Da Serra Gaúcha ao Vale do São Francisco, milhares de quilômetros separam duas regiões brasileiras marcadas por climas, paisagens e formas de cultivo diferentes. O que as aproxima é a força da viticultura e as histórias de famílias que encontraram no cooperativismo e no Plano Safra o apoio necessário para investir, crescer e manter vivo o legado construído no campo.
A uva que movimenta o Brasil
Presente em diferentes regiões do país, a viticultura brasileira reúne características únicas. Em 2025, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, a produção nacional de uvas consolidou sua recuperação atingindo 2,2 milhões de toneladas. Esse volume representou um crescimento expressivo de 19,1% em relação ao ciclo anterior, impulsionado pela estabilidade climática nos parreirais e pelo consequente aumento da produtividade média nacional, que chegou a 25.194 kg/ha.
Nesse cenário, o Rio Grande do Sul permanece como o maior produtor do país, concentrando cerca de 46,6% da produção nacional, com destaque para a Serra Gaúcha, reconhecida pela tradição no cultivo de uvas destinadas à produção de vinhos, sucos e também ao consumo in natura.
Já o Vale do São Francisco, situado no polo entre Pernambuco e Bahia, consolidou-se como o principal ecossistema brasileiro para uvas finas de mesa e o gigante do comércio exterior. Segundo dados de inteligência de mercado coletados pela Embrapa Semiárido e pelo Cepea/USP, a região responde por cerca de 95% das uvas de mesa exportadas pelo Brasil. Graças ao manejo de alta tecnologia associado à irrigação e ao clima semiárido, o polo produz e abastece o mercado interno continuamente ao longo de todo o ano, transportando a fruta brasileira para dezenas de países.
Embora possuam características geográficas e fins comerciais muito diferentes, as duas regiões demonstram a robustez da fruticultura nacional. O ano de 2025 evidenciou como o investimento em novas cultivares, a tecnologia de precisão e o forte cooperativismo regional contribuem diretamente para o desenvolvimento econômico das propriedades rurais e para o sustento das milhares de famílias que vivem da cadeia da uva.
Quando o crédito impulsiona o crescimento no campo
Em Petrolina (PE), o agricultor Ivan de Macedo Alves conhece a cultura da uva desde jovem. Trabalhando na atividade há seis anos, ele sempre sonhou em cultivar a própria produção. O início foi tímido, com apenas meio hectare. Aos poucos, ampliou a área cultivada até alcançar os atuais sete hectares das variedades Vitória e Isis. "Trabalhei desde os 18 anos com uva e o sonho era plantar. Comecei com meio hectare, depois fui ampliando. Graças a Deus, hoje já estou com sete hectares. Um sonho que virou realidade", conta.
Cooperado da Cresol Noroeste, há pouco mais de um ano Ivan encontrou na cooperativa o apoio necessário para acelerar esse crescimento.
Os recursos do Plano Safra permitiram investir na aquisição de trator e implementos, no custeio da produção e na construção de um packing house, estrutura utilizada para o beneficiamento das uvas. "Ajudou bastante, desde o custeio até a aquisição de máquinas, implementos e melhorias na infraestrutura. Além de aumentar a produção, melhorou a qualidade do fruto. Com os implementos, você trabalha melhor e os resultados são positivos", afirma.
A parceria com a Cresol também marcou uma virada em sua trajetória. Depois de tentar obter crédito em outra instituição financeira, Ivan conseguiu contratar o primeiro financiamento poucas semanas após abrir sua conta na cooperativa. "Passei dois anos tentando em outro banco e não consegui. Na Cresol, foi rápido. Em cerca de 30 dias eu já estava com a máquina na propriedade. Foi muito bom".
Hoje, além de comemorar o crescimento da propriedade, Ivan também olha para o futuro. O filho, de 17 anos, já acompanha o trabalho no campo e deve assumir gradualmente as atividades da família.