritor argumenta que o conceito também ignora as diferenças entre países e grupos sociais em relação à emissão de poluentes e ao consumo de recursos naturais.


“Há diferença de escalas entre os países que mais poluem e os que menos o fazem; entre os estilos de vida que mais consomem os recursos e aqueles que nem têm recursos para consumir”, diz.


Mais do que temperatura


Outro ponto criticado por Gumiero é a centralidade dada à meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Na avaliação dele, a discussão ambiental não pode se restringir ao aumento da temperatura média do planeta.

“Buscar apenas não superar essa temperatura é desconsiderar toda a poluição, a destruição da fauna e da flora e a questão dos direitos humanos. Perseguir apenas a meta de temperatura é permitir a aniquilação de biomas e de comunidades”, afirma.


Para o escritor, o fenômeno geralmente chamado de mudança climática deve ser compreendido como resultado de práticas associadas à exploração da natureza, à desigualdade social e ao modelo econômico baseado na utilização intensiva de combustíveis fósseis.


A era do Capitaloceno


Como alternativa ao conceito de mudança climática, Gumiero defende a adoção do termo “Capitaloceno”, utilizado por pesquisadores para relacionar a crise ambiental ao sistema econômico contemporâneo.

“Passamos a viver no Capitaloceno, período em que a humanidade, através do seu modo de produção capitalista, se transformou em um poderoso e perigoso processo geológico”, afirma.


Segundo ele, a sociedade construiu um modelo de desenvolvimento baseado no consumo crescente e na exploração contínua dos recursos naturais, colocando em risco as condições que sustentam a vida no planeta.

“Construímos nossa recente existência baseada na nossa extinção. Objetos, objetivos, coisas, números, dinheiro. Tudo tem seu preço, mas de tudo foi extraído o valor”, conclui.


Sobre Gustavo Gumiero

Gustavo Gumiero é escritor, doutor em Sociologia pela Unicamp, criador do influenciador climático Super Proteus e fundador da Associação Luto pela Terra.

 



 








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