A Prefeitura de São Paulo divulgou em 24 de julho estudo que identificou 290.334 vínculos formais em ocupações verdes na capital em 2024, o equivalente a aproximadamente 5% do total de empregos formais do município. O levantamento foi produzido por técnicos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho (SMDET) com base na metodologia de empregos verdes do Bureau of Labor Statistics (BLS), dos Estados Unidos, e complementa pesquisa anterior feita em parceria com a rede internacional de cidades C40. Foram identificadas 345 ocupações verdes entre as 2.709 analisadas no mercado formal paulistano.
As ocupações foram classificadas segundo cinco critérios: eficiência energética, fontes de energia renovável, redução de impactos ambientais e economia circular, preservação ambiental e uso sustentável de recursos naturais, e conformidade e educação ambiental.
A composição setorial é o dado mais informativo. Reparação e manutenção concentra o maior número de vínculos, com mais de 106 mil, seguido por transporte (70,5 mil), gestão de resíduos (42,4 mil) e infraestrutura (29 mil). As três ocupações com mais trabalhadores são motorista de ônibus urbano (32.106), trabalhador de limpeza e conservação de áreas públicas (30.136) e trabalhador de manutenção de edificações (25.722). O perfil é predominantemente masculino — 82% dos vínculos —, com ensino médio completo como escolaridade mais frequente, alcançando mais de 155 mil trabalhadores, e faixa etária concentrada entre 50 e 64 anos.
A série histórica pede leitura atenta: foram 286.533 vínculos em 2022, 286.978 em 2023 e 290.334 em 2024 — expansão de cerca de 3,8 mil postos em dois anos, ou aproximadamente 1,3%.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart, o levantamento permite desenhar políticas mais eficazes de qualificação, inclusão produtiva e geração de oportunidades alinhadas aos desafios climáticos. A chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, Tamires Oliveira, associa o resultado ao investimento em infraestrutura resiliente e mobilidade limpa, que teria impulsionado justamente os setores de manutenção e serviços.
Dois pontos, contudo, moderam a leitura otimista. O primeiro é a elasticidade do conceito: quando motoristas de ônibus, equipes de limpeza urbana e manutenção predial respondem por parcela expressiva do universo mapeado, o número mede menos o surgimento de uma nova economia do que a reclassificação, sob critério ambiental, de ocupações urbanas já existentes. O segundo é o ritmo: pouco mais de mil postos por ano em uma cidade do porte de São Paulo é crescimento modesto para um setor apresentado como vetor de transformação econômica.
Ainda assim, a metodologia replicável e a existência de série temporal fazem do estudo uma das bases de dados mais consistentes já produzidas por um município brasileiro sobre economia verde e mercado de trabalho — e um modelo diretamente aproveitável por Salvador e pelas demais capitais.
Fontes: Prefeitura de São Paulo / SMDET, 24/07/2026; C40; Bureau of Labor Statistics (EUA).
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