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O que estamos deixando para as crianças de Maraú?

Por Leco Levita

27/06/2026 14h09
Por: Redação
O que estamos deixando para as crianças de Maraú?

 

 

Sempre que vejo crianças brincando pelas praias, pelos rios, nas ruas dos nossos povoados ou nos campos de Maraú, inevitavelmente paro para pensar no futuro. Vejo meninos e meninas correndo descalços, andando de bicicleta, jogando bola, pescando, rindo sem preocupação. São cenas que ainda fazem parte da nossa realidade e que, infelizmente, já desapareceram de muitas cidades brasileiras.

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Isso não acontece por acaso. Ainda vivemos em um lugar privilegiado. Mas privilégios não são eternos. Eles precisam ser protegidos.

Tenho refletido muito sobre segurança pública e chego cada vez mais à mesma conclusão: ela não começa na delegacia, nem na viatura, nem quando o crime acontece. A verdadeira segurança pública começa muito antes, quando uma criança acorda para ir à escola.

Ela começa na educação que recebe, na saúde que encontra, na alimentação de qualidade, no esporte, na cultura, no lazer e no exemplo que vê dentro de casa e na própria comunidade.

Uma criança que cresce cercada de oportunidades dificilmente enxergará na violência um caminho.

Maraú está vivendo uma transformação. O turismo impulsiona nossa economia, novos investimentos chegam, mais pessoas escolhem viver aqui. Isso é positivo, mas também traz responsabilidades. Crescimento sem planejamento quase sempre cobra um preço alto no futuro.

A violência não aparece de repente. Ela se instala aos poucos, ocupando espaços onde faltam oportunidades, presença do Estado e compromisso coletivo.

Por isso, acredito que deveríamos fazer uma pergunta diferente. Em vez de pensar apenas em como combater a criminalidade, deveríamos nos perguntar: que adultos estamos formando hoje?

O que nossas crianças fazem quando saem da escola?

Que espaços existem para praticar esportes?

Quantos projetos culturais estão disponíveis?

Como estamos preparando nossos adolescentes para o mercado de trabalho?

Como estamos cuidando da saúde física e emocional dessa nova geração?

São perguntas que precisam fazer parte da nossa agenda pública.

Nenhuma viatura substitui uma infância bem cuidada.

Nenhuma operação policial consegue fazer o trabalho que uma escola forte, uma família presente e uma comunidade comprometida conseguem realizar.

Eu sonho em continuar vendo as crianças de Maraú brincando livres, correndo pelas praias, pelos rios, pelas ruas dos nossos distritos e povoados, conhecendo os vizinhos pelo nome e crescendo com a mesma sensação de liberdade que muitos de nós tivemos.

Mas isso depende das escolhas que fazemos agora.

Segurança pública não é responsabilidade exclusiva das forças policiais. Ela também é construída nas salas de aula, nos postos de saúde, nas quadras esportivas, nos projetos sociais, nas igrejas, nas associações, nas famílias e em cada cidadão que entende que cuidar de uma criança é investir no futuro de toda uma cidade.

Tenho convicção de que a maior obra que Maraú pode construir não será de concreto.

Será uma geração de jovens preparada, consciente, educada, saudável e orgulhosa da terra onde nasceu.

É essa geração que fará de Maraú um município mais seguro, mais justo e mais humano.

No fim, uma cidade não será lembrada apenas pelas obras que inaugurou ou pelo turismo que desenvolveu. Ela será lembrada, sobretudo, pela forma como cuidou das suas crianças.

E, para mim, é exatamente aí que começa a verdadeira segurança pública. Não no enfrentamento da violência, mas na construção de oportunidades para que ela nunca encontre espaço.

Leonardo Levita
Empresário, presidente da APEMA e defensor do desenvolvimento sustentável e da segurança pública em Maraú.

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