Os primeiros sinais do El Niño já estão entre nós
As chuvas na última semana de julho no Rio Grande do Sul afetaram mais de 84 mil pessoas em 171 municípios, um padrão compatível com os efeitos historicamente associados ao El Niño: o Sul costuma ser a primeira região do país a sentir os efeitos do fenômeno, ainda na primavera. O El Niño redesenha o mapa de chuvas do país: mais chuva no Sul, seca mais longa no Norte e no Nordeste, mais risco de incêndios florestais na Amazônia e no Cerrado.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Em 2026, a anomalia de temperatura já atingiu 1,8°C, um ritmo de aquecimento acima da média histórica para esta época do ano. Cientistas já preveem que o fenômeno pode superar o histórico El Niño de 2015-16. O modelo europeu ECMWF projeta pico acima de 3°C entre setembro e dezembro, com metade das simulações apontando para algo perto de 3,3°C. O pico ainda não chegou, só é esperado para o fim do ano, e os impactos totais seguem incertos, mas a magnitude já preocupa setores como agricultura, energia e transporte fluvial.
Em junho, as queimadas ficaram 27% abaixo da média histórica e 14% abaixo de 2025, resultado que o governo atribui a mais brigadistas e à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. O cenário, porém, pode mudar: o El Niño tende a intensificar a seca na Amazônia e no Cerrado, aumentando o risco de incêndio pelo menos até o final de setembro.
Este El Niño chega em ano de eleições gerais no Brasil, quando o país escolhe presidente, governadores e o Congresso, e em meio à politização da agenda climática no país e no mundo. Meteorologistas indicam que os efeitos do fenômeno podem persistir até o primeiro semestre de 2027, o que aumenta a responsabilidade dos gestores públicos que começam seus mandatos no próximo ano.
A proposta deste boletim é trazer informação qualificada sobre o fenômeno, que é natural e cíclico, mas que a ciência alerta: ele está ocorrendo agora em um planeta profundamente alterado pela crise climática provocada pelos combustíveis fósseis e pelo desmatamento.
Sobre este boletim
O Boletim do El Niño é uma publicação semanal do Instituto ClimaInfo que cruza atos e boletins de institutos e agências federais, como Inpe, Inmet e ANA, com a cobertura da imprensa nacional e internacional sobre o fenômeno. A cada edição, acompanha como o El Niño está sendo tratado pelo poder público e pela imprensa, quais ações estão sendo propostas para enfrentar e prevenir seus impactos, e o que está ficando de fora dessa história. O boletim também monitora, semana a semana, o nível dos reservatórios, os focos de fogo e os eventos climáticos extremos no país, além de reunir estudos científicos recentes sobre o fenômeno.
Meio Ambiente Igam define cronograma para regularizar lançamento de efluentes em Minas
Meio Ambiente BDMG dobra financiamento a projetos verdes e realiza treinamento internacional sobre o tema com o Banco Asiático
Piauí Castramóvel e Van da Castração percorrerão seis municípios neste mês de novembro
Piauí Piauí pode registrar temperaturas de até 41°C na primeira semana de novembro
Lauro de Freitas 03/11/2026 - Prefeitura de Lauro de Freitas avalia condições ambientais da Lagoa do Parque da Cidade