No dia 6 de julho, às 11h46 (horário da Índia), fontes de energia limpa atenderam a mais da metade da demanda de eletricidade da Índia pela primeira vez neste ano. Embora isso tenha ocorrido por um curto período — cerca de 15 minutos —, trata-se de um marco importante.
Durante esses 15 minutos, 700 milhões de pessoas na Índia consumiram eletricidade 100% limpa. Em outras palavras, por 15 minutos, mais da metade de toda a eletricidade consumida por uma população de 1,4 bilhão de pessoas foi gerada por fontes de energia limpa.
A Índia, sexta maior economia do mundo e o país mais populoso do planeta, ainda é uma economia em desenvolvimento, com grande parte de sua infraestrutura por construir. Isso significa que sua demanda por eletricidade continuará crescendo rapidamente. Um crescimento dessa magnitude pode ser decisivo para o sucesso — ou o fracasso — dos esforços globais para enfrentar a mudança do clima. Por isso, é fundamental que essa expansão seja abastecida por energia limpa.
Alcançar o marco de 50% de geração de eletricidade a partir de fontes não fósseis envia um sinal ao mundo de que a Índia pretende enfrentar os desafios do desenvolvimento por meio da energia limpa, evitando repetir o caminho seguido pelas economias desenvolvidas, baseado em combustíveis fósseis.
O resultado também demonstra a capacidade de adaptação das redes elétricas da Índia para absorver uma parcela maior de energias renováveis variáveis, mesmo com capacidade limitada de armazenamento. Em outras palavras, comprova que é tecnicamente possível aumentar a participação da energia solar e eólica e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Comparação com países europeus
O estado de Karnataka, com cerca de 69 milhões de habitantes, gera 60% de toda a eletricidade consumida ao longo do ano a partir de fontes não fósseis. Em dias de elevada geração solar e eólica, durante algumas horas, 80% da demanda elétrica do estado é atendida por fontes renováveis.
Esse desempenho é comparável ao do Reino Unido, que também tem cerca de 69 milhões de habitantes e cuja matriz elétrica é composta por aproximadamente 70% de fontes não fósseis e 30% de combustíveis fósseis. Karnataka também supera países como a Polônia, cuja eletricidade ainda depende 68% de combustíveis fósseis, e a Itália, com 58 milhões de habitantes e 51% da eletricidade gerada por combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo, a Índia também possui estados altamente dependentes do carvão. Regiões como Bengala Ocidental, Uttar Pradesh e Bihar avançaram muito pouco na expansão das energias renováveis.
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