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Mulheres lideram nova geração de negócios da sociobiodiversidade na Amazônia

Projetos apoiados pelo Fundo LIRA atuam em mais de 60 comunidades e aldeias amazônicas, beneficiam mais de 1,2 mil pessoas e fortalecem cadeias ligadas à medicina tradicional, fitoterápicos e biocosméticos

24/06/2026 17h28
Por: Redação
Mulheres lideram nova geração de negócios da sociobiodiversidade na Amazônia

Mulheres lideram nova geração de negócios da sociobiodiversidade na Amazônia
 

Projetos apoiados pelo Fundo LIRA atuam em mais de 60 comunidades e aldeias amazônicas, beneficiam mais de 1,2 mil pessoas e fortalecem cadeias ligadas à medicina tradicional, fitoterápicos e biocosméticos
 

 

Mulheres indígenas realizam o beneficiamento de matérias-primas da floresta em atividade ligada à produção comunitária e à valorização de conhecimentos tradicionais (Foto: André+Carioba)
 

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A produção de fitoterápicos indígenas, biocosméticos e produtos derivados da sociobiodiversidade ganha força em diferentes territórios da Amazônia por meio de iniciativas lideradas por mulheres. Projetos apoiados pelo Fundo LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, ampliam estruturas de beneficiamento, fortalecem organizações comunitárias e criam novas oportunidades econômicas a partir de conhecimentos tradicionais transmitidos entre gerações.
 

“Os projetos apoiados mostram que a sociobiodiversidade também é construída a partir do conhecimento acumulado pelas mulheres ao longo de gerações. Elas estão à frente de iniciativas que fortalecem a medicina tradicional, ampliam a produção de biocosméticos e criam novas oportunidades de renda nos territórios. São soluções que unem conservação, cultura e desenvolvimento local”, afirma Fabiana Prado, gerente do Fundo LIRA.
 

As iniciativas fazem parte do ciclo 2025-2026 do Fundo LIRA, que apoia 53 projetos em 57 áreas protegidas da Amazônia Legal, distribuídas por sete estados, com investimentos de aproximadamente R$ 7 milhões.
 

Entre os projetos apoiados estão iniciativas lideradas por mulheres indígenas, extrativistas e rurais que atuam em mais de 60 comunidades e aldeias amazônicas. As ações envolvem diretamente mais de 1,2 mil pessoas e abrangem desde a preservação da medicina tradicional indígena até a produção de fitoterápicos, óleos e biocosméticos.
 

Um dos exemplos está na Terra Indígena Caititu, no sul do Amazonas. A Associação dos Produtores Indígenas da Terra Indígena Caititu (APITC) reúne o grupo de mulheres Pupykary, formado por mulheres Apurinã de dez aldeias que atuam na preservação e no uso de plantas medicinais. Com apoio do Fundo LIRA, está sendo estruturada uma unidade de beneficiamento e conservação de ervas, além da implantação de nove canteiros medicinais e da realização de atividades voltadas à troca de conhecimentos entre mulheres, jovens, anciãos e agentes de saúde. A iniciativa beneficia diretamente 58 indígenas e busca fortalecer a medicina tradicional e a transmissão desses conhecimentos para as novas gerações.
 

“As mulheres Apurinã são as principais guardiãs dos conhecimentos sobre as plantas medicinais. São saberes transmitidos pelas ancestrais e compartilhados com as novas gerações”, afirma Regina, da APITC. Segundo ela, o projeto ampliou a participação das mulheres, fortaleceu a troca de conhecimentos entre as aldeias e trouxe mais visibilidade para o trabalho desenvolvido pelas indígenas.
 

 

Jovens e mulheres indígenas utilizam ferramentas de monitoramento durante atividades de formação comunitária. A integração entre tecnologia e conhecimento local faz parte das estratégias de fortalecimento territorial apoiadas pelo Fundo LIRA (Foto: Acervo IREO / Rancejanio Guimarães)
 

No Pará, a Aldeia Kaarimã, na Terra Indígena Xipaya, também vive um processo de fortalecimento da medicina tradicional. O Instituto Juma está estruturando o Espaço Ipá-Supá, iniciativa que beneficia 23 indígenas e é dedicada à produção de fitoterápicos desenvolvidos a partir dos conhecimentos do povo Xipaya. O projeto inclui a aquisição de equipamentos como estufa, desidratadora, prensa e seladora para beneficiamento dos produtos, além da formação de jovens e mulheres e de ações voltadas à valorização e continuidade desses saberes.
 

“Fortalecer a medicina tradicional não é apenas produzir remédios naturais. É fortalecer a cultura, a memória, a identidade e o futuro do povo Xipái”, afirma Deborah, do Instituto Juma. A expectativa é ampliar a produção e criar condições para a regularização e comercialização dos fitoterápicos. Segundo ela, as mulheres ocupam papel central nesse processo. “São elas que historicamente mantiveram vivos os conhecimentos sobre as plantas medicinais e hoje lideram processos de cultivo, produção dos fitoterápicos e formação dos jovens”, diz.
 

A presença feminina também marca iniciativas voltadas à geração de renda e à agregação de valor aos produtos da floresta. No Médio Juruá, no Amazonas, a Associação de Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá (ASMAMJ) reúne 287 mulheres associadas de 50 comunidades. O projeto apoiado pelo Fundo LIRA fortalece a produção de biocosméticos, artesanato e biojoias por meio da aquisição de insumos, melhoria da infraestrutura produtiva e realização de capacitações técnicas. Ao todo, a iniciativa beneficia 1.148 mulheres e jovens do território.
 

“As mulheres sempre tiveram um papel fundamental no desenvolvimento das comunidades e das cadeias produtivas do território, mas muitas vezes esse trabalho era invisibilizado. Hoje elas lideram processos de produção, fortalecem umas às outras e conquistam mais autonomia financeira dentro das comunidades”, afirma Kelly, da ASMAMJ.
 

Outro exemplo vem do Pará, onde a Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra e região, conhecida como Amélias da Amazônia, está ampliando sua estrutura produtiva para fortalecer a fabricação de produtos derivados da biodiversidade amazônica. A organização produz óleos, sabonetes, pomadas e outros itens elaborados a partir de matérias-primas da floresta.
 

A origem da iniciativa está ligada à busca por alternativas de renda para mulheres da comunidade. Segundo Marcilene, uma das fundadoras da associação, a ideia surgiu a partir do aproveitamento da andiroba, matéria-prima abundante na região. “A gente via a semente de andiroba se perder e começou a pensar por que não transformar aquilo que já sabíamos fazer em uma fonte de renda para as mulheres”, conta.
 

Com apoio do Fundo LIRA, a associação ampliou sua estrutura produtiva e passou a contar com instalações mais adequadas para a fabricação e armazenamento dos produtos. “A reforma trouxe mais segurança e melhores condições para o nosso trabalho. Hoje conseguimos produzir melhor, comercializar mais e continuar gerando renda para as mulheres da comunidade”, afirma Marcilene.
 

“Essas iniciativas mostram que investir nas mulheres é fortalecer redes de conhecimento, cuidado e geração de renda que já existem nos territórios. Quando elas têm acesso a estrutura, formação e apoio institucional, os impactos alcançam toda a comunidade”, afirma Neluce Soares, coordenadora do Fundo LIRA.

 

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