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O antigo prédio do Correios na Pituba deixa o abandono e abre caminho para uma nova fase da cidade

Fechado havia quase oito anos, um dos terrenos mais visíveis de Salvador sai da inércia — e a melhor notícia é a chance de fazer requalificação urbana do jeito certo.

26/06/2026 01h30
Por: Redação
O antigo prédio do Correios na Pituba deixa o abandono e abre caminho para uma nova fase da cidade

 

 
Cidades · Direito Urbanístico

 

Sustentabilidade em Pauta Salvador (BA) 25 de junho de 2026

Por quase oito anos, um dos endereços mais visíveis da Pituba foi sinônimo de desperdício. O antigo complexo dos Correios e Telégrafos (ECT), na Avenida Paulo VI, permaneceu fechado desde novembro de 2018 — um terreno de quase 35 mil m², a duas quadras da praia, transformado em alvo de invasões, furtos e depredação, no coração de uma das regiões mais valorizadas de Salvador. Era um vazio urbano que só gerava prejuízo: para o patrimônio público, para a vizinhança e para a cidade.

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Essa página começa a virar. Em 25 de junho de 2026, o imóvel foi arrematado em leilão por R$ 97.760.250 pela incorporadora Moura Dubeux, que anunciou ali um empreendimento de vocação predominantemente residencial, com potencial estimado em cerca de 140 mil m² de área privativa. Depois de muitas tentativas frustradas, a área finalmente sai da inércia — e essa é, antes de tudo, uma boa notícia.

O fim de um passivo, o início de uma oportunidade

Há um alívio concreto e imediato. Um imóvel abandonado em área dotada de toda a infraestrutura urbana é exatamente o oposto do que a Constituição e o Estatuto da Cidade esperam da propriedade: solo ocioso onde deveria haver vida, uso e função social. Devolver utilidade a esse espaço é um ganho urbanístico, econômico e até ambiental — um foco de degradação e insegurança deixa de existir.

Para os Correios, que atravessam um momento financeiro delicado, a venda de ativos parados é parte de um esforço necessário de reorganização. E, para a Pituba, a chegada de um grande projeto significa obra, emprego, movimento e a perspectiva de requalificar todo o entorno. A própria incorporadora descreve sua estratégia como a de transformar grandes áreas urbanas em novos espaços de moradia, convivência e serviços — algo que já fez em outros endereços icônicos da capital, como os antigos Salvador Praia, Othon e Pestana.

A cidade ganha quando um “elefante branco” volta a respirar.

Que esse renascimento seja completo

O entusiasmo não dispensa o cuidado — ao contrário, é justamente o cuidado que garante que a promessa se cumpra. Sustentabilidade em Pauta enxerga aqui uma chance rara de fazer requalificação urbana do jeito certo, e elenca o que pode transformar uma boa notícia em um caso exemplar:

  • Moradia que integra, não que afastaA maior oportunidade está em que o novo empreendimento dialogue com a cidade — com contrapartidas urbanísticas, qualidade de espaço público no entorno e atenção para que a valorização da região conviva com sua diversidade social. Requalificar é, no melhor sentido, abrir a cidade para mais gente.
  • Demolir bem é parte de construir bemA retirada das estruturas antigas é uma chance de mostrar boa prática ambiental: gestão adequada dos resíduos da construção, reaproveitamento de materiais e logística reversa. Um canteiro que cuida do entulho desde o primeiro dia já nasce mais sustentável.
  • Adensar com inteligênciaUm projeto desse porte numa Pituba já movimentada é o convite ideal para soluções modernas — drenagem eficiente, áreas permeáveis, sombreamento e arborização, mobilidade pensada para o bairro. É a oportunidade de entregar não só metros quadrados, mas qualidade de vida urbana.
  • Transição humanaHá ocupações antigas na área, e o melhor desfecho é aquele construído com diálogo e soluções dignas. Uma requalificação que trata bem quem já estava ali se torna referência, não conflito.
  • Transparência que inspira confiançaQuanto mais aberto e rastreável o processo — do licenciamento ao projeto final —, maior a confiança da sociedade e melhor o resultado para todos.

Uma nova fase

O caso da Avenida Paulo VI carrega um simbolismo bonito: o de uma cidade que se recusa a conviver com o abandono e escolhe transformar. O que era prejuízo pode virar moradia, trabalho e vida urbana de qualidade. A boa notícia já está dada — e ela fica ainda melhor se o projeto que vem aí abraçar a sustentabilidade como vocação, e não como detalhe.

Sustentabilidade em Pauta seguirá acompanhando essa transformação, na torcida e na cobrança, para que a Pituba que renasce seja exemplo de cidade para todos.

Em números

  • ArremateR$ 97.760.250 · 25/06/2026
  • CompradorMoura Dubeux
  • Área do terreno34.689 m²
  • Potencial de área privativa~140 mil m²
  • Desativado desdenovembro de 2018
  • Imóveis desativados requalificados pela incorporadora em Salvador4º
Sustentabilidade em Pauta — jornalismo de sustentabilidade. CBN Salvador 107,9 FM · sustentabilidadeempauta.com.br
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