Agricultores e pecuaristas europeus temem perder espaço com o livre comércio dos alimentos do Mercosul, principalmente dos brasileiros.
Isso porque a mercadoria do Brasil passaria a ser mais competitiva em preços, devido à alta produtividade do país e por ter um menor custo de produção na comparação com o europeu.
Os opositores também usam a questão ambiental para criticar o acordo. Eles dizem que a produção de alimentos no Mercosul não segue os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa.
E que o acordo comercial aceleraria o desmatamento na Amazônia e abriria caminho para a entrada de agrotóxicos atualmente proibidos na Europa.
Esses argumentos têm sido rebatidos pelo Brasil. O país é um dos poucos com um Código Florestal que exige que as lavouras tenham uma área extensa de reserva. Mesmo assim, altos índices de desmatamento ilegal continuam sendo um desafio.
Ao contrário da França, a Alemanha e a Espanha são grandes defensoras do acordo. Ambos os países desejam apoiar os exportadores europeus em um momento em que a UE enfrenta dificuldades econômicas.
Os dois países consideram indispensável diversificar as alianças comerciais desde a imposição do tarifaço pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Atualmente, produtos europeus pagam tarifa de 15% para entrar no mercado americano.
Desde a reeleição de Trump, em novembro do ano passado, a bloco intensificou a busca por novas alianças comerciais, acelerando negociações com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos e reforçando os laços com parceiros já existentes, como Reino Unido, Canadá e Japão.
Para os defensores, o Mercosul representa um mercado em expansão para carros, máquinas e produtos químicos europeus, além de ser uma fonte confiável de minerais essenciais para a transição energética, como o lítio usado em baterias, atualmente fornecido sobretudo pela China.
Para os países favoráveis, o acordo também ajuda a reduzir a dependência da Europa em relação à China, especialmente no fornecimento de minerais estratégicos.Há ainda as salvaguardas que foram decididas depois da última versão do acordo, de 2024.
As acusações feitas contra o Brasil fazem sentido?
Diferente do que acusam os europeus, o Brasil tem exigências legais robustas no setor ambiental, como a proteção obrigatória de vegetação nativa em propriedades, pesquisador Leonardo Munhoz do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A União Europeia, por sua vez, flexibilizou parte das regras ambientais de sua Política Agrícola Comum entre 2024 e 2025, reduzindo obrigações que antes eram apresentadas como referência internacional, diz o pesquisador.
Além disso, a lei antidesmatamento foi adiada e passou por revisões técnicas. Para Munhoz, isso mostra que o bloco enfrenta dificuldades técnicas para a implementação.
Sem a lei finalizada, aumenta o espaço para que a União Europeia cobre requisitos extras de sustentabilidade, rastreabilidade ou bem-estar animal para manter vantagens tarifárias previstas na cláusula de reciprocidade.
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