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Agronegócio Clima

El Niño e a próxima safra: como o agro pode se adaptar a um cenário de maior incerteza

O retorno do El Niño amplia a incerteza para a safra 2026/27 e coloca planejamento, eficiência operacional e gestão de riscos no centro das decisões do agronegócio.

06/07/2026 23h48
Por: Redação
El Niño e a próxima safra: como o agro pode se adaptar a um cenário de maior incerteza
 
 

O retorno do fenômeno natural El Niño ao radar do agronegócio reacendeu as preocupações para a safra 2026/27. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o calendário de plantio do milho poderá ser impactado, enquanto os preços seguem pressionados pela ampla oferta da segunda safra e pela cautela dos compradores. Esse cenário reforça a necessidade de planejamento antecipado, gestão eficiente para reduzir os impactos da volatilidade climática e de mercado.

 

Embora a situação exija atenção, a avaliação do mercado é de que o foco deve estar menos no risco climático em si e mais na capacidade de adaptação das operações. Segundo especialistas, hoje o agro brasileiro conta com mais tecnologia, genética e ferramentas de gestão do que em ciclos anteriores, o que permite um planejamento mais robusto diante de eventos climáticos extremos.

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VP da unidade de Agronegócio da Falconi, Andre Paranhos

Para o VP da unidade de Agronegócio da Falconi, Andre Paranhos, a gestão passa a ser um diferencial competitivo justamente porque reduz os impactos da incerteza sobre o negócio. "As mudanças climáticas tornam o ambiente mais incerto, o que exige uma gestão cada vez mais estruturada. Pensar estrategicamente na condução das ações e adotar uma gestão eficiente são fatores essenciais para enfrentar esses desafios e fortalecer a resiliência das operações", afirma.

 

As previsões também indicam que, mesmo com o início das chuvas entre agosto e outubro, a regularidade necessária para o plantio pode demorar a se consolidar. Isso aumenta o risco de replantio, pode comprometer o desenvolvimento inicial da soja e, consequentemente, reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra, com possíveis impactos sobre produtividade e rentabilidade.

 

Paranhos destaca ainda que a preocupação não deve se restringir ao campo, mas abranger toda a cadeia operacional. "Agricultores que não adotarem estratégias como proteção de preços, eficiência nos processos e gestão eficiente de custos e despesas enfrentarão dificuldades financeiras. Decisões antecipadas e uma visão integrada da operação ajudam a preservar margens mesmo em um ambiente de maior volatilidade.”

 

Outro ponto de atenção é a logística. Além dos efeitos sobre a produção, um cenário mais seco na região Norte pode comprometer a navegabilidade dos rios utilizados para o transporte de grãos, elevando custos e aumentando a pressão sobre a cadeia de abastecimento. 

 

"Planejar estrategicamente a condução das ações é peça-chave para que as empresas enfrentem de forma eficiente os desafios e assegurem a resiliência do segmento", conclui o executivo.

 

 

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