A emergência climática é uma realidade com impactos econômicos, sociais e ambientais imediatos. Secas prolongadas, enchentes históricas, incêndios, perda de biodiversidade e insegurança hídrica já afetam a competitividade das empresas, a produtividade agrícola, a infraestrutura urbana e a qualidade de vida da população.
No mês em que celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente (05), debater esse tema vai além da conservação da natureza: significa discutir desenvolvimento econômico, segurança alimentar, estabilidade climática, atração de investimentos e novas oportunidades de mercado.
No cenário internacional, as expectativas sobre as empresas cresceram. O Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, as discussões no G20, as COPs e os principais fóruns econômicos globais demonstram que competitividade e sustentabilidade caminham juntas. Novas regulamentações, exigências de rastreabilidade, critérios de financiamento verde e padrões de reporte socioambiental estão remodelando as cadeias globais de valor, valorizando práticas sustentáveis.
Neste contexto, o Brasil possui responsabilidade singular. Detentor de cerca de 60% da Floresta Amazônica e de biomas como Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa, o país concentra uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta. Essa relevância é reconhecida pelo Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) e pelo Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB Brasil), que tratam a gestão sustentável do território como estratégia de desenvolvimento nacional. Ainda assim, convivemos com desafios históricos de desmatamento e degradação ambiental.
Dados do MapBiomas revelam avanços importantes, mas reforçam a urgência de escalarmos as soluções. Em 2025, o Brasil reduziu em 20,6% a área desmatada em comparação a 2024, com queda em quase todos os biomas. Contudo, o avanço não deve mascarar o desafio só entre 2019 e 2025, o país perdeu cerca de 10,9 milhões de hectares de vegetação nativa.
A distribuição geográfica do desmatamento em 2025 consolida o Cerrado como o bioma mais pressionado, com a região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e o Mato Grosso concentrando cerca de 63% da perda de vegetação do país.
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Esses números demonstram uma realidade incontornável: embora a Amazônia seja fundamental, os desafios socioambientais extrapolam suas fronteiras. Nesse cenário, o setor empresarial precisa assumir o protagonismo. As empresas têm capacidade única de mobilizar recursos, inovar e influenciar cadeias de valor. Mas essa liderança exige uma mudança de paradigma.
A sustentabilidade corporativa deixou de ser apenas mitigação de impactos. Hoje, exige-se que as empresas incorporem a natureza em suas estratégias, identificando dependências e riscos, promovendo cadeias livres de desmatamento, garantindo rastreabilidade e investindo em soluções baseadas na natureza.
É nesse contexto de maturidade institucional que o Movimento Impacto Amazônia se expande. A iniciativa da Ambição 2030 da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, agora, dá um passo estratégico para o território nacional ao se transformar no Movimento Impacto Biomas.
Sem deixar de reconhecer a centralidade da Amazônia, a ação entende que os desafios brasileiros exigem uma abordagem integrada. A expansão do escopo aos demais biomas amplia o potencial de transformação sistêmica e de geração de resultados mensuráveis com uma agenda baseada em três grandes compromissos empresariais:
Proteger nossos biomas não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia de sobrevivência econômica e competitividade para o Brasil.
*Hugo Ricardo é Gerente de Agricultura e Florestas Pacto Global da ONU – Rede Brasil
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